Com entrevista do prof. da PUC que foi ao Encontro CCL e meu amigo, Silvio Mieli. Um abraço.
http://www.estadao.com.br/tecnologia/link/not_tec3211,0.shtm
Seattle: uma década de ativismo 2.0
Durante os protestos contra a OMC, há dez anos, Indymedia transformava
a autopublicação em causa política
domingo, 29 de novembro de 2009 18:17
por
Filipe Serrano
Existiu uma época – sem YouTube, Flickr, Wikipédia, blogs ou qualquer
ferramenta de autopublicação – em que colocar seu relato na internet
era muito mais um ato de protesto do que qualquer outra coisa. Uma
época em que se buscava uma nova forma de comunicação, mais livre de
intermediários.
Toda a ideia de jornalismo cidadão, que inspirou o desenvolvimento de
plataformas de publicação na web, tomou forma há 10 anos, em 30 de
novembro de 1999, durante os protestos em Seattle contra a reunião
ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC – ou WTO, na sigla
em inglês), que daria início à rodada do milênio, para negociar maior
abertura do comércio mundial.
Ao menos 40 mil pessoas, entre elas ativistas, membros de ONGs,
sindicalistas, ambientalistas e anarquistas, reunidos sob uma
organização descentralizada chamada de Direct Action Network (DAN),
tomaram as ruas do centro de Seattle e furaram o bloqueio em torno do
local onde a reunião acontecia. A manifestação ficou conhecida como
N30 ou a Batalha de Seattle.
Foi lá, durante os protestos, que os participantes começaram a usar as
tecnologias para mostrar o que estava acontecendo nas manifestações –
não só para se organizar, mas para interagir com ativistas de todo o
mundo que não estavam lá. Eles usavam uma improvisada rede de
comunicação, com celulares, rádios, notebooks e modems conectados à
web, para publicar imagens e relatos sobre os protestos.
“Seattle foi a primeira grande explosão de protestos por uma justiça
global. E juntou muitas pessoas de diversos movimentos, com diferentes
ideias do que era necessário mudar no mundo”, diz Margaret Levi,
professora do departamento de ciência política da Universidade de
Washington e responsável por um projeto de resgatar a história dos
protestos em Seattle.
Entre os envolvidos, surgia o coletivo Indymedia, um grupo de
ativistas que se reuniu para fazer uma cobertura jornalística
alternativa dos protestos em Seattle. No Brasil é conhecido como
Centro de Mídia Independente (CMI).
Para cobrir os protestos de junho de 1999, durante o encontro do G8,
em Colônia, na Alemanha, o embrião do Indymedia usou uma ferramenta de
publicação, um tipo de blog coletivo, criado alguns meses antes por um
grupo da Austrália.
Desenvolvido para ser um mecanismo que desse voz a cada manifestante
presente nos protestos, o site permitia já naquela época uma cobertura
em tempo real da manifestação em Seattle, em texto, áudio e vídeos.
Cinco documentários ainda foram produzidos pelo Centro de Mídia
Independente de Seattle.
“As pessoas tiravam fotos, colocavam depoimentos, publicavam sua
opinião sobre que estava sendo discutido, no caso, na rodada do
milênio da OMC”, diz Pablo Ortellado, um dos fundadores do CMI no
Brasil, criado quatro meses depois de Seattle. “Muitos grupos dos EUA
se interessaram pela ferramenta do Indymedia. Mas, como era aberta,
ela era muito mais usada pelos manifestantes individuais do que por
revistas e veículos alternativos”, continua.
O site do Indymedia teve mais de 1 milhão de acessos durante o
lançamento, no N30, o que sobrecarregou os servidores. “Foi aí que
incorporamos a autopublicação como essência do site. Do ponto de vista
da web 2.0, era um projeto totalmente radical. Se você for ver, os
blogs foram continuação disso. Não é a toa que o YouTube, o Twitter, o
Craiglist saíram de desenvolvedores que fizeram parte do Indymedia. O
Twitter foi criado para ser usado em manifestações”, diz Ortellado.
Hoje o YouTube faz campanhas por vídeos que defendam a liberdade de
expressão no mundo todo; o Twitter serve como troca de informações
durante os protestos no Irã; blogueiros palestinos relatam abusos,
entre outros exemplos que têm ocorrido nos últimos anos.
Há muitas críticas à incorporação das ideias do Indymedia por sites
comerciais, principalmente quanto à privacidade dos usuários, às
limitações impostas e à necessidade de gerar lucro e publicidade.
De qualquer maneira, a partir do Indymedia e de Seattle, surgiram
muitos outros projetos que procuram dar voz na internet a grupos de
pessoas que antes não tinham como expressar suas opiniões ou relatar o
que veem e vivem em suas comunidades.
“A tecnologia foi importante para planejar os processos e para trocar
informações depois dos protestos. Muito mudou nestes 10 anos. Ainda
vejo muitas demonstrações políticas, mas elas são feitas de outra
forma. Vemos que há grupos menores, mais comprometidos, não só se
mobilizando em protestos, mas realmente trabalhando para mudar o
mundo”, diz a professora Margaret Levi.
===========
http://www.estadao.com.br/noticias/tecnologia+link,a-batalha-de-seattle-ainda-nao-terminou,3212,0.shtm
A Batalha de Seattle ainda não terminou
ENTREVISTA - Silvio Mieli: professor de mídiartivismo da PUC-SP
domingo, 29 de novembro de 2009 18:24
por
Filipe Serrano
ENTREVISTA
Silvio Mieli: professor de mídiartivismo da PUC-SP
Para o professor Silvio Mieli, do departamento de jornalismo da
PUC-SP, os protestos de Seattle foram essenciais para criar um novo
papel da internet. Mas, em entrevista ao Link pelo telefone, criticou
a incorporação do modelo.
O que Seattle marcou para o ativismo pela internet?
Se o Zapatismo foi a primeira insurreição contra a ordem mundial dos
anos 1990, a Batalha de Seattle, em 1999, foi a primeira insurreição
contra o monopólio midiático. Foi a primeira vez que se organizou um
coletivo para cobrir o evento, descarregando as fotografias e os
textos dos protestos diretamente na internet. Não foi apenas uma
experiência política, foi uma das primeiras experiências mundiais
desse tipo de uso da tecnologia. Depois o blog iria se popularizar.
Tudo isso estava em Seattle. Foi um ponto de mutação.
O jornalismo colaborativo ou cidadão nasceu ali?
Como poucas vezes tivemos na história, os jovens de Seattle, que
fuçavam na tecnologia, tiveram um papel importante para rapidamente
colocar o conteúdo na internet. Nasceu um conceito do imediatismo, de
eliminar intermediários. Era preciso facilitar o acesso das pessoas às
informações. Agora, houve uma adaptação a esse modelo. Entramos num
capitalismo imaterial em que nos tornamos consumidores-produtores e
alimentamos uma rede gigantesca. Devemos olhar as redes sociais com
mais cuidado. É preciso resgatar a ideia de construir e articular
redes que possam de fato mobilizar as pessoas.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Matéria do El País sobre apagão
Fica a pergunta: eles analisaram o blecaute ou exageraram mesmo pra opinião pública internacional?
abs!
Lula exige una explicación por el apagón que dejó sin luz a millones de personas en Brasil
Inicialmente se culpó a la central hidroeléctrica de Itaipú de la falla que también dejó a oscuras a todo Paraguay.- La nueva tesis es que las fuertes tormentas desligaron tres líneas de conexión eléctrica
AGENCIAS - Río de Janeiro - 11/11/2009
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Resultado Sin interésPoco interesanteDe interésMuy interesanteImprescindible 87 votos
Comentarios Comentarios - 4 Imprimir Enviar
El presidente de Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, ha convocado hoy una reunión de urgencia para exigir una explicación de las causas del peor apagón que ha vivido el país en una década. Inicialmente las autoridades brasileñas habían señalado como la causa un fallo en la central hidroeléctrica de Itaipú, en la frontera con Paraguay. Pero la tesis ahora es que el fallo se produjo por el desligamiento de tres líneas eléctricas conectadas con esa central en el que han podido influir los fuertes vientos y lluvias concentradas en la región de Itaberá.
* Latinoamérica requiere una inversión anual de 10.000 millones de dólares en electricidad
Brasil
Brasil
A FONDO
Capital:
Brasilia.
Gobierno:
República Federal.
Población:
191,908,598 (2008)
La noticia en otros webs
* webs en español
* en otros idiomas
Anoche (madrugada de España), un apagón generalizado dejó sin luz a millones de personas en 18 de los 26 Estados brasileños y en el vecino Paraguay. La falla causó un apagón de más de dos horas en las ciudades de Sao Paulo y Río de Janeiro, donde viven más de 30 millones de personas, y según la Administración Nacional de Electricidad dejó a todo Paraguay sin energía durante 30 minutos.
El incidente ha despertado dudas en Brasil acerca de la confiabilidad de su infraestructura energética, por lo que Lula ha convocado a su ministro de Energía, Edison Lobao, a una reunión urgente en Brasilia para que dé las explicaciones. La oposición está acusando al Gobierno de negligencia en el mantenimiento de las líneas de transmisión del país.
Las autoridades, inicialmente habían culpado a Itaipú -una de las centrales eléctricas más grandes del mundo- pero la compañía binacional que la opera ha informado hoy en un comunicado que el problema "se originó en otra parte". Afirma que la central, ubicada en la frontera binacional y que suministra cerca del 20% de la energía que consume Brasil y 90% de Paraguay, había estado funcionando normalmente, pero que no había podido transmitir electricidad porque las líneas eléctricas no estaban funcionando.
Algunos expertos en energía han cuestionado si una tormenta podría causar un apagón de tales proporciones en dos países.
Pero el secretario ejecutivo del Ministerio de Minas y Energía, Marcio Zimmermann, se ha apresurado a descartar hoy versiones de la prensa estadounidense de que la falla se hubiese producido por un "ciberataque".
Horas a oscuras
El apagón se ha producido poco después de las diez de la noche, hora local, y afectó a diversas ciudades de los estados de São Paulo, Río de Janeiro y Minas Gerais, los más populosos del país. La falta de energía afectó también a algunas zonas de los estados de Espíritu Santo y Pernambuco, según el portal de noticias G1, mientras que otros medios hablan de fallas también en el estado de Mato Grosso do Sul.
El Operador Nacional del Sistema Eléctrico (ONS) de Brasil informó de que el fallo provocó la caída de 17.000 megavatios, el equivalente al utilizado en todo el área de São Paulo.
El tráfico en las calles de São Paulo se vio afectado y miles de pasajeros tuvieron que abandonar los vagones de metros que no funcionaban y a caminar en las vías subterráneas para volver a la superficie. La falla interrumpió también el funcionamiento del metro de Río de Janeiro y afectó a los dos aeropuertos de la ciudad, el internacional Antonio Carlos Jobim y el Santos Dumont. Igualmente se produjo un colapso de las líneas telefónicas fijas y celulares. El servicio se restableció totalmente cinco horas después.
abs!
Lula exige una explicación por el apagón que dejó sin luz a millones de personas en Brasil
Inicialmente se culpó a la central hidroeléctrica de Itaipú de la falla que también dejó a oscuras a todo Paraguay.- La nueva tesis es que las fuertes tormentas desligaron tres líneas de conexión eléctrica
AGENCIAS - Río de Janeiro - 11/11/2009
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El presidente de Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, ha convocado hoy una reunión de urgencia para exigir una explicación de las causas del peor apagón que ha vivido el país en una década. Inicialmente las autoridades brasileñas habían señalado como la causa un fallo en la central hidroeléctrica de Itaipú, en la frontera con Paraguay. Pero la tesis ahora es que el fallo se produjo por el desligamiento de tres líneas eléctricas conectadas con esa central en el que han podido influir los fuertes vientos y lluvias concentradas en la región de Itaberá.
* Latinoamérica requiere una inversión anual de 10.000 millones de dólares en electricidad
Brasil
Brasil
A FONDO
Capital:
Brasilia.
Gobierno:
República Federal.
Población:
191,908,598 (2008)
La noticia en otros webs
* webs en español
* en otros idiomas
Anoche (madrugada de España), un apagón generalizado dejó sin luz a millones de personas en 18 de los 26 Estados brasileños y en el vecino Paraguay. La falla causó un apagón de más de dos horas en las ciudades de Sao Paulo y Río de Janeiro, donde viven más de 30 millones de personas, y según la Administración Nacional de Electricidad dejó a todo Paraguay sin energía durante 30 minutos.
El incidente ha despertado dudas en Brasil acerca de la confiabilidad de su infraestructura energética, por lo que Lula ha convocado a su ministro de Energía, Edison Lobao, a una reunión urgente en Brasilia para que dé las explicaciones. La oposición está acusando al Gobierno de negligencia en el mantenimiento de las líneas de transmisión del país.
Las autoridades, inicialmente habían culpado a Itaipú -una de las centrales eléctricas más grandes del mundo- pero la compañía binacional que la opera ha informado hoy en un comunicado que el problema "se originó en otra parte". Afirma que la central, ubicada en la frontera binacional y que suministra cerca del 20% de la energía que consume Brasil y 90% de Paraguay, había estado funcionando normalmente, pero que no había podido transmitir electricidad porque las líneas eléctricas no estaban funcionando.
Algunos expertos en energía han cuestionado si una tormenta podría causar un apagón de tales proporciones en dos países.
Pero el secretario ejecutivo del Ministerio de Minas y Energía, Marcio Zimmermann, se ha apresurado a descartar hoy versiones de la prensa estadounidense de que la falla se hubiese producido por un "ciberataque".
Horas a oscuras
El apagón se ha producido poco después de las diez de la noche, hora local, y afectó a diversas ciudades de los estados de São Paulo, Río de Janeiro y Minas Gerais, los más populosos del país. La falta de energía afectó también a algunas zonas de los estados de Espíritu Santo y Pernambuco, según el portal de noticias G1, mientras que otros medios hablan de fallas también en el estado de Mato Grosso do Sul.
El Operador Nacional del Sistema Eléctrico (ONS) de Brasil informó de que el fallo provocó la caída de 17.000 megavatios, el equivalente al utilizado en todo el área de São Paulo.
El tráfico en las calles de São Paulo se vio afectado y miles de pasajeros tuvieron que abandonar los vagones de metros que no funcionaban y a caminar en las vías subterráneas para volver a la superficie. La falla interrumpió también el funcionamiento del metro de Río de Janeiro y afectó a los dos aeropuertos de la ciudad, el internacional Antonio Carlos Jobim y el Santos Dumont. Igualmente se produjo un colapso de las líneas telefónicas fijas y celulares. El servicio se restableció totalmente cinco horas después.
"O que eu não entendo"
Belo texto. Falamos e escrevemos muito, mas às vezes o jornalismo não diz nada. Bom proveito.
JAVIER MARÍAS LA ZONA FANTASMA
Que no me entero
JAVIER MARÍAS 08/11/2009
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Leo este periódico a diario, desde su fundación. Además he escrito en él desde 1978, esporádicamente durante muchos años, mensualmente durante unos pocos, semanalmente desde hace casi siete, en este dominical. Es normal que lo que no me gusta de El País me preocupe, no tiene nada de particular. Les sucede a los que son sólo lectores, como demuestran sus Cartas al Director y sus quejas a la Defensora. En los últimos tiempos encuentro cada vez más motivos de preocupación: de tendencia, de estilo, de contenido, de foco o atención. Me fijo en los nombres de quienes firman las noticias, los comentarios, los reportajes, las críticas, las columnas y artículos de opinión. Conozco los de los corresponsales, nacionales e internacionales. Éstos han sido con frecuencia excelentes, y algunos lo siguen siendo. No voy a hablar, sin embargo, de las tendencias ni de los estilos ni de los contenidos ni de los focos o atenciones. Con todo, aún es mucho más lo que me agrada que lo que me desagrada. Y todo ello es subjetivo. Me voy a limitar a señalar un aspecto, el más preocupante de todos y el que más urgiría corregir.
La noticia en otros webs
* webs en español
* en otros idiomas
“Nunca me había sucedido lo que me sucede a menudo últimamente”
Nunca me había sucedido lo que me sucede a menudo últimamente: leo una información intentando enterarme de lo que ocurre en un lugar determinado, o de cómo está la situación de tal conflicto, o de cuáles van a ser los problemas del libro cuando se generalicen el e-book y similares, o de qué va a pasar con la fosa de García Lorca, y no lo consigo. En el mejor de los casos, me quedo como estaba, y en el peor, han aumentado mi ignorancia y mi confusión. Como he perdido muchas cosas, pero aún no mi capacidad intelectiva (o no enteramente), sólo me queda concluir que con frecuencia no se entiende nada de lo que los nuevos redactores (cada vez hay más nombres nuevos que no se asientan, no sé si son becarios que vienen y se van) intentan explicar. A veces se tiene la impresión de que fingen explicar algo que ellos no han comprendido previamente, lo cual hace su tarea imposible, claro está. En el caso de algunos corresponsales extranjeros, uno detecta con facilidad que se han limitado a mal copiar -es decir, a traducir mal- lo que los diarios o televisiones de cada país han dicho, y nada es más incomprensible que una traducción hecha por alguien que conoce mal la lengua de origen y deficientemente la propia. El resultado habitual es que el lector con ciertos conocimientos se ve obligado a llevar a cabo sobre la marcha una "traducción" de la información, esto es, a "deducir" lo que los redactores habrán entendido o habrán querido decir en realidad. Un juego de adivinación, que va contra las reglas más elementales del periodismo. Lo peor es que, como esto no se da sólo en El País, sino también en todos los demás diarios y sobre todo en las radios y televisiones -con la fuerza divulgadora de estas últimas, y lo de TVE es atroz-, nos encontramos con que también quienes no son corresponsales en el extranjero, y por tanto no tendrían en principio de dónde traducir, adoptan las meteduras de pata, las sintaxis ininteligibles y los innumerables falsos amigos que sus colegas propagan. Es llamativa la resistencia mínima que se opone hoy al continuo destrozo de la lengua. (Ojo, mi preocupación no se debe a ningún purismo, sino al creciente peligro de que no nos entendamos más que "retraduciéndonos" los unos a los otros, si cada cual trufa el español con los disparates que se le antojan.)
Sirva como ejemplo modesto la proliferación de falsos amigos, y eso que hay diccionarios para prevenirnos contra ellos. Obviamente, hay redactores de este diario (y por supuesto de otros) que ni los tienen ni los consultan, porque aún no se han enterado de que en inglés "extravagant" nunca significa "extravagante", sino "derrochador" o "despilfarrador"; de que "fastidious" es "puntilloso" o "meticuloso"; de que "dramatic", en bastantes contextos, no es "dramático", sino "espectacular"; de que "bizarre" no equivale a nuestro "bizarro", sino, como en francés, a "extraño" o incluso "estrafalario"; de que "to abuse" es "insultar" o "maltratar" muchas más veces que "abusar"; de que "anxiety" no significa "ansiedad", sino "angustia" (hace poco un crítico de Babelia se congratulaba de que por fin se hubiera traducido "fielmente" el título de una obra que contiene esa palabra, cuando precisamente ahora se ha traducido mal); de que "a stranger" no es "un extraño", sino "un desconocido" o el viejo "forastero" de las películas del Oeste; de que "miserable" quiere decir "desdichado"; de que "to remove" no es "remover", sino "quitar" o "sacar"; de que "ingenuity" e "intoxication" no son lo que parecen, sino "ingenio" y "embriaguez", y así decenas de casos más, que no se dan sólo en el inglés. La mayoría son cosas que los estudiantes de cualquier lengua aprenden en el primer curso. Gente que lleva años o meses viviendo en un país, y que escribe para la prensa, las desconoce y las traduce mal una y mil veces, hasta contagiárselas a quienes jamás han puesto un pie en el país en cuestión. Regalen esos diccionarios a quienes los necesiten en la redacción, por favor. Desearía volver a leer un periódico en el que no tuviera que retraducir a mi lengua las noticias que en él se me dan, y en el que me enterara un poco más.
JAVIER MARÍAS LA ZONA FANTASMA
Que no me entero
JAVIER MARÍAS 08/11/2009
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Leo este periódico a diario, desde su fundación. Además he escrito en él desde 1978, esporádicamente durante muchos años, mensualmente durante unos pocos, semanalmente desde hace casi siete, en este dominical. Es normal que lo que no me gusta de El País me preocupe, no tiene nada de particular. Les sucede a los que son sólo lectores, como demuestran sus Cartas al Director y sus quejas a la Defensora. En los últimos tiempos encuentro cada vez más motivos de preocupación: de tendencia, de estilo, de contenido, de foco o atención. Me fijo en los nombres de quienes firman las noticias, los comentarios, los reportajes, las críticas, las columnas y artículos de opinión. Conozco los de los corresponsales, nacionales e internacionales. Éstos han sido con frecuencia excelentes, y algunos lo siguen siendo. No voy a hablar, sin embargo, de las tendencias ni de los estilos ni de los contenidos ni de los focos o atenciones. Con todo, aún es mucho más lo que me agrada que lo que me desagrada. Y todo ello es subjetivo. Me voy a limitar a señalar un aspecto, el más preocupante de todos y el que más urgiría corregir.
La noticia en otros webs
* webs en español
* en otros idiomas
“Nunca me había sucedido lo que me sucede a menudo últimamente”
Nunca me había sucedido lo que me sucede a menudo últimamente: leo una información intentando enterarme de lo que ocurre en un lugar determinado, o de cómo está la situación de tal conflicto, o de cuáles van a ser los problemas del libro cuando se generalicen el e-book y similares, o de qué va a pasar con la fosa de García Lorca, y no lo consigo. En el mejor de los casos, me quedo como estaba, y en el peor, han aumentado mi ignorancia y mi confusión. Como he perdido muchas cosas, pero aún no mi capacidad intelectiva (o no enteramente), sólo me queda concluir que con frecuencia no se entiende nada de lo que los nuevos redactores (cada vez hay más nombres nuevos que no se asientan, no sé si son becarios que vienen y se van) intentan explicar. A veces se tiene la impresión de que fingen explicar algo que ellos no han comprendido previamente, lo cual hace su tarea imposible, claro está. En el caso de algunos corresponsales extranjeros, uno detecta con facilidad que se han limitado a mal copiar -es decir, a traducir mal- lo que los diarios o televisiones de cada país han dicho, y nada es más incomprensible que una traducción hecha por alguien que conoce mal la lengua de origen y deficientemente la propia. El resultado habitual es que el lector con ciertos conocimientos se ve obligado a llevar a cabo sobre la marcha una "traducción" de la información, esto es, a "deducir" lo que los redactores habrán entendido o habrán querido decir en realidad. Un juego de adivinación, que va contra las reglas más elementales del periodismo. Lo peor es que, como esto no se da sólo en El País, sino también en todos los demás diarios y sobre todo en las radios y televisiones -con la fuerza divulgadora de estas últimas, y lo de TVE es atroz-, nos encontramos con que también quienes no son corresponsales en el extranjero, y por tanto no tendrían en principio de dónde traducir, adoptan las meteduras de pata, las sintaxis ininteligibles y los innumerables falsos amigos que sus colegas propagan. Es llamativa la resistencia mínima que se opone hoy al continuo destrozo de la lengua. (Ojo, mi preocupación no se debe a ningún purismo, sino al creciente peligro de que no nos entendamos más que "retraduciéndonos" los unos a los otros, si cada cual trufa el español con los disparates que se le antojan.)
Sirva como ejemplo modesto la proliferación de falsos amigos, y eso que hay diccionarios para prevenirnos contra ellos. Obviamente, hay redactores de este diario (y por supuesto de otros) que ni los tienen ni los consultan, porque aún no se han enterado de que en inglés "extravagant" nunca significa "extravagante", sino "derrochador" o "despilfarrador"; de que "fastidious" es "puntilloso" o "meticuloso"; de que "dramatic", en bastantes contextos, no es "dramático", sino "espectacular"; de que "bizarre" no equivale a nuestro "bizarro", sino, como en francés, a "extraño" o incluso "estrafalario"; de que "to abuse" es "insultar" o "maltratar" muchas más veces que "abusar"; de que "anxiety" no significa "ansiedad", sino "angustia" (hace poco un crítico de Babelia se congratulaba de que por fin se hubiera traducido "fielmente" el título de una obra que contiene esa palabra, cuando precisamente ahora se ha traducido mal); de que "a stranger" no es "un extraño", sino "un desconocido" o el viejo "forastero" de las películas del Oeste; de que "miserable" quiere decir "desdichado"; de que "to remove" no es "remover", sino "quitar" o "sacar"; de que "ingenuity" e "intoxication" no son lo que parecen, sino "ingenio" y "embriaguez", y así decenas de casos más, que no se dan sólo en el inglés. La mayoría son cosas que los estudiantes de cualquier lengua aprenden en el primer curso. Gente que lleva años o meses viviendo en un país, y que escribe para la prensa, las desconoce y las traduce mal una y mil veces, hasta contagiárselas a quienes jamás han puesto un pie en el país en cuestión. Regalen esos diccionarios a quienes los necesiten en la redacción, por favor. Desearía volver a leer un periódico en el que no tuviera que retraducir a mi lengua las noticias que en él se me dan, y en el que me enterara un poco más.
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