quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Eventos de jornalismo 3


O Comando Militar do Sudeste (CMSE) realizará, neste Quartel-General do Ibirapuera, no período de 20 a 28 de outubro de 2009, o “III ESTÁGIO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL”, constando de um ciclo de palestras e visitas relacionadas com a atividade de Comunicação Social para integrantes dos Grandes Comandos, Grandes Unidades, Unidades da área do CMSE, 8º Distrito Naval , IV Comando Aéreo Regional, Polícias Militar, Federal e Civil de São Paulo que atuam na área de Comunicação Social e também para estudantes das principais Faculdades de Comunicação Social da cidade de São Paulo e do Interior.
O Estágio tem como tema e mensagem principal – “ O Exército na Sociedade: Conhecer, Integrar e Comunicar”.

Eventos de jornalismo 2

3º MEDIA ON - Seminário Internacional de Jornalismo Online
Futuro incerto e a revolução permanente na mídia
Realização
Terra
Itaú Cultural
Curadores
Antonio Prada
Jaime Spitzcovsky
Fernanda Cerávolo
Produtora Executiva
Théa Rodrigues

Apoio
BBC Brasil
CNN
Local
Itaú Cultural
São Paulo – SP

Data
27, 28 e 29 de outubro de 2009
Transmissão em tempo real pelo site www.mediaon.com.br




PROGRAMAÇÃO
1o DIA
27 de outubro
Terça-feira - 19h30 às 21h30
Super Session de abertura:

Como o jornalismo de qualidade pode sobreviver e prosperar na era da Internet
Joshua Benton - Diretor do The Nieman Journalism Lab, Universidade de Harvard
Mediador:
Ricardo Lessa - Globonews
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2o DIA
28 de outubro
Quarta-feira - 9h às 9h30
Welcome Coffee - Credenciamento
Painel 1 – Revolução Digital 1 – O planejamento dos grandes grupos de mídia num universo de mudanças permanentes

Quarta-feira - 9h30 às 11h00
• Avaliação de resultados das grandes empresas de comunicação brasileiras nas plataformas digitais
• A migração das mídias impressa, rádio e TV para as digitais
• Visão estratégica das empresas de comunicação que nasceram antes da internet
Mediador:
Mílton Jung – jornalista da rádio CBN e autor do Blog do Mílton Jung
Debatedores:
Pedro Doria – Editor-chefe de conteúdos digitais do Grupo Estado
Antonio Guerreiro – Gerente de conteúdo R7, Record TV
Fabiana Zanni – Diretora de Mídias Digitais, Grupo Abril

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Painel 2 – Case BBC – Como a BBC conquistou a liderança nas mídias digitais
Quarta-feira - 11h30 às 13h

• A empresa investe pesado e se destaca no uso de plataformas digitais
• O case i-player: o serviço de TV online que publicou mais de 248 milhões de itens de conteúdo desde o seu lançamento e será lançado internacionalmente

Mediador:
Beth Saad – Professora Titular da ECA-USP e diretora de Estratégia da Digital Happenings

Debatedor:
Nathalie Malinarich – World Online Executive Editor, BBC.
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Painel 3 – Case Clarín – A estratégia de um gigante das comunicações na Argentina
Quarta-feira - 15h30 às 17h
• A visão de futuro do conglomerado
• Peculiaridades do mercado argentino e latino-americano
• Novos formatos de negócios e novos produtos
• As novas leis para a mídia
Mediador:
Heidy Vargas – jornalista e professora titular da Faculdade Metodista
Debatedores:
Marcos Foglia – Gerente de Novas Mídias do Clarín Global, Argentina.

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Painel 4 – Jornalismo sem intermediários - twitters e blogs aproximam fonte e consumidor de informação

Quarta-feira - 17h30 às 19h.
• Qual o impacto, no jornalismo, das ferramentas que permitem que as fontes da informação entrem em contato direto com o público?
• Casos de sucesso de uso de blogs e twitter por jornalistas
• O que significa, para a indústria da comunicação, não-jornalistas se tornarem distribuidores de informação?
• Como as empresas lidam com blogs e twitter de seus profissionais
Mediador:
Marion Strecker - Diretora de conteúdo do UOL
Debatedores:

Danilo Gentili – Repórter do CQC, programa de jornalismo e humor da TV Bandeirantes
Altino Machado – Blog da Amazônia, de Terra Magazine
Camilla Menezes – Twitter de Mano Menezes
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3o DIA
29 de outubro
Quinta-feira - 9h às 9h30

Painel 5 – A experiência das empresas que já nasceram com vocação digital
Quinta-feira - 9h30 às 11h
• Viabilidade das empresas de internet
• Diferenças fundamentais de estratégias entre as empresas de comunicação que já nasceram para atuar na Web e as que precisam dela para continuar no negócio
• Mobilidade, o novo paradigma.
• O desafio de cobrar pelo conteúdo e pelo espaço publicitário virtual
Mediador:
Cláudia Vassallo – diretora de redação da revista EXAME, revista EXAME PME e do Portal EXAME
Debatedores:
Fernando Madeira – CEO do Terra Networks Latina America
Pierre Haski – editor-chefe do Rue89.com

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Painel 6 – A informação em tempo real: como as novas tecnologias impactam o consumo de conteúdo

Quinta-feira - 11h30 às 13h
• E o consumidor do futuro: o que ele vai ler, consumir, baixar e jogar na rede?
• O papel do celular e da banda larga 3G
• Como preparar o conteúdo para as novas ferramentas
• A integração entre a TV e o meio digital
Mediador:
Americo Martins – Editor executivo para as Américas - BBC
Debatedores:
Nick Wrenn – Vice Presidente de Serviços Digitais da CNN Internacional
Silvio Meira – Cientista e professor

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Painel 7 – O esporte como paradigma do jornalismo online
Quinta-feira - 15h30 às 17h
• Por que o jornalismo esportivo é um campeão de audiência na Internet
• A experiência das transmissões ao vivo, grandes eventos
Mediador:
Wanderley Nogueira - Apresentador e repórter esportivo da Rádio Jovem Pan-AM
Debatedores:
José Henrique Mariante – Editor de Esporte - Folha de S.Paulo
Luiz Fernando Gomes – Editor-Chefe do Grupo Lance!
Julio Gomes – Editor do ESPN.com.br e do ESPN 360
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Painel 8 – O que um jornalista precisa para se integrar à era das novas mídias
• Como as redes sociais impactam o dia-a-dia do profissional de imprensa e o jornalismo
• Twitter, Facebook, Orkut, youtube: a força das ferramentas no engajamento dos geradores de informação
Mediador:
Carlos Drummond – Jornalista e coordenador do curso de Jornalismo, Facamp
Debatedores:
José Roberto Toledo – Abraji – Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo
Tiago Doria – IG e Concurso CNN de Jornalismo


http://www.mediaon.com.br/#

Eventos de jornalismo 1

30º Prêmio Vladimir Herzog
Com informações do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo
16/10/2008
http://www.obore.com.br/aconteceIntegra.asp?cd=1410

No dia 15 de outubro, quarta-feira, foram divulgados os nomes dos primeiros vencedores do 30º Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Até a semana que vem, os ganhadores de todas as categorias já devem ter sido anunciados. São nove no total (Foto e Artes, Reportagem de TV, Livro-reportagem, Rádio, Jornal Impresso, Revista, Documentário de TV e Internet). Até agora, são conhecidos os vencedores das seguintes categorias: Foto e Artes, Internet e Jornal. Confira a divulgação no endereço do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo.

Os prêmios serão entregues no dia 27 de outubro, a partir das 19 horas no auditório do Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, o Tuca. Este ano, o Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos terá ainda um significado mais especial, pois será entregue na mesma cerimônia o Troféu Especial de Imprensa ONU/ 60 Anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos/Prêmios Vladimir Herzog – uma homenagem da ONU aos cinco jornalistas que mais se destacaram nos últimos anos na cobertura de temas ligados aos direitos humanos (Leia mais em ONU anuncia vencedores do Troféu Especial de Imprensa).

domingo, 13 de setembro de 2009

Urbanismo: Sao Paulo tem jeito?

Sempre me interessei pela organizaçao das cidades. Talvez porque Sao Paulo parece nao ter nenhuma. Tai boa matéria sobre o tema do futuro das metrópoles. abs



São Paulo, sábado, 12 de setembro de 2009

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Cidades em colapso

O arquiteto Christian de Portzamparc, à frente de plano de reurbanização de Paris, diz que metrópoles devem unir mais centro e periferia

Joel Silva - 8.set.09/Folha Imagem


Engarrafamento na marginal Tietê na última terça, em São Paulo

MARIO GIOIA
DA REPORTAGEM LOCAL

Uma cidade flexível, repleta de parques por diversos bairros, transporte fácil e qualidade de vida acessível a todos os habitantes. Essa metrópole ideal, imaginada pelo arquiteto Christian de Portzamparc, é quase uma utopia, frente aos graves problemas enfrentados por locais tão diversos como São Paulo, Paris e Pequim.
"Paris, assim como São Paulo, está à beira do colapso", afirma Portzamparc, 65, o principal arquiteto em atividade na França e ganhador do Prêmio Pritzker (o Nobel da arquitetura), no ano de 1994.
"Quando eu falo na França que Paris vive os mesmos problemas de São Paulo, as pessoas acham que é um exagero, mas não é", diz ele. "As metrópoles são fenômenos novos. Suas dificuldades devem ser enfrentadas de novas maneiras."
À frente de um dos dez escritórios de arquitetura contratados pelo governo Sarkozy para reformular o urbanismo da Grande Paris em um período de 20 a 40 anos, Portzamparc esteve em Brasília na segunda e na terça para participar de seminário internacional sobre as metrópoles.
De lá, pela TV, viu o caos que se abateu sobre São Paulo após temporal, na terça. "É uma situação esperada. Privilegiar grandes vias expressas [como as marginais] e o transporte individual termina por criar coisas desse tipo."
Para Portzamparc, as grandes avenidas criam, pouco a pouco, bairros-enclaves, que não se relacionam com o restante da cidade de forma sustentável. "Em Paris, por exemplo, essa circulação expressa cria setores segregados. Isso cria espaços sem futuro, que vivem unicamente de um tipo de atividade. Uma cidade sustentável tem de ser flexível."
Por isso, o arquiteto observa semelhanças entre as atuais configurações da capital francesa e seus arredores e da Grande São Paulo. "A separação física e social, os problemas gerais de transporte, resultaram, em 1995, na grande onda de violência pela qual passaram Paris e outras cidades francesas. São Paulo não passou por isso, mas também vive um problema grave de circulação."
Pequim, que o urbanista visitou recentemente, também está optando por um modelo errado, segundo ele.
"É uma loucura, eles têm seis ou sete autoestradas periféricas e não investem nada em transporte público. Por que não? Porque todas as indústrias automobilísticas estão lá e vão investir em décadas de crescimento do mercado automobilístico na China, uma coisa imensa."

Soluções
O conceito de cidade flexível proposto por Portzamparc para Paris reinventa uma antiga ideia sua, a de quadra aberta, junto de grandes intervenções sobre o tecido urbano da capital e seus arredores.
O plano cria "arquipélagos" verdes, parques espalhados por diversas regiões e espaços ociosos de linhas férreas.
Transporte coletivo é outro foco do programa, com a construção de um monotrilho (espécie de metrô) sobre o atual anel periférico da Grande Paris, além de outras linhas para integrar todas as cidades.
"Falo em quadras abertas há 20 anos, cujo centro é a rua, uma invenção extraordinária. Temos de revalorizar a rua, que é a verdadeira organização espacial de democracia, onde pobres e ricos andam lado a lado."

Brasil
Fascinado pela arquitetura brasileira feita por nomes como Oscar Niemeyer e Affonso Eduardo Reidy (1909-1964, que projetou o MAM Rio), "a melhor do mundo quando a estudava na adolescência, nos anos 60", Portzamparc diz que espera que seu projeto no Rio, a Cidade da Música, seja concluído no final do ano que vem.
"Seria uma coisa desastrosa se não a finalizassem. Existem detalhes de acústica muito específicos que devem ser seguidos. O público de um concerto da Orquestra Sinfônica Brasileira e da Osesp, por exemplo, merece receber um bom som."

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Comunidades falsificadas

Bom texto, o próprio entusiasta vê os dois lados da comunicação globalizada.
abs.
Edson

São Paulo, domingo, 23 de agosto de 2009


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+Sociedade


Filósofo espanhol diz que a utopia de democracia direta e igualdade total na internet é mentirosa e ameaça minar as práticas de representação e participação políticas reais

RENATO ESSENFELDER
DA REDAÇÃO

Com a emergência de gigantescas redes sociais virtuais, como o Facebook, a internet configura a sua utopia máxima: todos somos iguais. E, se somos todos iguais, não precisamos mais de eleições, pois não precisamos ser representados. Todos nos representamos no espaço democrático da internet.
O raciocínio é tentador, mas, para o filósofo espanhol Jesús Martín-Barbero, é mentiroso -e temerário. "Nunca fomos nem seremos iguais", ele diz, e na vida cotidiana continuaremos dependendo de mediações para dar conta da complexidade do mundo, seja a mediação de partidos políticos ou a de associações de cidadãos.
Martín-Barbero vê a internet como um dos fatores de desestabilização do mundo hoje, que não pode ser pensado por disciplinas estanques. Mundo, aliás, tomado pela incerteza e pelo medo, que nos faz sonhar com a relação não mediada das comunidades pré-modernas. O filósofo conversou com a Folha durante visita a São Paulo, na semana passada.




FOLHA - Desde 1987, quando o sr. lançou sua obra de maior repercussão ["Dos Meios às Mediações", ed. UFRJ], até hoje, o que mudou na comunicação e nas ciências sociais?
JESÚS MARTÍN-BARBERO - Estamos em um momento de pensar o conceito de conhecimento como certeza e incerteza. A incerteza intelectual dos modernos se vê hoje atravessada por outra sensação: o medo. A sociedade vive uma espécie de volta ao medo dos pré-modernos, que era o medo da natureza, da insegurança, de uma tormenta, um terremoto. Agora vivemos em uma espécie de mundo que nos atemoriza e desconcerta.
O medo vem, por exemplo, da ecologia: o que vai acontecer com o planeta, o nível do mar vai subir? A natureza voltou a ser um problema hoje, como aos pré-modernos. Depois vem o tema da violência urbana, a insegurança urbana. Por toda cidade que passo, de 20 mil a 20 milhões de habitantes, há esse medo.
Como terceira insegurança, que nos afeta cada vez mais, aparece a vida laboral. Do mundo do trabalho, que foi a grande instituição moderna que deu segurança às pessoas, vamos para um mundo em que o sistema necessita cada vez menos de mão de obra. O mundo do trabalho se desconfigurou como mundo de produção do sentido da vida.

FOLHA - Nesse mundo de incertezas, como se comporta a noção de comunidade? Como ela aparece em redes virtuais como o Facebook?
MARTÍN-BARBERO - Acho que ainda não temos palavras para nomear esse fenômeno. Falamos em rede social, mas o que significa social aí? Apenas uma rede de muita gente. Não necessariamente em sociedade. Há diferenças entre o que foi a comunidade pré-moderna e o que foi o conceito de sociedade moderna.
A comunidade era orgânica, havia muitas ligações entre os seus membros, religiosas, laborais. Renato Ortiz [sociólogo e professor na Universidade Estadual de Campinas] faz uma crítica muito bem feita a um livro famoso de [Benedict] Anderson, que diz que a nação é como uma comunidade imaginada ["Comunidades Imaginadas", ed. Companhia das Letras], principalmente por jornais e a literatura nacional.
É verdade, são fundamentais para a criação da ideia de nação. Mas Renato Ortiz diz que há muito de verdade e muito de mentira nisso. O que acontece é que, quando a sociedade moderna se viu realmente configurada pelo Estado, pela burocracia do Estado, começou a sonhar novamente com a comunidade. Era uma comunidade imaginada no sentido de querer ter algo de comunidade, e não só de sociedade anônima.
Falar de comunidade para falar da nação moderna é complicado, porque se romperam todos os laços da comunidade pré-moderna. Eu diria que há aí um ponto importante, considerando que no conceito de comunidade há sempre a tentação de devolver-nos a uma certa relação não mediada, presencial. Essa é um pouco a utopia da internet.

FOLHA - Qual utopia?
MARTÍN-BARBERO - A utopia da internet é que já não necessitamos ser representados, a democracia é de todos, somos todos iguais. Mentira. Nunca fomos nem somos nem seremos iguais. E portanto a democracia de todos é mentira. Seguimos necessitando de mediações de representação das diferentes dimensões da vida. Precisamos de partidos políticos ou de uma associação de pais em um colégio, por exemplo.

FOLHA - As comunidades virtuais da atualidade têm pouco das comunidades originais, então?
MARTÍN-BARBERO - Quando começamos a falar de comunidades de leitores, de espectadores de novela, estamos falando de algo que é certo. Uma comunidade formada por gente que gosta do mesmo em um mesmo momento. Se a energia elétrica acaba, toda essa gente cai.
É uma comunidade invisível, mas é real, tão real que é sondável, podemos pesquisá-la e ver como é heterogênea. Comunidade não é homogeneidade. Nesse sentido é muito difícil proibir o uso da expressão "comunidade" para o Facebook. Mas o que me ocorre ao usarmos o termo "comunidade" para esses sites é que nunca a sociedade moderna foi tão distinta da comunidade originária.
O sentido do que entendemos por sociedade mudou. Veja os vizinhos, que eram uma forma de sobrevivência da velha comunidade na sociedade moderna. Hoje, nos apartamentos, ninguém sabe nada do outro. Outra chave: o parentesco. A família extensa sumiu. Hoje, uma família é um casal. O que temos chamado de sociedade está mudando. Estamos numa situação em que o velho morreu e o novo não tem figura ainda, que é a ideia de crise de [Antonio] Gramsci.

FOLHA - A proposta de sites como o Facebook não é exatamente de fazer essa reaproximação?
MARTÍN-BARBERO - Creio que há pessoas no Facebook que, pela primeira vez em suas vidas, se sentem em sociedade. É uma questão importante, mas não podemos esquecer da maneira como nos relacionamos com o Facebook.
Um inglês que passa boa parte de sua vida só, em um pub, com sua grande cerveja, desfruta muito desse modo de vida. Nós, latinos, desfrutamos mais estando juntos.
Evidentemente a relação com o Facebook é distinta. O site é real, mas a maneira como nos relacionamos, como o usamos, é muito distinta. O Facebook não nos iguala. Nos põe em contato, mas nada mais.

FOLHA - De que maneira essas questões devem transformar os meios de comunicação?
MARTÍN-BARBERO - Não sei para onde vamos, mas em muito poucos anos a televisão não terá nada a ver com o que temos hoje. A televisão por programação horária é herdeira do rádio, que foi o primeiro meio que começou a nos organizar a vida cotidiana. Na Idade Média, o campanário era que dizia qual era a hora de levantar, de comer, de trabalhar, de dormir. A rádio foi isso.
A rádio nos foi pautando a vida cotidiana. O noticiário, a radionovela, os espaços de publicidade... Essa relação que os meios tiveram com a vida cotidiana, organizada em função do tempo, a manhã, a tarde, a noite, o fim de semana, as férias, isso vai acabar. Teremos uma oferta de conteúdos. A internet vai reconfigurar a TV imitadora da rádio, a rádio imitadora da imprensa escrita... Creio que vamos para uma mudança muito profunda, porque o que entra em crise é o papel de organização da temporalidade.

FOLHA - A ascensão da internet e da oferta de informação por conteúdos suscita outra questão, ligada à formação do cidadão. Não corremos o risco de que um fã de séries de TV, por exemplo, só busque notícias sobre o tema, alienando-se do que acontece em seu país?
MARTÍN-BARBERO - Antigamente, todos líamos, escutávamos e víamos o mesmo. Isso para mim era muito importante. De certa forma, obrigava que os ricos se informassem do que gostavam os pobres -sempre defendi isso como um aspecto de formação de nação.
Quando lançaram os primeiros aparelhos de gravação de vídeo, disseram-me que isso era uma libertação: as pessoas poderiam selecionar conteúdos.
Mas esse debate já não é possível hoje. Passamos para um entorno comunicativo, as mudanças não são pontuais como antes. A questão não é se eu abro ou não abro o correio. Não quero ser catastrofista, mas o tanto que a internet nos permite ver é proporcional ao tanto que sou visto. Em quanto mais páginas entro, mais gente me vê. É outra relação.
Temos acesso a tantas coisas e tantas línguas que já não sabemos o que queremos. Hoje há tanta informação que é muito difícil saber o que é importante. Mas o problema para mim não é o que vão fazer os meios, mas o que fará o sistema educacional para formar pessoas com capacidade de serem interlocutoras desse entorno; não de um jornal, uma rádio, uma TV, mas desse entorno de informação em que tudo está mesclado. Há muitas coisas a repensar radicalmente.