terça-feira, 23 de junho de 2009

Ambientes virtuais: blogs e emprego 2

São Paulo, segunda-feira, 19 de janeiro de 2009


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Entenda o que significa "blog content"
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Para entender melhor por que uma empresa pagaria pelo conteúdo de um blog pessoal, vale dizer que o principal motivo é que é um ótimo negócio.
Imagine o seguinte: você tem um blog sobre um assunto que ama, como carros, e pesquisa e escreve com frequência sobre o tema. Além disso, tem uma vasta rede de contatos que lotam seus comentários, é mencionado em outros blogs e participa ativamente de comunidades. Pronto, você é popular e já tem um "ramo" na blogsfera.
Agora, se uma montadora quer fazer um blog para se aproximar do consumidor final, ela pode contratar uma agência, que vai contratar um jornalista especializado e, depois, vai divulgar o site para que ele tenha visibilidade. Que pode dar certo, ou não.
Mas, se o seu blog já tem leitores cativos, basta que eles te chamem, você põe um link no seu blog no estilo "mudei de endereço e agora estou escrevendo no site tal" e está feito.
Isso é chamado "blog content" e já existem até pessoas cuidando especificamente disso dentro de agências. Sim, porque é muito vantajoso: a empresa que quer fazer a ação e a agência já sabem como é o seu texto, que seu blog já tem leitores, que você tem moral na web e que já tem material para saber se quer associar a marca a você.
Além de evitar surpresas, contratar blogueiros é opção econômica. Como a maioria escreve sobre uma paixão, quando surge alguém querendo pagar pelos textos que já seriam publicados, qualquer valor parece vantajoso. Muitas vezes escrever para uma empresa significa ter novas regras, como não criticar ninguém e não falar sobre sexo, por exemplo. Por isso pense bem se a grana vale sua liberdade perdida. (MF)

Ambientes virtuais: blogs e emprego

São Paulo, segunda-feira, 19 de janeiro de 2009


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carreira

Blogs obrigatórios
Empresas de comunicação passam a considerar os diários pessoais on-line um fator decisivo na hora de contratar tanto já formados quanto estagiários

Eduardo Anizelli/ Folha Imagem

Lia se deu bem por causa de seu blog

MARINA FUENTES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Aquela ideia de que blogs são espaços democráticos onde cada um escreve o que bem entende está cada vez mais distante. As ferramentas de publicação não só são analisadas durante um processo de seleção para estágio ou trabalho como também são obrigatórias. Pelo menos quando se trata do mercado de comunicação, literatura e arte.
Claudia Royo, 22, estudou jornalismo mas quer mesmo é trabalhar com moda. Ela participou de entrevistas para trabalhar em uma agência de conteúdo e foi surpreendida quando recebeu a ligação de volta. "Você vai ter que criar um blog", disse a profissional que ia contratá-la. Claudia seria chamada como integrante de um projeto de "blog content" (leia ao lado) para cobrir a São Paulo Fashion Week. Um dos patrocinadores do evento teria um site reunindo posts de vários blogueiros convidados que comentariam bastidores e desfiles -e receberiam por isso.
Mesmo com o projeto não vingando -a empresa não ia mais patrocinar a SPFW-, Claudia resolveu continuar com a missão de criar um blog. "Percebi como seria importante para conseguir outras oportunidades como essa", disse ela.
E é verdade, já que o caso de Claudia foi exceção. Atualmente agências contatam cada vez mais estagiários através de seus blogs. Jeff Paiva, diretor de social media da Agência Click, explica por que a ferramenta é fundamental na contratação: "Você já consegue avaliar o texto da pessoa, como ela desenvolve ideias, de quais temas ela gosta e como ela reage a algumas situações, como a críticas e a ataques nos comentários", conta ele, que diz que o blog é uma mistura de currículo com dinâmica de grupo. "A pessoa mostra como realmente é."
Para Paula Guedes, coordenadora de conteúdo da agência de mídia interativa Garage, a existência de um blog ajuda na primeira triagem de candidatos a um estágio. "Dá para avaliar se ele escreve bem e como transita no meio de que gosta. Além disso, blogueiros são pesquisadores de novas ferramentas."
Além de mostrar interesses, criatividade e um bom português, os blogs também revelam nomes que muitas vezes têm uma enorme popularidade na blogsfera. Foi assim com Lia Camargo, 25, que se formou em produção editorial e conseguiu vários trabalhos pelo seu blog (www.justlia.com.br).
"Criei há nove anos, para falar de assuntos de meninas, e ele começou a fazer bastante sucesso", conta. Mas Lia foi esperta na divulgação: criou páginas em todas as ferramentas de comunidades, todas com link para o blog. Em uma delas, a Game TV, criou um blog só de games. "Os editores do site viram um blog customizado de uma menina falando sobre games e me chamaram para trabalhar lá. Fiquei um ano."
Com um blog fazendo o papel de currículo e de experiência de trabalho, muita gente que nunca trabalhou oficialmente é considerada especialista. É o caso do gaúcho Julio Câmara, 15, que há dois anos criou um blog de variedades que, aos poucos, foi se especializando em tecnologia. Quando viu que tinha muitos leitores, resolveu criar o TecnoZilla (http://tecnozilla.info).
"Minha idéia nem era transformar o blog em trabalho, mas sou fissurado em tecnologia e fui ganhando fama na blogsfera, era chamado para podcasts, mencionado em outros blogs..."
O TecnoZilla chamou a atenção de agências. Mas, quando foi chamado para cobrir uma feira de tecnologia, Julio bateu de frente com uma dificuldade: a idade. "Não poderiam contratar menor de 18 anos", lamenta ele, que agora é blogueiro da Insite (blog.insite.com.br), no qual dá dicas para criar blogs.
Ainda mais novo, Gabriel Naressi, 12, criou no ano passado o blog de humor mundotosco.com.br. "Como o acesso estava aumentando muito, comprei um domínio, fiz um template e parcerias com outros sites para troca de banners", conta. Recentemente, Gabriel foi incluído por uma agencia em uma lista de blogueiros com potencial para escrever publieditoriais (textos pagos sobre uma marca ou um produto específico) em seu blog. Ainda não foi escalado, mas sabe do potencial que tem: "Dá para viver disso", espera.

Até onde vai o câncer da Dilma?

Em uma palestra na PUC, um cidadão perguntou ao editor da Veja se esta daria capa para alguma doença do Serra. Olimpicamente, o jornalista disse sim. SÉRÁ?!?!

São Paulo, domingo, 24 de maio de 2009


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GILBERTO DIMENSTEIN



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Ela provavelmente vai ser, na política, o exemplo de resiliência que Ronaldo se tornou, até aqui, no futebol
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NO DIA 2 de janeiro de 1996, uma tarde chuvosa, um caminhão matou o pai, a mãe e o único irmão da jornalista Lina de Albuquerque. Sua dor acabou numa curiosidade sobre pessoas que aprendem a recomeçar a vida. A curiosidade se transformou agora no relato de 26 pessoas, entre anônimos e famosos, que contam como superaram o que, por um tempo, parecia insuperável.
A leitura das histórias do livro "Recomeços", lançado por Lina, dá uma pista sobre o que espera a ministra Dilma Rousseff caso ela consiga superar o câncer e manter sua candidatura à Presidência.
Ela provavelmente vai ser, na política, o exemplo de resiliência que Ronaldo se tornou, até aqui, no futebol, e João Carlos Martins, na música -o apreço por seres resilientes (resiliência é a propriedade física de os materiais voltarem ao estado natural depois de um choque) é tão forte na opinião pública que erros cometidos no passado são esquecidos.






No livro, com 26 histórias de vida, Lily Marinho fala sobre a morte de um filho e de um casamento com uma velha paixão -o jornalista Roberto Marinho, então com 88 anos. Bárbara Paz conta como ficou desfigurada por causa de um acidente que deixou marcas profundas em seu rosto e cortou sua trajetória de modelo. Lucinha Araújo revela sua estratégia para lidar com a morte de Cazuza, seu filho.
Paulo Borges, o inventor da São Paulo Fashion Week, mostra como recomeçou ao adotar uma criança -e todas as dificuldades em torno dessa adoção. Rita Cadillac, a ex-chacrete, dá detalhes sobre como, depois de uma série de desilusões amorosas, se casou com um homem bem mais jovem, amigo de seu filho.
Não são relatos de autoajuda nem desabafos. Ninguém está reclamando de nada, sentindo-se vítima nem se vangloriando de coragem ou de ser uma fortaleza. Apenas contam sobre recomeços.
Impossível não sentir a afinidade com os personagens, da sofisticada e cosmopolita Lily Marinho à debochada Rita Cadillac -e aqui entra, involuntariamente, Dilma e seu projeto presidencial.





O que me levou ao livro é minha convicção de que as escolas deveriam trabalhar com seus alunos exemplos de resiliência, como antídoto ao clima de "tanto faz" que se dissemina entre boa parte das crianças e adolescentes de classe média e alta -é a geração sem limites.
A leitura imediatamente, porém, me remeteu a Dilma, vendo-a como mais um daqueles personagens com uma história para contar.
Há pudores sobre tratar abertamente o câncer e a candidatura da ministra, que, na semana passada, viu seu nome passar dos 20% de preferência do eleitor, segundo pesquisas ainda reservadas.
Mas o fato é o seguinte: se o câncer for derrotado (o que é uma possibilidade razoável, segundo especialistas), a ministra ganha uma extraordinária vantagem eleitoral. Nenhuma doença é, hoje, mais acompanhada no Brasil, gerando uma empatia coletiva.
Até agora, ela vem se comportando com elegância e dignidade -o que lhe atrai simpatias além de questões políticas e partidárias.
De certa forma, ela se equipara a Lula. Se Lula se aproveitou da imagem de que veio da miséria e soube superá-la, Dilma será cercada pela auréola heroica de que soube recomeçar. É algo que, eleitoralmente, tem muito mais apelo do que a imagem da fria técnica que conduz um plano de investimentos -um plano, aliás, que está mais no palanque do que nas ruas.





Não estou dizendo aqui que Dilma vai montar uma estratégia de marketing tirando proveito da desgraça. Nem precisa. Não haverá um único dia sem que sua doença não seja exposta e analisada, entre as idas e vindas ao hospital, além do acompanhamento de sua agenda.
Talvez num país mais racional, menos emotivo, a maioria das pessoas avaliasse que seria um risco eleger alguém que teve uma doença tão grave. Mas o Brasil é um país emotivo. Ela será apresentada como alguém que, apesar de tudo, não parou de trabalhar pelo país.
Isso somado ao fato de ser mulher e, especialmente, ter o apoio de alguém hábil em manipular as emoções como Lula, que, como sabemos, soube recomeçar várias vezes -e soube também fazer marketing desses recomeços.





PS - Coloquei no meu site (www.dimenstein.com.br) trechos de algumas histórias de vida do livro "Recomeços". Aliás, impagável a frase com que Rita Cadillac termina seu depoimento: "Quando eu morrer, quero ser enterrada de bruços". É uma brincadeira com Rita Lee, que, certa vez, disse que a ex-chacrete era a "única bunda pensante do Brasil".

Lula lá 2 (é nóis no Twitter, companheiro)

São Paulo, domingo, 31 de maio de 2009


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Exposição de Lula extrapola mídia oficial
Além de programa de rádio, petista vai estrear coluna em jornal popular e Presidência terá blog, canal no YouTube e Twitter

Nelson Breve, secretário de imprensa da Presidência, diz que a exposição maior de Lula "ocorre devido aos resultados do governo"

LETÍCIA SANDER
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Nunca antes o país teve um presidente tão midiático quanto Luiz Inácio Lula da Silva. De quando chegou ao poder até hoje, Lula fez crescer sua exposição pública, sustentada no aumento dos canais de comunicação do governo e em sua disposição de aparecer mais.
O leque foi ampliado para além dos veículos que tradicionalmente faziam a divulgação oficial das atividades do Planalto em gestões anteriores, como Radiobras, NBR, programas de rádio e TVs educativas.
Nos próximos meses, Lula estreará uma coluna em jornais populares. A internet trouxe outras novidades: em breve, a Presidência inaugurará um blog, um canal no YouTube e vai aderir ao Twitter.
Aos moldes do que já existia na gestão anterior, o governo Lula criou o "Café com o Presidente", programa semanal de rádio inaugurado em novembro de 2003 e hoje disponível para 1.300 emissoras. Ele foi seguido do "Bom Dia Ministro", que levou 31 integrantes do primeiro escalão ao ar em 2008, com a participação de 173 rádios ao vivo.
Há ainda o "Em Questão", boletim de atos do governo cuja versão eletrônica é enviada a cerca de 425 mil e-mails cadastrados. A tiragem da versão impressa é de mil exemplares.
Ao custo previsto de R$ 15 milhões neste ano, o Planalto dispõe de empresa para "vender" o Brasil no exterior. Mediante a reserva de outros R$ 5 milhões, foi contratada outra empresa para fazer pesquisas para orientar as ações do governo. Em 2007, surgiu a TV Brasil, rede pública de televisão.
Tal exposição coincide com o fato de pesquisas indicarem Lula como o governante mais bem avaliado até hoje. Em novembro de 2008, sua aprovação chegou a 70% -recorde desde que o Datafolha começou a fazer a avaliação, em 1990.
"A exposição maior do presidente é fator importante para que ele mantenha sua popularidade. Mas isso ocorre devido aos resultados do governo", diz o secretário de imprensa da Presidência, Nelson Breve.
Em 2005, Lula se afastou da imprensa após denúncias do mensalão. Recuperada a estabilidade do governo, houve orientação do presidente para que fosse trabalhada uma "distensão". Isso culminou com a chegada de Franklin Martins à Comunicação Social. Entre as incumbências do jornalista, segundo um colega, estaria a de deixar Lula mais disponível.
A Presidência contabiliza que, em 2008, o presidente concedeu, em média, três entrevistas por semana. Naquele ano, foram 182 (incluindo exclusivas, coletivas e por escrito), superando as 157 de 2007 e as 92 de 2006. Só de janeiro a abril de 2009, Lula já superou o total de entrevistas concedidas em 2006, um ano eleitoral.
"Duvido de que haja um chefe de Estado no mundo que converse mais com a imprensa do Lula. E ele faz isso, fundamentalmente, pelos meios de comunicação [privados]", diz Franklin. Ele refuta qualquer ligação entre exposição do presidente e objetivos eleitoreiros. "Há quatro anos, se reclamava de que ele falava pouco. Agora reclamam que ele fala muito?"
A secretaria de imprensa da Presidência tem 88 servidores -25 jornalistas. O Planalto diz que a estrutura é similar à da gestão anterior. Só houve reforço, de 3 para 5 funcionários, nas equipes que atendem imprensa regional e internacional.
Para Eduardo Graeff, ex-secretário-geral da Presidência na gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que teve uma passagem pela secretaria de comunicação no fim no governo tucano, "é bem marcante" o fato de Lula ter mais exposição do que tinha FHC.
"Acho que é uma opção dele, e uma aptidão que ele tem para se expor. E, talvez ao fato de que ele não se envolva nas questões da administração da mesma forma que o FHC."

Sorri mas continua sendo patrão

São Paulo, domingo, 24 de maio de 2009


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Diálogo entre Maisa e Silvio Santos
[Maisa para Sílvio Santos] "Silvio, (...) uma pergunta que meus amigos fazem: é verdade que você vai ao cabeleireiro e [coloca] um tipo de uma peruca?"
[Silvio Santos] "Você tem alguma coisa a ver com o meu cabelo?" [...] "Maisa, fiquei vendo seu programa quando você começou a sua carreira... Você era muito ruim, feia, desajeitada. A roupa era feia, o cabelo era feio. Você agora é toda bonita, toda simpática, sorridente, inteligente. É só insubordinada, o resto melhorou muito. O que você espera fazer daqui a dois ou três anos, quando o público não der mais bola para você? Porque agora você agrada o público, você é uma menininha de seis anos que responde como gente grande. Mas daqui a uns quatro anos, quando você tiver dez anos e já for uma mocinha, você acha que o público vai gostar de você?



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Transcrição de diálogo entre Maisa e Silvio Santos ocorrido durante o Programa Silvio Santos, no SBT, em 16 novembro de 2008.

NA CASA DO PATRÃO

São Paulo, domingo, 24 de maio de 2009


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APRESENTADORA QUE ALAVANCA A AUDIÊNCIA DO PROGRAMA DE SILVIO SANTOS AO FUNDIR ESPONTANEIDADE E HUMILHAÇÃO, A MENINA MAISA REVELA A DUPLA FACE DA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA

CYRUS AFSHAR
DA REDAÇÃO

Ela acaba de completar sete anos, mas já tem mais de três anos de experiência profissional, e seu trabalho já é conhecido em todo o país.
Maisa comanda um programa no SBT e, aos domingos, é protagonista de um quadro em que conversa longamente com ninguém menos que seu patrão, Silvio Santos, e ajuda a alavancar a audiência do restante da programação. Mas, nas duas últimas semanas, o quadro dominical foi palco de cenas ao vivo de gritos e choros da criança.
"A questão é saber quando acaba o lúdico e o adorável e começa a perversão e a monstruosidade dessa situação-mídia", provoca Ivana Bentes, professora do programa de pós-graduação da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Na entrevista concedida à Folha, por e-mail, Bentes explica alguns dos mecanismos de funcionamento da apropriação da imagem de novas celebridades, o comportamento do público e a importância da internet para o processo de espetacularização.




PERGUNTA - O que está acontecendo com a menina Maisa é um caso de exploração midiática?
IVANA BENTES - "Exploração midiática" é quase uma redundância. A expropriação/apropriação é base de funcionamento do próprio regime midiático em que nós, telespectadores, somos a matéria-prima em diferentes sentidos.
Na busca de criar fatos midiáticos incessantemente, capturar nossa atenção e comprar nosso tempo, a televisão convoca, explora e mobiliza nossos afetos, nossa atenção.
O espectador é o primeiro "explorado" pela publicidade, pela ficção, pelas "atrações". Somos nós que emprestamos nosso tempo, nossa subjetividade e nosso imaginário para criar valor na TV.
Ou seja, o que a mídia vende/explora não é a publicidade -somos nós mesmos.
E, para isso, precisa minimamente que essa audiência se conecte, se deixe afetar por um personagem, uma situação, que crie hábitos e possa voltar -criando um sentimento de pertencimento a uma "comunidade imaginada". Aí se chega a Maisa, a menina-prodígio do SBT, a "menina-monstro" como definiu ironicamente, mas com precisão, o "Pânico na TV".
A garota é realmente adorável e "monstruosa" ao mesmo tempo. Tem a dupla face da mídia atual, que incorpora e utiliza o mais "espontâneo", o íntimo, a gafe, o erro, o choro e todo tipo de assujeitamento e humilhação como matéria altamente valorizada. Isso sem abandonar a celebração do visível, da formalidade e da encenação.
Não é à toa que os vídeos de Maisa estão no YouTube anunciem "pérolas de Maisa", gafes de Maisa, micos de Maisa, choro de Maisa, tropeços etc. A questão é saber onde acaba o lúdico e o adorável e começa a perversão e a monstruosidade dessa situação-mídia.
Não se trata de julgar nem de moralizar "este" caso, num momento em que o valor de "exposição" da vida, da intimidade, da subjetividade na TV, na internet ou em qualquer outra mídia é um valor em si.
A visibilidade é um bem altamente valorizado e disputado -"naturalizado". É preciso justamente desnaturalizar esse novo regime midiático que não para de testar os limites do tolerável e do aceitável.

PERGUNTA - Nesse contexto (de exploração midiática), qual é o papel da mãe? E o do apresentador?
BENTES - Não é difícil entender o seu nível de satisfação/excitação do pai e da mãe da menina (satisfação simbólica e real, com sua galinha dos ovos de ouro mirim). E o apresentador/dono da emissora cumpre o mesmo papel de outros homens de negócio de TVs abertas que vendem "produtos" tão ou mais discutíveis e monstruosos: homofobia, intolerância religiosa, espetáculos de descarrego e expulsão de demônios dos corpos, preconceito racial, condenações morais, denuncismo, criminalização da pobreza e dos pobres e toda uma pauta conservadora e moralista.
A questão que importa é saber qual o papel da "comunidade" de telespectadores e da sociedade diante desse quadro.

PERGUNTA - Como tem sido e como deveria ser o tratamento dado pela mídia neste caso?
BENTES - A televisão não tem programa de debate e de discussão do seu próprio conteúdo. A TV não dá direito de resposta, o que é escandaloso. Confunde audiência com legitimidade social e qualidade. Daí que não vi na mídia (com raras exceções, como a coluna de Bia Abramo do dia 17/5, na Folha) nenhuma discussão sobre os limites e constrangimentos de colocar uma criança de seis anos no horário nobre de domingo falando de "pum", gases, bunda, meleca.
E, ao mesmo tempo, tendo que responder sobre assuntos extremamente complexos, como outras celebridades televisivas, profissões, afetos, casamento, Deus e infidelidade. E sempre constrangida por Silvio Santos até o limite do embaraço, do choro ou da mudez com reprimendas, ameaças, provocações.

PERGUNTA - Pessoas antes quase desconhecidas são alçadas rapidamente à condição de celebridades por conta dos milhões de acessos, casos da escocesa Susan Boyle, de Cris Nicolotti e de Maisa. Qual a importância hoje da internet no processo de criação das celebridades?
BENTES - "Celebridade" talvez seja um nome antigo (coisa do século passado, de mídias "modernas", como cinema e TV) para descrever os processos da visibilidade contemporânea. A internet e o YouTube criaram um novo público, pós-televisivo, um consumidor-produtor superativo, que clica tudo e que vê tudo -sem dúvida é uma nova força.
O YouTube é genial porque é o esgoto público das imagens, onde é possível experimentar o que há de mais potente e monstruoso (no sentido positivo e negativo dos excessos e das exceções) na multidão de usuários, sem mediação. Sem o "patrão", como Silvio Santos se apresenta para a menina Maisa no SBT, num dos quadros.

PERGUNTA - Quando procuramos vídeos da artista mirim no YouTube, o site remete a entradas como "Maisa chorando", "Maisa chora" e "Maisa peidando", a partir das buscas mais realizadas. Os fãs sentem prazer em ver celebridades em situações constrangedoras?
BENTES - Trata-se de um fenômeno bem mais amplo e disseminado de midiatizacão, comercialização da intimidade e da "visibilidade". A partir do momento em que ruiu a barreira entre intimidade e publicidade, em que se esgarçou o limite entre público e privado, o que poderia ser constrangedor? Maisa chorando, Daniela Ciccarelli transando na praia, a cabeça de Saddam Hussein rolando, os exames de saúde da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, em jornais assistidos por milhares de pessoas? Exibir a intimidade vem deixando de ser um constrangimento para se tornar um "valor". A intimidade na era da sua visibilidade máxima e as tecnologias de exibição de si são uma característica geral e uma exigência do capitalismo contemporâneo.

PERGUNTA - O caso da construção da ex-atriz Shirley Temple é paradigmático para entender a situação atual deste caso? BENTES - Bem, o visual da apresentadora mirim do SBT parece inspirado nos vestidinhos de babados e cabelos cacheados da mais famosa menina-prodígio de Hollywood.
Mas é preciso lembrar que Shirley Temple é um produto da máquina fordista hollywoodiana, dos anos 1930 e 1940, de um capitalismo disciplinar e disciplinador em que a ideia de "infância" e "criança" ainda estava bem delimitada e definida.
Hoje, quando foram desenvolvidos produtos midiáticos para crianças de zero a um ano -como os Teletubbies, que aceleram os processos cognitivos enquanto ensinam a criança a desejar e a consumir-, a comparação com Shirley Temple talvez não seja apropriada.
Pois o capitalismo contemporâneo tem necessidade de incluir e modular todos, desde o ano zero e mesmo antes do nascimento.
O aprendizado se faz pela mídia -com o fim dos tempos "mortos" da infância, de ócio e lazer, em nome de uma hiperprodutividade infantil- e por adestramento precoce, cujo modelo visível Maisa encarna.
O assustador é que a subjetividade-Maisa é o modelo de criança e de infância em via de se universalizar.
São muitos os indícios: o assédio e crescimento da publicidade infantil, sem controle no Brasil; a invasão de bichinhos e desenhos animados em anúncios de cerveja, carros, criando uma sensibilidade precoce e formando consumidores futuros, a erotização do universo infantil dissociada, mais tarde, do abuso sexual por adultos e da violência contra crianças.
Enfim, a garota-prodígio do SBT aponta para antigas questões e novos limites, em torno da intimidade, da visibilidade, da infância.
Nesse sentido é uma menina-modelo, exemplar de uma série de transformações.

Lula lá (na mídia do interior)

São Paulo, domingo, 31 de maio de 2009


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Propaganda de Lula chega a 5.297 veículos
Com PT no Planalto, o número de meios de comunicação que recebem verbas de publicidade federal aumentou 961%

Ao tomar posse, comerciais do petista atingiam 21 TVs e 270 rádios; no fim de 2008 já havia 297 TVs e 2.597 rádios veiculando anúncios oficiais

Sérgio Lima/Folha Imagem

Lula fotografa jornalistas no Planatlo; publicidade do governo chega a 1.149 municípios

FERNANDO RODRIGUES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Os comerciais do Palácio do Planalto atingiram no ano passado 5.297 veículos de comunicação no país. O número representa uma alta de 961% sobre os 499 meios que recebiam dinheiro para divulgar propaganda do governo de Luiz Inácio Lula da Silva em 2003, quando o petista tomou posse.
Esse padrão de pulverização na publicidade é incomum na iniciativa privada. Segundo dados do Ibope Monitor, a Fiat anunciou em 206 meios de comunicação diferentes no ano passado. O banco Itaú, em 176. Trata-se de uma pesquisa por amostragem, mas mesmo com um desvio de 1.000% o número de veículos nos quais essas duas empresas anunciam não se aproximaria dos 5.297 escolhidos pelo governo federal.
A regionalização da propaganda federal é parte de uma estratégia de marketing do governo. Presidente mais bem avaliado no atual ciclo democrático, Lula viu sua alta popularidade se consolidar numa curva quase paralela ao avanço da distribuição de seus comerciais pelo interior do país.
"O fato de ter ampliado a presença do presidente na mídia regional pode ter ajudado [a elevar a popularidade do governo]", admite Ottoni Fernandes, subchefe-executivo da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, que está sob o comando do ministro-chefe da Secom, Franklin Martins.

Mudança de estratégia
Diferentemente dos antecessores, Lula regionalizou radicalmente a distribuição de verbas de publicidade. Não houve um aumento expressivo no valor gasto, mas uma mudança de estratégia. Grandes veículos de alcance nacional passaram a receber um pouco menos. A diferença foi para pequenas rádios e jornais no interior.
O orçamento total consumido em mídia por Lula e pelo tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), seu antecessor, oscilou sempre na faixa de R$ 900 milhões a R$ 1,2 bilhão por ano -sem contar patrocínios e outros custos relacionados à produção de comerciais.
No caso das verbas apenas para a Presidência, só há dados disponíveis a partir de 2003. Antes a propaganda presidencial era feita de maneira dispersa pelos vários organismos da estrutura federal. Lula gasta anualmente um pouco acima de R$ 100 milhões com comerciais idealizados pelas agências que servem ao Planalto.
A diferença em relação ao governo anterior é a distribuição das propagandas por muitos meios de comunicação de pequeno porte. Logo depois de tomar posse, os comerciais do petista atingiam, por exemplo, apenas 270 rádios e 21 TVs. No final do ano passado, já eram 2.597 emissoras de rádio e 297 TVs recebendo dinheiro do Planalto para divulgar mensagens da administração federal.
Não se trata de publicidade de utilidade pública. Campanhas de vacinação ou sobre matrículas escolares continuam sendo executadas pelos ministérios. A propaganda produzida pelo Planalto é sobre ações de interesse político-administrativo -como divulgar a lista de obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) ou o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida.
Às vezes o governo também atua como animador da população. No final do ano passado, uma campanha nacional foi veiculada para que os brasileiros não interrompessem o consumo por receio dos efeitos da crise econômica internacional.
"O presidente Lula, se eu pudesse escolher, deveria ser o profissional de comunicação do ano. Ele reduziu, no gogó, a tensão da população, da classe C ascendente. O presidente é ótimo em comunicação integrada. A regionalização da mídia é uma parte. Já existia antes de a crise chegar e ajudou", diz Mauro Montorin, publicitário da agência 141, uma das responsáveis pela conta da Presidência da República.
A capilaridade dos comerciais de Lula pode ser também mensurada pelo número de cidades brasileiras nas quais há propaganda do Palácio do Planalto. Em 2003, eram 182 municípios atingidos. Agora, são 1.149 -uma alta de 531%.
"A mídia regional é mais ligada às comunidades e tem mais credibilidade localmente (...) Partimos para uma política de atender a mídia regional, com mais entrevistas do presidente. Há uma mania no Brasil de achar que a mídia é só em São Paulo e no Rio", diz Ottoni Fernandes, subchefe da Secom.
A diretriz geral é dada pelo ministro Franklin Martins: "A imprensa regional está crescendo no Brasil. O objetivo do governo é se comunicar com a população e esses veículos do interior atingem uma parcela relevante da população".

Rádios e jornais
Em 2003, havia 5.772 rádios no Brasil, de acordo com o Ministério das Comunicações. Hoje, são 8.307 emissoras, incluindo as 3.685 chamadas "rádios comunitárias", cujo alcance do sinal é limitado.
No meio jornal, quando Lula tomou posse, existiam 2.684 títulos no país, segundo a Associação Nacional de Jornais; em 2006, último dado disponível, já eram 3.076 veículos.
Uma das razões para a iniciativa privada não anunciar na maioria desses veículos é a falta de mecanismos para auditar a penetração da mensagem e aferir a eficácia do comercial. Poucos jornais no país têm tiragem comprovada pelo IVC (Instituto Verificador de Circulação). Essa entidade só inspeciona 118 dos mais de 3.000 títulos.
O governo afirma exigir comprovação de impressão por parte do pequenos jornais antes de fazer o pagamento. No caso das rádios, diz Ottoni Fernandes, "há cadastro com todas as emissoras em cidades com mais de 50 mil habitantes", que precisam emitir faturas e dar alguma prova de veiculação do comercial. Essa é uma exigência do TCU (Tribunal de Contas da União), que foi consultado ao longo do processo de regionalização para aprovar os métodos do Planalto.

GESTOS QUE FALAM

São Paulo, domingo, 10 de maio de 2009


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Gestos devem condizer com o currículo e com a entrevista
Movimentos causam desconfiança quando não são embasados em conteúdo

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A linguagem corporal é importante, mas não convencerá cliente, chefe ou entrevistador se for apenas um teatro sem conteúdo. É preciso ter conhecimento do tema abordado e do público espectador.
"O assunto [da reunião] tem de ser relevante para quem está ouvindo", afirma o gerente de relacionamento Sérgio Ribeiro da Cruz, da Medical Systems.
Sem consciência do que se fala, a encenação é percebida, e a discordância entre gestos e discurso causa desconfiança.
"Numa entrevista [para emprego] de uma ou duas horas, o candidato que estiver atuando não conseguirá manter isso por muito tempo", ressalta Margareth Mendes, gerente de recursos humanos do Grupo Linx, especializado em soluções tecnológicas para empresas de varejo e atacado.

Cautela
É importante que os gestos sejam condizentes com personalidade e experiência. "A chave é o autoconhecimento. Isso se traduz nos gestos", diz Solange Iara de Souza Teixeira, da consultoria em RH Dimensão.
Numa entrevista de emprego, por exemplo, ter consciência de suas limitações, assim como de seu potencial, dá ao candidato a segurança para enfrentar o desafio. Isso transparece na linguagem corporal, analisa Teixeira.
Apesar dos manuais e glossários de linguagem corporal, é preciso cautela para não levar sinais não verbais sempre ao pé da letra. Eles podem virar armadilhas se não forem analisados junto com outros fatores.
Em uma entrevista para emprego, gerentes e consultores de recursos humanos levam a postura e o gestual em conta, mas como parte de uma avaliação mais geral.
"É preciso aliá-las à parte verbal, ao currículo e à entrevista", alerta Teixeira.
A consultora acrescenta que o correto é falar em "possíveis interpretações de sinais". Uma atitude que, às vezes, é entendida como indicação de mentira, como encolher os braços e as pernas, na tentativa de se retrair, pode significar apenas que o candidato é tímido.
"É impossível atribuir o mesmo significado de um gesto para muitas pessoas", acrescenta Gilberto Cury, presidente da SBPNL.
Cruzar os braços, por exemplo, em geral é traduzido como um gesto defensivo ou de discórdia. Mas, aponta Cury, durante uma palestra, essa ação pode simplesmente ser parte do esforço que a pessoa faz para ouvir com mais atenção.

Leituras múltiplas
A escritora Judi James dá a essa atitude diversos significados. Enquanto cruzar os braços em um autoabraço pode significar insegurança, uma pessoa descontraída, mas atenta, pode fazê-lo de maneira uniforme, sem pressionar o corpo.
Cruzar as pernas e ficar balançando o pé geralmente é sinal de ansiedade. "[Mas, às vezes,] a pessoa tem muita energia e não consegue ficar uma ou duas horas só falando. Pode ser um tique, que ela faz mesmo quando está assistindo à TV", pondera Margareth Mendes, do Grupo Linx.

CORPO QUE FALA

São Paulo, domingo, 10 de maio de 2009


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Análise de reações corporais é útil em ambiente de trabalho
Linguagem não verbal pode mostrar desconforto ou satisfação do interlocutor em reuniões e entrevistas

CHIAKI KAREN TADA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Um mero erguer de sobrancelhas ou um enrugar dos lábios significam mais do que uma ação involuntária. Podem demonstrar se o interlocutor gosta ou não do que está ouvindo -informação útil em situações profissionais.
Mais da metade do impacto das mensagens vem dos sinais não verbais, afirma a especialista em comportamento social e comunicação Judi James no livro "Linguagem Corporal no Trabalho - Como Usar os Sinais Não-Verbais para Alavancar Sua Carreira", da editora Best Seller (336 págs., R$ 34,90).
Parecer interessado na conversa e evitar gestos que indiquem desconforto, diz James, ajuda quem quer se projetar no trabalho, pois transmite segurança e atenção (veja quadros baseados no livro de James nesta e na próxima páginas).
Boa parte dos gestos é inconsciente -quem rói a unha de nervosismo ou tamborila os dedos porque quer terminar a conversa faz isso sem perceber.

Empatia
De forma sutil, a linguagem do corpo ajuda a perceber se o colega está distraído. E os outros também notam se o profissional está confiante ou se quer se esconder debaixo da mesa.
Esse tipo de conhecimento atrai quem precisa lidar com clientes e equipes internas, criando empatia com eles para que a conversa possa fluir.
Sérgio Ribeiro da Cruz, 32, gerente de relacionamento da Medical Systems (soluções em tecnologia da informação para a área de diagnósticos médicos), resolveu estudar técnicas para melhorar fala e expressão depois de perceber, durante uma apresentação, que havia pessoas desatentas.
Em um curso feito no Instituto Cláudio Ayabe, aprendeu, junto com técnicas para melhorar a fala, que era preciso olhar nos olhos dos espectadores, movimentar as mãos sem ser espalhafatoso e andar pelo palco, "[mas] sem parecer uma bolinha de pingue-pongue".
Ele pratica a comunicação não verbal também com colegas e superiores. "Se falo algo que merece um sorriso como resposta, é um bom sinal."
A empresária Marie Claire Bijoux, 32, que trabalha com produtos de inox para cozinha, foi atrás de dicas para melhorar a comunicação nos negócios e fez um curso na SBPNL (Sociedade Brasileira de Programação Neurolínguística).
Além de reparar no tom de voz, atenta no movimento dos olhos, na postura e nos gestos do interlocutor, para se ajustar. "Abrir uma negociação [com o cliente] é o principal."
Para que o profissional obtenha melhoras na sua linguagem corporal, Judi James sugere que a pessoa realize uma autoavaliação -desde o jeito do corpo até a expressão do rosto quando não está fazendo nada.
A partir dessas mensagens, sugere a autora, ele pode trabalhar a imagem que quer passar.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Jovens mas não inocentes

Bom texto, apesar de duro com os jovens e outros grupos que pretendem o melhor , através dos meios que acreditam ser corretos.
abs!
Edson

São Paulo, segunda-feira, 22 de junho de 2009


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LUIZ FELIPE PONDÉ

Antígona

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Movimentos estudantis aderiram ao fascismo moderno, perseguindo colegas e professores
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"QUANDO NASCI, minha mãe deu à luz gêmeos: eu e meu irmão, o medo". Hobbes teria dito isso. Sofro deste sentimento. Tenho muitos medos. Um deles é bem moderno: o medo de não ter os preconceitos corretos. Quais seriam estes? Ora, repito o óbvio: contra o cristianismo, contra brancos heterossexuais, contra os EUA.
Assim como normalmente a "perua" é a mulher de saia curta que não é nossa amiga, "reacionários" são os que ousam discordar das nossas tiranias de estimação.
Às vezes me pergunto: afinal de contas, por que supor que se você for negro você será essencialmente mais justo? Ou se você for homossexual, você será essencialmente mais democrático? Por que travestis ou transexuais merecem ter silicone e cirurgias "de graça", enquanto diabéticos e pacientes renais morrem em filas?
Perguntas que não devem ser feitas à mesa de "pessoas de bem" no teatro ridículo da democracia contemporânea. Um bom exemplo é o culto ao "jovem". Por que supor que movimentos de jovens são sempre "coisas do bem"?
O "jovem" não é propriamente uma invenção do século 20. Quando pensamos em "jovens", temos em mente os jovens protestando nas ruas nos anos 60: hippies contra a guerra do Vietnã nos EUA, parisienses armando "barricadas do desejo" em maio de 68. Tanto num caso como no outro, ao final, todos voltaram pra casa, pedindo mesada ou procurando emprego. E por quê? Porque deixaram de ter 18 anos, tiveram filhos e contas a pagar. Mas esta não é toda a história, há mais do que isso, e esta história começa bem antes desses "espetáculos", que nos legaram calças jeans e sexo livre, supostamente de maior qualidade.
O que é esse "jovem"? Figura originariamente romântica (século 19), o "jovem" nasce da ideia falsa de que exista um "gênio" específico no jovem (pessoas de mais ou menos 15 a 25 anos) que o diferencie moralmente e politicamente do resto da humanidade. Não acho que pessoas de 15 a 25 anos tenham nenhuma reserva moral ou política: são capazes de agir de má fé como todo mundo.
Seu comportamento não guarda nenhuma evidência de boa qualidade em si, podem cometer atos de opressão e manipulação como qualquer outra pessoa.
Não acredito no "jovem". A forma mais certa de trairmos os mais jovens é deixá-los crer no "jovem". Outra forma é tomar suas ideias e movimentos políticos e sociais como sinônimos evidentes "de um mundo melhor". Seja como for, estes movimentos não são necessariamente defensores da liberdade.
Exemplos banais de como movimentos estudantis oprimem seus colegas e manipulam opiniões e esmagam diferenças enchem as páginas da paisagem histórica.
Ainda no século 19, o escritor russo Turguêniev, em seu livro "Pais e Filhos", imortalizou a imagem do jovem arrogante e cruel em seu estudante Bazarov, exemplo do jovem niilista russo, capaz de destruir tudo em nome de seu autoritarismo libertário e científico -ainda que Bazarov, ao final, tenha o destino comum de muitos homens, o de ser derrotado pelo amor não correspondido de uma mulher.
Sabemos que movimentos estudantis aderiram aos fascismos modernos, perseguindo colegas e professores nas universidades europeias em nome da "nova saúde política". Assim sendo, pergunto: por que devemos aceitar que exista uma "razão da idade" que faz alguém mais confiável só porque nasceu em 1990? A culpa, na maioria das vezes, é de seus professores (quando não dos pais que aderem a desculpas "da ciência da psicologia" para sua preguiça), muitas vezes pessoas amargas, orgulhosas e um tanto decadentes, que de dentro da sala de aula recriam um mundo à luz de suas pequenas manias teóricas.
Alguns dizem por aí que devemos "reformar a educação"; eu acho que a educação não funciona mesmo, por isso que a moda da "nova educação" sempre pega. Às vezes, milagres (gotas de consciência) ocorrem a partir da leitura de um livro ou da fala de um colega ou de uma professora, e normalmente estes milagres revisitam eternos dramas, por exemplo, o de Caim e Abel (a velha inveja) ou o de Antígona e Creonte (devemos ouvir a voz da consciência ou sucumbir ao medo da lei da polis?).
Sei que posso ser acusado de anti-intelectualista. Que assim o seja.
Prefiro me ver como aquilo que se chamava de "um homem de letras", pequeno herdeiro de uma grande tradição que reúne a Bíblia e os gregos como seus ancestrais, que tudo deve a eles, e que pouco ou nada sabe além deles.

ponde.folha@uol.com.br