Justiça proíbe Maisa de se apresentar no Programa Silvio Santos
O SBT está proibido de ter a menina Maisa Silva no quadro "Pergunte pra Maisa", do Programa Silvio Santos. A decisão foi tomada nesta sexta-feira (22) pela Justiça de Osasco (SP) e já vale a partir deste domingo.
Roberto Nemanins/ SBT / Divulgação
http://natelinha.uol.com.br/imagens/foto.gif Veja fotos de Maisa no SBT
Maisa participa do programa Silvio Santos com uma autorização "salvo conduto", que foi cassado pela juíza Ana Helena Rodrigues Mellim. Já o pedido de cassação foi feito pela promotora da Infância e da Juventude de Osasco, Susana Müller.
A petição foi provocada pelos dois incidentes ocorridos no Programa Silvio Santos. A promotora Susana Müller diz que a exibição constante de Maisa no programa fere o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Procurada pela reportagem do NaTelinha, a assessoria do SBT diz que acatará a decisão da justiça e não exibirá o quadro "Pergunte para Maisa" neste domingo.
Quanto ao programa Sábado Animado, também apresentado por Maisa Silva, a justiça não se pronunciou.
Ministério Público pede fitas e cópia do contrato de Maisa
O Ministério Público Federal enviou um ofício à emissora requerendo as fitas do Programa Silvio Santos para uma averiguação mais profunda e uma cópia do contrato da garota, que comemora hoje 7 anos. O SBT terá 5 dias para se manifestar sobre o assunto e atender ao pedido do órgão.
RELEMBRE OS CASOS
No domingo (10) a menina participava do quadro, quando Silvio Santos chamou um garoto de nome Daniel, convidado que se apresentaria com o rosto maquiado como monstro.
Silvio então chamou o monstro e ao vê-lo, Maisa começou a chorar e correu pelo palco tentando achar uma saída. Como o microfone estava ligado, os telespectadores puderam ouvir os gritos de pavor da garotinha.
No último domingo (17) a situação foi pior. Além de relembrar o fato do domingo anterior, o que levou a menina novamente a chorar, Maisa ainda bateu com a cabeça em uma câmera e desabou em lágrimas. Alegando dor, pediu para ir embora e chamou diversas vezes pela mãe, que estava nos bastidores do programa.
sábado, 23 de maio de 2009
sexta-feira, 22 de maio de 2009
MPF cobra Ministério das Comunicações sobre Maisa no SBT Publicidade
22/05/2009 - 17h25
MPF cobra Ministério das Comunicações sobre Maisa no SBT
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da Folha Online
O Ministério Público Federal informou nesta sexta-feira por meio de comunicado que deseja saber do Ministério das Comunicações se o órgão tomará providências quanto às denúncias de exposição inadequada da menina Maisa Silva, 7.
Movimento na internet pede "libertação" da menina Maisa
Menina Maisa bate a cabeça e volta a chorar em programa
Apresentadora chora ao ver "monstro" no "Programa Silvio Santos"
Divulgação
Ministério Público Federal quer saber posição do Ministério das Comunicações sobre denúncias de constrangimento contra menina
Ministério Público Federal quer saber posição do Ministério das Comunicações sobre denúncias de constrangimento contra menina
A apresentadora mirim do SBT participa aos domingos de um quadro no "Programa Silvio Santos". A medida, segundo a nota, é realizada dentro do inquérito civil público para investigar a exposição da menina no quadro.
Você acha que Maisa passa por constrangimentos na TV? Vote
O procurador Regional dos Direitos do Cidadão em exercício, Pedro Antonio de Oliveira Machado, enviou ofício ao Ministério das Comunicações para saber se o órgão tomará alguma providência. O prazo para a resposta são cinco dias úteis depois do recebimento.
Reprodução
Maisa Silva completa sete anos nesta sexta-feira; menina chorou em duas edições do "Programa Silvio Santos", no SBT
Maisa Silva completa sete anos nesta sexta-feira; menina chorou em duas edições do "Programa Silvio Santos", no SBT
O MPF investiga se a aparição da menina em duas edições do programa não observou o direito à liberdade e o respeito à dignidade do ser humano em desenvolvimento, garantidos pela Constituição e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
No ofício, o procurador pede que a análise do Ministério das Comunicações de alguns artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente.
Machado também enviou ofício ao Ministério da Justiça para saber quais medidas o órgão irá adotar em relação ao caso. Em uma nota divulgada nesta semana, o MPF informou que advertiu o SBT.
Leia mais
* Movimento na internet pede "libertação" da menina Maisa
* Ministério Público dá 5 dias para SBT se manifestar sobre Maisa
* Menina Maisa não faz ideia do que está acontecendo, diz especialista
* Menina Maisa bate a cabeça e volta a chorar em programa
MPF cobra Ministério das Comunicações sobre Maisa no SBT
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da Folha Online
O Ministério Público Federal informou nesta sexta-feira por meio de comunicado que deseja saber do Ministério das Comunicações se o órgão tomará providências quanto às denúncias de exposição inadequada da menina Maisa Silva, 7.
Movimento na internet pede "libertação" da menina Maisa
Menina Maisa bate a cabeça e volta a chorar em programa
Apresentadora chora ao ver "monstro" no "Programa Silvio Santos"
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Ministério Público Federal quer saber posição do Ministério das Comunicações sobre denúncias de constrangimento contra menina
Ministério Público Federal quer saber posição do Ministério das Comunicações sobre denúncias de constrangimento contra menina
A apresentadora mirim do SBT participa aos domingos de um quadro no "Programa Silvio Santos". A medida, segundo a nota, é realizada dentro do inquérito civil público para investigar a exposição da menina no quadro.
Você acha que Maisa passa por constrangimentos na TV? Vote
O procurador Regional dos Direitos do Cidadão em exercício, Pedro Antonio de Oliveira Machado, enviou ofício ao Ministério das Comunicações para saber se o órgão tomará alguma providência. O prazo para a resposta são cinco dias úteis depois do recebimento.
Reprodução
Maisa Silva completa sete anos nesta sexta-feira; menina chorou em duas edições do "Programa Silvio Santos", no SBT
Maisa Silva completa sete anos nesta sexta-feira; menina chorou em duas edições do "Programa Silvio Santos", no SBT
O MPF investiga se a aparição da menina em duas edições do programa não observou o direito à liberdade e o respeito à dignidade do ser humano em desenvolvimento, garantidos pela Constituição e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
No ofício, o procurador pede que a análise do Ministério das Comunicações de alguns artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente.
Machado também enviou ofício ao Ministério da Justiça para saber quais medidas o órgão irá adotar em relação ao caso. Em uma nota divulgada nesta semana, o MPF informou que advertiu o SBT.
Leia mais
* Movimento na internet pede "libertação" da menina Maisa
* Ministério Público dá 5 dias para SBT se manifestar sobre Maisa
* Menina Maisa não faz ideia do que está acontecendo, diz especialista
* Menina Maisa bate a cabeça e volta a chorar em programa
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Menina Maisa não faz ideia do que está acontecendo, diz especialista


20/05/2009 - 13h09
PAULA CARVALHO
Colaboração para a Folha Online
Depois de chorar por dois domingos seguidos no "Programa Silvio Santos", a menina Maisa Silva voltou a ocupar o noticiário pela forma como o apresentador Silvio Santos a trata no vídeo. Ela completa sete anos nesta sexta-feira.
Para a psicóloga infantil Thais Guimarães, limites não foram impostos à garota.
No dia 12 de abril, Maisa puxou a peruca de Silvio Santos no ar e, há três semanas, disse que ele dormia no formol. A apresentadora mirim também é conhecida por ridicularizar os telespectadores do infantil "Sábado Animado".
Divulgação
A apresentadora mirim Maisa, que completa sete anos nesta sexta-feira; especialistas acreditam que há negligência por parte dos pais
"A menina abusa e o Silvio Santos abusa de volta", explica Guimarães. "Há uma escalada de agressão e todo mundo vê e bate palma. Não é colocado limite a Maisa porque o público quer ver o circo pegar fogo."
O Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Paulo está estudando tirar do ar o quadro "Pergunte para Maisa".
Segundo Guimarães, essa medida é apenas paliativa. "Acho que muita coisa precisa ser feita. Não adianta só tirar do ar. A Maisa não faz ideia do que está acontecendo."
Já o psicólogo Yves de La Taille, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), vai mais longe e diz que a pequena Maisa "não tem autonomia e tem de satisfazer a vontade de dinheiro e glória dos pais".
Os dois psicólogos concordam que há negligência por parte dos pais. "Os pais são os primeiros e os últimos a responder, porque não colocam limites", afirmou Guimarães.
"É um absurdo o que os pais e o apresentador fazem com a criança. A posição de Maisa no vídeo é um lugar que só os adultos poderiam ocupar. A criança precisa ter intimidade e ser preservada. É bem típico da sociedade do espetáculo, em que a criança é vista hoje como um consumidor", analisa de La Taille.
Roberto Nemanis/SBT/Divulgação
Menina Maisa e Silvio Santos apresentam um quadro no program dele aos domingos
Para de La Taille, todo mundo é culpado: os pais, o apresentador e o público "entregue a Silvio Santos. É mais subserviência e reverência à celebridade do que uma relação de crueldade".
Armação?
A colunista da Folha Bia Abramo voltou a escrever sobre Maisa no domingo (17), criticando o tratamento dispensado à menina no programa do dia 10 de maio.
Ao ver o episódio do último fim de semana, Abramo disse que "fazia tempo que não via nada tão horrível".
"A relação de Silvio Santos com a menina é muito perversa. Diante da espontaneidade da garota, forçam-na a tomar atitudes adultas, que parecem precoces, tratando-a no nível da brutalidade", afirmou a jornalista.
"Ela está todo dia na TV, só com adultos. Ela é completamente induzida. Isso é espontâneo ou é armação? Se ela estiver encenando, é quase pior ainda. Não é um contrato com uma atriz. Se foi algo mais ou menos ensaiado, ela está sendo induzida a violentar suas emoções pessoais", continuou.
Segundo a colunista, Silvio Santos sabe que a exposição de uma criança prodígio na televisão fascina o público.
"Ele é um mestre em inventar necessidades do público. Na verdade, se cria a necessidade de se ver isso o tempo todo. Quem tem o poder no mundo do entretenimento não deve satisfazer a todos os instintos bestiais."
Além disso, ela ressalta que Maisa é objeto de inveja e ódio por parte do público. "Ela está na TV, ganha dinheiro, está sempre bem vestida, é íntima do Silvio Santos, algo que muitas pessoas veem como privilégio."
O SBT não quis se pronunciar sobre o assunto.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Há Direitos do Menor e Adolescente na TV?
Que ótimo texto sobre as bizarrices com Maisinha. Ai, patrão, quem te segura?
Mandem-me o link desse vídeo, senhores, por favor!
abs!
São Paulo, domingo, 17 de maio de 2009
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BIA ABRAMO
A menina, o monstro e o medo
--------------------------------------------------------------------------------
As cenas e os diálogos entre Silvio Santos e Maisa se sucedem, nessa toada grotesca
--------------------------------------------------------------------------------
FOI NO ÚLTIMO domingo, dia em que Maisa, em vez de descansar do seu sábado tão animado, contracena com Silvio Santos. Ela chama o patrão de lado e tenta fazer um pedido. Ele replica: "Você está com medo?"; "Alguém te bateu?". Ela fica paralisada, faz bico, começa a chorar. SS, então, chama um menino, pouca coisa maior do que a "pequena petiz". O menino, um certo Daniel, está com uma maquiagem de "monstro", assustadora -pelo menos para Maisa, que sai correndo, apavorada.
O rapazinho entra sorrindo, mas, ao ouvir a menina gritando, tem um momento sincero de apreensão -as câmeras, espertas, não deixaram de registrar seu rosto franzido. Mas em seguida o patrão o chama à fala e é hora de sorrir de novo. SS tripudia: "Ela é muito engraçada!"; "Essa Maisa não tem mais jeito", enquanto a menina grita histérica ("Não quero!!"), sai correndo do palco.
Intervalo comercial, em que o SBT agradece "o seu carinho". SS volta, dizendo que a menina é medrosa ("Não falei que ela era medrosa?").
Depois, as colegas de trabalho, instadas por SS, berram: "Amarelou! Amarelou!". Ele a chama de volta ("Ela foi embora e não quer voltar (...). Ela vai ganhar sem trabalhar?").
Ela volta, ovacionada pela plateia, que, logo em seguida, reage com um "oh" expressivo de fofice, quando SS pega a menina no colo: "Tadinha, vem cá, meu amor". Dura pouco: na frase seguinte, ele está chamando Maisa de "cagona".
A menina faz que não percebe -ou não percebe mesmo- e continua ali, de vestidinho de festa e sapatinhos de verniz, cachos emoldurando o rosto de sorriso banguela, a perfeita menina-prodígio. Ela elogia a novela da patroa, SS replica: "Não puxa o saco da minha mulher". Ela tenta explicar por que a escola que frequenta reforçou a segurança para afastar os paparazzi e define "processo" ("Quando alguém faz alguma coisa de que você não gosta; você pode processar"), SS pergunta se ela vai processá-lo por ter chamado o menino-monstro ("Você não queria, você pode me processar?"). Diante do patrão, a coragem, claro, some: "Não".
As cenas e os diálogos se sucedem, nessa toada grotesca. Para lembrar, grotesco, conforme o Houaiss, é o que "se presta ao riso ou à repulsa por seu aspecto inverossímil, bizarro, estapafúrdio ou caricato".
Está no YouTube para quem quiser ver, na versão reduzida do confronto entre menina e menino-monstro ou os mais de 22 minutos entre menina e monstro-patrão. Isso foi só um domingo. Hoje, numa TV perto de você, tem mais.
biabramo.tv@uol.com.br
Mandem-me o link desse vídeo, senhores, por favor!
abs!
São Paulo, domingo, 17 de maio de 2009
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BIA ABRAMO
A menina, o monstro e o medo
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As cenas e os diálogos entre Silvio Santos e Maisa se sucedem, nessa toada grotesca
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FOI NO ÚLTIMO domingo, dia em que Maisa, em vez de descansar do seu sábado tão animado, contracena com Silvio Santos. Ela chama o patrão de lado e tenta fazer um pedido. Ele replica: "Você está com medo?"; "Alguém te bateu?". Ela fica paralisada, faz bico, começa a chorar. SS, então, chama um menino, pouca coisa maior do que a "pequena petiz". O menino, um certo Daniel, está com uma maquiagem de "monstro", assustadora -pelo menos para Maisa, que sai correndo, apavorada.
O rapazinho entra sorrindo, mas, ao ouvir a menina gritando, tem um momento sincero de apreensão -as câmeras, espertas, não deixaram de registrar seu rosto franzido. Mas em seguida o patrão o chama à fala e é hora de sorrir de novo. SS tripudia: "Ela é muito engraçada!"; "Essa Maisa não tem mais jeito", enquanto a menina grita histérica ("Não quero!!"), sai correndo do palco.
Intervalo comercial, em que o SBT agradece "o seu carinho". SS volta, dizendo que a menina é medrosa ("Não falei que ela era medrosa?").
Depois, as colegas de trabalho, instadas por SS, berram: "Amarelou! Amarelou!". Ele a chama de volta ("Ela foi embora e não quer voltar (...). Ela vai ganhar sem trabalhar?").
Ela volta, ovacionada pela plateia, que, logo em seguida, reage com um "oh" expressivo de fofice, quando SS pega a menina no colo: "Tadinha, vem cá, meu amor". Dura pouco: na frase seguinte, ele está chamando Maisa de "cagona".
A menina faz que não percebe -ou não percebe mesmo- e continua ali, de vestidinho de festa e sapatinhos de verniz, cachos emoldurando o rosto de sorriso banguela, a perfeita menina-prodígio. Ela elogia a novela da patroa, SS replica: "Não puxa o saco da minha mulher". Ela tenta explicar por que a escola que frequenta reforçou a segurança para afastar os paparazzi e define "processo" ("Quando alguém faz alguma coisa de que você não gosta; você pode processar"), SS pergunta se ela vai processá-lo por ter chamado o menino-monstro ("Você não queria, você pode me processar?"). Diante do patrão, a coragem, claro, some: "Não".
As cenas e os diálogos se sucedem, nessa toada grotesca. Para lembrar, grotesco, conforme o Houaiss, é o que "se presta ao riso ou à repulsa por seu aspecto inverossímil, bizarro, estapafúrdio ou caricato".
Está no YouTube para quem quiser ver, na versão reduzida do confronto entre menina e menino-monstro ou os mais de 22 minutos entre menina e monstro-patrão. Isso foi só um domingo. Hoje, numa TV perto de você, tem mais.
biabramo.tv@uol.com.br
Ciber resistência à censura e controle na França
São Paulo, domingo, 17 de maio de 2009
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Franceses lançam ciber-resistência a lei
Norma pretende banir da internet acusados de download ilegal; indústria comemora, mas especialistas preveem efeito pífio
Parlamento Europeu aprova lei contra medida francesa, mas precisa de sanção do Conselho de Ministros; blogs ensinam a burlá-la
HÉLIO SCHWARTSMAN
DA REDAÇÃO
Internautas franceses preparam um movimento de ciber-resistência à nova lei de proteção de direitos autorais que pretende banir da internet quem for acusado de fazer downloads ilegais.
Um dos blogs mais ativos nesta empreitada, o linuxma nua.blogspot.com, lançou o "plano de resistência ABCDE FUCK", que ensina internautas a burlar os mecanismos de vigilância e os incentiva a infernizar a vida da futura polícia cibernética, a Hadopi, prevista na Lei de Criação e Internet (LCI), aprovada pelo Legislativo na quarta-feira passada.
A nova norma obriga os provedores de internet a fornecer a identidade de quem baixar da rede material protegido por "copyright". Os usuários apanhados receberão advertências, a primeira por e-mail, a segunda por meio de carta registrada. Se não se emendarem, poderão ser banidos por até um ano da internet. Um pormenor vem causando especial irritação: o internauta excomungado estará obrigado a seguir pagando pelos serviços de acesso.
A medida é polêmica em vários planos. Para começar, ela é juridicamente discutível, pois cria uma pena -o banimento- a ser aplicada por autoridade administrativa, e não judicial.
O Parlamento Europeu aprovou na semana passada emenda a uma lei de telecomunicações que especificamente proíbe governos nacionais de impedir o acesso de cidadãos à internet sem ordem judicial. A emenda ainda precisa passar pelo Conselho de Ministros.
Também se discute a questão processual. Como a LCI fala em controlar "atos suscetíveis de constituir infração" a direitos autorais, e não "atos que constituam infração", fala-se em inversão do ônus da prova. Do jeito que está, dizem os adversários da norma, caberia ao internauta acusado provar que não fez o download e não à ciberpolícia demonstrar o ilícito -como seria de esperar pelo princípio de presunção da inocência, que figura na Constituição francesa há 200 anos.
Mas não são questões jurídicas as que mais animam o debate. Os opositores da lei falam em liberticídio e fim da privacidade. Acusam o presidente Nicolas Sarkozy de ter bancado a iniciativa só para agradar à sua mulher, a cantora Carla Bruni.
As indústrias fonográfica e cinematográfica comemoram a aprovação da LCI, que ainda precisa passar pelo Conselho Constitucional, como mais uma de uma série de vitórias.
No mês passado, a Justiça sueca condenou os responsáveis pelo site Pirate Bay, que permitia a troca de arquivos de música, a um ano de prisão (com sursis) e a pagar indenizações no valor de 30 milhões de coroas (R$ 7,7 milhões).
No próximo dia 20 é a vez de o site holandês Mininova ir a julgamento. Representantes da indústria querem obrigar o site a filtrar material protegido por direitos autorais.
É muito provável, entretanto, que essas sejam vitórias de Pirro. Pierre Kosciusko-Morizet, que representa a associação dos provedores de internet da França, acredita que a LCI terá efeitos antipirataria pífios.
Internautas poderão recorrer a sites que fornecem acesso anônimo à rede. Banidos poderão refazer a assinatura em nome de parentes.
Não são poucos os que acreditam que a batalha da indústria contra os downloads já está perdida. É o que diz, por exemplo, o economista americano Paul Krugman. À medida que as tecnologias de reprodução avançam, bens como músicas e texto se tornam imateriais -e difíceis de comercializar. O caminho, crê o Nobel de Economia, é vender produtos e serviços derivados dessas obras.
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Franceses lançam ciber-resistência a lei
Norma pretende banir da internet acusados de download ilegal; indústria comemora, mas especialistas preveem efeito pífio
Parlamento Europeu aprova lei contra medida francesa, mas precisa de sanção do Conselho de Ministros; blogs ensinam a burlá-la
HÉLIO SCHWARTSMAN
DA REDAÇÃO
Internautas franceses preparam um movimento de ciber-resistência à nova lei de proteção de direitos autorais que pretende banir da internet quem for acusado de fazer downloads ilegais.
Um dos blogs mais ativos nesta empreitada, o linuxma nua.blogspot.com, lançou o "plano de resistência ABCDE FUCK", que ensina internautas a burlar os mecanismos de vigilância e os incentiva a infernizar a vida da futura polícia cibernética, a Hadopi, prevista na Lei de Criação e Internet (LCI), aprovada pelo Legislativo na quarta-feira passada.
A nova norma obriga os provedores de internet a fornecer a identidade de quem baixar da rede material protegido por "copyright". Os usuários apanhados receberão advertências, a primeira por e-mail, a segunda por meio de carta registrada. Se não se emendarem, poderão ser banidos por até um ano da internet. Um pormenor vem causando especial irritação: o internauta excomungado estará obrigado a seguir pagando pelos serviços de acesso.
A medida é polêmica em vários planos. Para começar, ela é juridicamente discutível, pois cria uma pena -o banimento- a ser aplicada por autoridade administrativa, e não judicial.
O Parlamento Europeu aprovou na semana passada emenda a uma lei de telecomunicações que especificamente proíbe governos nacionais de impedir o acesso de cidadãos à internet sem ordem judicial. A emenda ainda precisa passar pelo Conselho de Ministros.
Também se discute a questão processual. Como a LCI fala em controlar "atos suscetíveis de constituir infração" a direitos autorais, e não "atos que constituam infração", fala-se em inversão do ônus da prova. Do jeito que está, dizem os adversários da norma, caberia ao internauta acusado provar que não fez o download e não à ciberpolícia demonstrar o ilícito -como seria de esperar pelo princípio de presunção da inocência, que figura na Constituição francesa há 200 anos.
Mas não são questões jurídicas as que mais animam o debate. Os opositores da lei falam em liberticídio e fim da privacidade. Acusam o presidente Nicolas Sarkozy de ter bancado a iniciativa só para agradar à sua mulher, a cantora Carla Bruni.
As indústrias fonográfica e cinematográfica comemoram a aprovação da LCI, que ainda precisa passar pelo Conselho Constitucional, como mais uma de uma série de vitórias.
No mês passado, a Justiça sueca condenou os responsáveis pelo site Pirate Bay, que permitia a troca de arquivos de música, a um ano de prisão (com sursis) e a pagar indenizações no valor de 30 milhões de coroas (R$ 7,7 milhões).
No próximo dia 20 é a vez de o site holandês Mininova ir a julgamento. Representantes da indústria querem obrigar o site a filtrar material protegido por direitos autorais.
É muito provável, entretanto, que essas sejam vitórias de Pirro. Pierre Kosciusko-Morizet, que representa a associação dos provedores de internet da França, acredita que a LCI terá efeitos antipirataria pífios.
Internautas poderão recorrer a sites que fornecem acesso anônimo à rede. Banidos poderão refazer a assinatura em nome de parentes.
Não são poucos os que acreditam que a batalha da indústria contra os downloads já está perdida. É o que diz, por exemplo, o economista americano Paul Krugman. À medida que as tecnologias de reprodução avançam, bens como músicas e texto se tornam imateriais -e difíceis de comercializar. O caminho, crê o Nobel de Economia, é vender produtos e serviços derivados dessas obras.
Enchente no Sul vale mais que no Nordeste?
São Paulo, domingo, 17 de maio de 2009
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Cobertura lenta e improvisada da tragédia
Em dezembro, o país se comoveu com a tragédia das enchentes em Santa Catarina. Este mês, de novo, agora com elas no Norte e no Nordeste.
A Folha não fez jornalismo preventivo, como deveria, em nenhuma das situações. Limitou-se a reagir aos fatos, registrar os acontecimentos.
Mas no caso atual, do Norte e do Nordeste, apesar de ele ter provocado mais vítimas e desabrigados que o anterior, o jornal lhe dedica muito menos espaço e destaque.
Vários leitores escrevem para reclamar e perguntar se a falta de vigor jornalístico reflete "um aparente descaso "sulino" com o drama do Norte/Nordeste", como um deles, Rodrigo Pisictelli, pergunta. Confio que não, mas a suspeita já é grave.
No sábado, o jornal criticou em editorial intitulado "Lentidão e improviso" o comportamento das autoridades em resposta aos efeitos das chuvas.
Mas a cobertura que ele próprio tem feito dos problemas de cerca de 1 milhão de brasileiros também deixa muito a desejar.
Fora fotos pungentes na capa, o que se constata é que o assunto não está entre as prioridades da Redação, o que é um erro e uma lástima.
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Cobertura lenta e improvisada da tragédia
Em dezembro, o país se comoveu com a tragédia das enchentes em Santa Catarina. Este mês, de novo, agora com elas no Norte e no Nordeste.
A Folha não fez jornalismo preventivo, como deveria, em nenhuma das situações. Limitou-se a reagir aos fatos, registrar os acontecimentos.
Mas no caso atual, do Norte e do Nordeste, apesar de ele ter provocado mais vítimas e desabrigados que o anterior, o jornal lhe dedica muito menos espaço e destaque.
Vários leitores escrevem para reclamar e perguntar se a falta de vigor jornalístico reflete "um aparente descaso "sulino" com o drama do Norte/Nordeste", como um deles, Rodrigo Pisictelli, pergunta. Confio que não, mas a suspeita já é grave.
No sábado, o jornal criticou em editorial intitulado "Lentidão e improviso" o comportamento das autoridades em resposta aos efeitos das chuvas.
Mas a cobertura que ele próprio tem feito dos problemas de cerca de 1 milhão de brasileiros também deixa muito a desejar.
Fora fotos pungentes na capa, o que se constata é que o assunto não está entre as prioridades da Redação, o que é um erro e uma lástima.
Será que estamos tanto em crise assim?
São Paulo, domingo, 17 de maio de 2009
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CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA
ombudsman@uol.com.br
Jornais têm recorde de leitores
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Dados da mídia americana mostram que o desafio dos jornais não é a audiência, e sim seu modelo econômico
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OS JORNAIS americanos nunca tiveram tantos leitores como atualmente. A afirmação parece um contrassenso para quem acompanha a avalanche de péssimas notícias sobre as condições de sobrevivência de muitos dos melhores diários impressos dos EUA.
Mas não é. Na 29ª reunião da Organização dos Ombudsmans de Imprensa (ONO), que tem como associados cerca de cem jornalistas que exercem esta função em todo o mundo (da Austrália à Turquia) e que ocorreu entre domingo e quinta-feira em Washington, Tom Rosentiel explicou as razões. Ele é o diretor do Projeto para Excelência no Jornalismo, que desde 2004 publica na internet relatório anual detalhado sobre a situação da mídia, "The State of the News Media" (veja abaixo o link para o capítulo sobre os jornais). Os dados mostram que o público não rejeita o modelo dos jornais "tradicionais". Ao contrário. "O desafio dos jornais não vem da audiência, vem do seu modelo de sustentação econômica", afirma Rosentiel.
Apesar de o preço do jornal impresso para o consumidor ter subido muito nos últimos cinco anos, o decréscimo de sua circulação tem sido comparativamente pequeno.
E suas versões eletrônicas têm tido aumento de audiência muito superior ao da média da internet (27% contra 7% em 2008).
O "Washington Post", por exemplo, em 1999 vendia 786 mil cópias impressas; agora, vende 665 mil, mas seu site tem 9,4 milhões de visitantes únicos por mês.
O problema é que a receita publicitária das edições impressas cai dramaticamente (16% em 2008 em relação a 2007) e a das edições eletrônicas cresce milimetricamente. É claro que a crise financeira contribui para agravar o quadro, mais recentemente. Mas essas tendências já vinham sendo consistentes fazia muito tempo. Sites não jornalísticos tomaram os classificados dos diários; a TV paga lhes tirou boa parte da publicidade geral. E o anunciante ainda não se convenceu da eficiência do anúncio na tela.
Rosentiel acha que a única saída é mudar o modelo econômico. E não acredita nas propostas mais comentadas no momento (o jornal cobrar pequena quantia por acesso a cada matéria ou ser sustentado por universidades ou fundações).
Para ele, há outros caminhos, mais criativos, de fazer com que informação útil volte a gerar receita suficiente para manter a cara operação de produzir o jornalismo de boa qualidade.
Para encontrá-los, jornalistas e empresas têm de estar preparados para mudar muito valores, práticas e processos a que estão acostumados.
Se fizerem isso, será possível evitar o choro ao final do filme indicado abaixo, ambientado numa redação de jornal, que faz uma homenagem ao bom jornalismo como se ele estivesse nos estertores.
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PARA LER
"The State of the News Media Newspapers", do Pew Project for Excellence in Journalism (http://www.stateofthemedia.org/2009/narrative_newspapers_audience.php?cat=2&media=4)
PARA VER
"Intrigas de Estado", de Kevin Mcdonald, com Russel Crowe e Ben Affleck, com estreia prevista no Brasil para 12 de junho de 2009
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CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA
ombudsman@uol.com.br
Jornais têm recorde de leitores
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Dados da mídia americana mostram que o desafio dos jornais não é a audiência, e sim seu modelo econômico
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OS JORNAIS americanos nunca tiveram tantos leitores como atualmente. A afirmação parece um contrassenso para quem acompanha a avalanche de péssimas notícias sobre as condições de sobrevivência de muitos dos melhores diários impressos dos EUA.
Mas não é. Na 29ª reunião da Organização dos Ombudsmans de Imprensa (ONO), que tem como associados cerca de cem jornalistas que exercem esta função em todo o mundo (da Austrália à Turquia) e que ocorreu entre domingo e quinta-feira em Washington, Tom Rosentiel explicou as razões. Ele é o diretor do Projeto para Excelência no Jornalismo, que desde 2004 publica na internet relatório anual detalhado sobre a situação da mídia, "The State of the News Media" (veja abaixo o link para o capítulo sobre os jornais). Os dados mostram que o público não rejeita o modelo dos jornais "tradicionais". Ao contrário. "O desafio dos jornais não vem da audiência, vem do seu modelo de sustentação econômica", afirma Rosentiel.
Apesar de o preço do jornal impresso para o consumidor ter subido muito nos últimos cinco anos, o decréscimo de sua circulação tem sido comparativamente pequeno.
E suas versões eletrônicas têm tido aumento de audiência muito superior ao da média da internet (27% contra 7% em 2008).
O "Washington Post", por exemplo, em 1999 vendia 786 mil cópias impressas; agora, vende 665 mil, mas seu site tem 9,4 milhões de visitantes únicos por mês.
O problema é que a receita publicitária das edições impressas cai dramaticamente (16% em 2008 em relação a 2007) e a das edições eletrônicas cresce milimetricamente. É claro que a crise financeira contribui para agravar o quadro, mais recentemente. Mas essas tendências já vinham sendo consistentes fazia muito tempo. Sites não jornalísticos tomaram os classificados dos diários; a TV paga lhes tirou boa parte da publicidade geral. E o anunciante ainda não se convenceu da eficiência do anúncio na tela.
Rosentiel acha que a única saída é mudar o modelo econômico. E não acredita nas propostas mais comentadas no momento (o jornal cobrar pequena quantia por acesso a cada matéria ou ser sustentado por universidades ou fundações).
Para ele, há outros caminhos, mais criativos, de fazer com que informação útil volte a gerar receita suficiente para manter a cara operação de produzir o jornalismo de boa qualidade.
Para encontrá-los, jornalistas e empresas têm de estar preparados para mudar muito valores, práticas e processos a que estão acostumados.
Se fizerem isso, será possível evitar o choro ao final do filme indicado abaixo, ambientado numa redação de jornal, que faz uma homenagem ao bom jornalismo como se ele estivesse nos estertores.
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PARA LER
"The State of the News Media Newspapers", do Pew Project for Excellence in Journalism (http://www.stateofthemedia.org/2009/narrative_newspapers_audience.php?cat=2&media=4)
PARA VER
"Intrigas de Estado", de Kevin Mcdonald, com Russel Crowe e Ben Affleck, com estreia prevista no Brasil para 12 de junho de 2009
Descarga mental para cocô midiático
Em aula, conversávamos sobre não termos infelizmente descarga mental para liberar o detrito informativo, as besteiras que já conhecemos.
E não é que me aparece essa notícia?
abs!
Edson
São Paulo, domingo, 17 de maio de 2009
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GILBERTO DIMENSTEIN
O protesto da privada inteligente
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O que se pretende colocar no ralo são as informações que não fazem sentido porque são apresentadas isoladamente
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FORMADOS em ciência da computação em São Paulo, três amigos elaboraram um protesto bem-humorado contra o acúmulo de lixo da internet, cansados das bobagens e obviedades dos blogs -um besteirol agravado ainda mais com a disseminação do Twitter. A brincadeira acabou na invenção de uma privada inteligente.
Treinados em desenvolvimento de programas para a internet, Arthur Lima, Daniel Dias e Eduardo Alves moram juntos e, nas horas vagas, tocam um laboratório, em que pedem colaboração a colegas ou a qualquer um que deseje participar de um experimento -deram o nome a isso de "colaboratório". Nesse "colaboratório", desenvolveu-se um sistema de sensores conectados à privada capaz de acompanhar o movimento da água.
Antes mesmo que o indivíduo saia do banheiro, o ato fisiológico estará registrado, em palavras, numa página da internet, acessível, portanto, a qualquer um em qualquer parte do mundo. "Como somos favoráveis ao software livre, deixamos o código aberto", brinca Daniel Dias, que resolveu batizar a invenção de "Shit Happens".
A brincadeira é um jeito de tentar entender, seriamente, a decisão anunciada na semana passada de tornar obrigatório um novo exame para aprovação do ensino médio. É uma das mais importantes decisões lançadas nos últimos tempos para tentar reduzir o lixo informativo que atormenta desnecessariamente os jovens -e aposto que terá impacto no jornalismo.
A indicação do Enem -até agora só um mecanismo para entrada nas faculdades -como prova obrigatória para a conclusão do ensino médio significa mais do que mudar o currículo das escolas. O essencial é a mudança do olhar sobre como transmitir conhecimento aos jovens. Se eu pudesse resumir em poucas palavras os documentos divulgados na semana passada sobre o que será o Enem, diria o seguinte: os estudantes serão (ou deveriam ser) treinados para aprender a selecionar o que é relevante, conectando as informações ao cotidiano. Explicando melhor: noções de química, física, biologia e história devem ser usadas para entender, por exemplo, o aquecimento global. O que se pretende colocar no ralo são as informações que não fazem sentido porque são apresentadas isoladamente -é algo tão inútil quanto o jovem que, no Twitter, posta algo como "escovei os dentes", "acordei", "jantei" -o tipo de inutilidade que acabou gerando a invenção do "Shit Happens". Mas por que, afinal, a mudança do currículo escolar terá impacto no jornalismo?
À medida que se valorize o cotidiano para concatenar as diversas matérias e o vestibular dê cada vez mais ênfase a esse olhar, a boa educação será avaliada, entre outras coisas, pela habilidade de os professores lidarem com a comunicação. Um fato exposto no noticiário não será usado apenas ocasionalmente num trabalho escolar, como já ocorre. Será uma das principais matérias-primas para as aulas. Quanto melhor um meio de comunicação souber contextualizar um fato, terá mais chance de virar hábito dos leitores, ouvintes e telespectadores. Existe aqui um encontro com o jornalismo -até porque a imprensa também é vítima e, simultaneamente, vilã no efeito "Shit Happens". Há uma crescente torrente de informações que dificulta a capacidade de seleção do que é relevante. A sobrevivência dos jornais estará muito mais vinculada à sua capacidade de dizer o que importa, com precisão e contexto, do que a dar furos.
A conclusão disso pode parecer hoje um pouco estranha, mas com o tempo será rotina. Os meios de comunicação vão absorver um pouco do jeito de ser da escola, mais preocupados com o didatismo e processos cognitivos de seus leitores, ouvintes ou telespectadores. Será ainda mais disseminada, na internet, a possibilidade de tirar dúvidas sobre as matérias ou discutir diretamente com os repórteres e colunistas -na prática é um ensino a distância. Ao mesmo tempo, as escolas terão ingredientes de Redação de jornal, tamanha a necessidade de os professores e alunos lidarem com as notícias como eixo estruturante do currículo e usarem recursos de comunicação para elaborar trabalhos ou pesquisas.
Nada disso será nem rápido nem fácil. Se os docentes já não sabem lidar direito (para dizer o mínimo) com o atual currículo, imagine um plano de aula montado em eixos transversais, inter e multidisciplinares. As escolas de elite já vêm realizando, há muito tempo, esse tipo de inovação, com ótimos resultados isolados -faltava a mudança do vestibular para que tivessem mais estímulo. A imprensa terá de aprender a ser mais didática e colaborativa com seus leitores, além de investir em menos e mais importantes notícias.
No final, tanto o jornalismo como a escola estarão melhores -e muita notícia e livro escolar irão diretamente para a privada.
PS: Dou outros detalhes no meu site (www.dimenstein.com.br) sobre o funcionamento do "Shit Happens".
gdimen@uol.com.br
E não é que me aparece essa notícia?
abs!
Edson
São Paulo, domingo, 17 de maio de 2009
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GILBERTO DIMENSTEIN
O protesto da privada inteligente
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O que se pretende colocar no ralo são as informações que não fazem sentido porque são apresentadas isoladamente
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FORMADOS em ciência da computação em São Paulo, três amigos elaboraram um protesto bem-humorado contra o acúmulo de lixo da internet, cansados das bobagens e obviedades dos blogs -um besteirol agravado ainda mais com a disseminação do Twitter. A brincadeira acabou na invenção de uma privada inteligente.
Treinados em desenvolvimento de programas para a internet, Arthur Lima, Daniel Dias e Eduardo Alves moram juntos e, nas horas vagas, tocam um laboratório, em que pedem colaboração a colegas ou a qualquer um que deseje participar de um experimento -deram o nome a isso de "colaboratório". Nesse "colaboratório", desenvolveu-se um sistema de sensores conectados à privada capaz de acompanhar o movimento da água.
Antes mesmo que o indivíduo saia do banheiro, o ato fisiológico estará registrado, em palavras, numa página da internet, acessível, portanto, a qualquer um em qualquer parte do mundo. "Como somos favoráveis ao software livre, deixamos o código aberto", brinca Daniel Dias, que resolveu batizar a invenção de "Shit Happens".
A brincadeira é um jeito de tentar entender, seriamente, a decisão anunciada na semana passada de tornar obrigatório um novo exame para aprovação do ensino médio. É uma das mais importantes decisões lançadas nos últimos tempos para tentar reduzir o lixo informativo que atormenta desnecessariamente os jovens -e aposto que terá impacto no jornalismo.
A indicação do Enem -até agora só um mecanismo para entrada nas faculdades -como prova obrigatória para a conclusão do ensino médio significa mais do que mudar o currículo das escolas. O essencial é a mudança do olhar sobre como transmitir conhecimento aos jovens. Se eu pudesse resumir em poucas palavras os documentos divulgados na semana passada sobre o que será o Enem, diria o seguinte: os estudantes serão (ou deveriam ser) treinados para aprender a selecionar o que é relevante, conectando as informações ao cotidiano. Explicando melhor: noções de química, física, biologia e história devem ser usadas para entender, por exemplo, o aquecimento global. O que se pretende colocar no ralo são as informações que não fazem sentido porque são apresentadas isoladamente -é algo tão inútil quanto o jovem que, no Twitter, posta algo como "escovei os dentes", "acordei", "jantei" -o tipo de inutilidade que acabou gerando a invenção do "Shit Happens". Mas por que, afinal, a mudança do currículo escolar terá impacto no jornalismo?
À medida que se valorize o cotidiano para concatenar as diversas matérias e o vestibular dê cada vez mais ênfase a esse olhar, a boa educação será avaliada, entre outras coisas, pela habilidade de os professores lidarem com a comunicação. Um fato exposto no noticiário não será usado apenas ocasionalmente num trabalho escolar, como já ocorre. Será uma das principais matérias-primas para as aulas. Quanto melhor um meio de comunicação souber contextualizar um fato, terá mais chance de virar hábito dos leitores, ouvintes e telespectadores. Existe aqui um encontro com o jornalismo -até porque a imprensa também é vítima e, simultaneamente, vilã no efeito "Shit Happens". Há uma crescente torrente de informações que dificulta a capacidade de seleção do que é relevante. A sobrevivência dos jornais estará muito mais vinculada à sua capacidade de dizer o que importa, com precisão e contexto, do que a dar furos.
A conclusão disso pode parecer hoje um pouco estranha, mas com o tempo será rotina. Os meios de comunicação vão absorver um pouco do jeito de ser da escola, mais preocupados com o didatismo e processos cognitivos de seus leitores, ouvintes ou telespectadores. Será ainda mais disseminada, na internet, a possibilidade de tirar dúvidas sobre as matérias ou discutir diretamente com os repórteres e colunistas -na prática é um ensino a distância. Ao mesmo tempo, as escolas terão ingredientes de Redação de jornal, tamanha a necessidade de os professores e alunos lidarem com as notícias como eixo estruturante do currículo e usarem recursos de comunicação para elaborar trabalhos ou pesquisas.
Nada disso será nem rápido nem fácil. Se os docentes já não sabem lidar direito (para dizer o mínimo) com o atual currículo, imagine um plano de aula montado em eixos transversais, inter e multidisciplinares. As escolas de elite já vêm realizando, há muito tempo, esse tipo de inovação, com ótimos resultados isolados -faltava a mudança do vestibular para que tivessem mais estímulo. A imprensa terá de aprender a ser mais didática e colaborativa com seus leitores, além de investir em menos e mais importantes notícias.
No final, tanto o jornalismo como a escola estarão melhores -e muita notícia e livro escolar irão diretamente para a privada.
PS: Dou outros detalhes no meu site (www.dimenstein.com.br) sobre o funcionamento do "Shit Happens".
gdimen@uol.com.br
Imagem e inconsciente
Olá!
A imagem é janela para receber e enviar informações. Vejam sobre o trabalho de Nísia Marins do Rosário em psiquiatria.
abs
Edson
São Paulo, domingo, 17 de maio de 2009
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FERREIRA GULLAR
Os inumeráveis estados do ser
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Nos ateliês do centro psiquiátrico de Nise da Silveira, surgiram artistas de talento
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NA ÉPOCA em que Nise da Silveira estudou psiquiatria, os métodos adotados para tratamento da esquizofrenia eram a lobotomia e o choque elétrico. Ela, horrorizada, negou-se a usar esse tipo de tratamento, criando assim um problema para o diretor do Centro Psiquiátrico Nacional, que era seu amigo e não queria demiti-la. Como alternativa, ela optou por dedicar-se a lidar com os pacientes que, como terapia, cuidavam da arrumação dos quartos e limpeza dos banheiros. Foi quando teve a ideia de acrescentar a essas ocupações, outras, como trabalho de encadernação, modelagem, desenho e pintura. Assim nasceram os ateliês e, como resultado deles, o Museu de Imagens do Inconsciente. Naqueles ateliês surgiram alguns artistas de grande talento, cujas obras hoje integram o acervo da arte brasileira.
Essa integração não se deu facilmente, uma vez que a maioria dos críticos de arte e mesmo artistas negavam-se a reconhecer como arte a produção de doentes mentais. O crítico Mário Pedrosa foi o primeiro, entre nós, a defender a legitimidade da expressão daqueles artistas que surgiam, por assim dizer, à margem da história.
A resistência dos que negavam valor artístico àquelas obras decorria do preconceito contra o doente mental e da incompreensão da natureza mesma do trabalho artístico. Custaram a compreender que não era a loucura que fazia daquelas pessoas artistas, e, sim, a vocação, o talento de que nasceram dotadas. Não é a loucura que produz arte, uma vez que das dezenas de pacientes que trabalharam nos ateliês do CPN, no Engenho de Dentro, só uns poucos -cinco- de fato criaram obras de real qualidade estética.
Por outro lado, deve-se entender que o propósito da dra. Nise não era formar artistas, mas, sim, oferecer aos pacientes a possibilidade de se expressar e, desse modo, dar vazão a impulsos e inibições que não encontrariam outro modo de superar. É que, em geral, o doente mental tem dificuldade de se expressar logicamente, como o exige a linguagem verbal. Já a linguagem pictórica, não-verbal, constituída de cores, linhas, símbolos visuais, dispensa o logos para se estruturar. Por essa razão, ao mesmo tempo que serve de vazão aos impasses emocionais, permite-lhe construir uma totalidade simbólica plena, bela, que lhe dá alegria e autoafirmação.
Um exemplo bem evidente disso é o caso de Emygdio de Barros, que, após 23 anos de mudez, encontrou na pintura o caminho para realizar suas potencialidades de artista. Na verdade, não só lhe seria impossível valer-se da fala ou da escrita, como jamais, através delas, conseguiria inventar um espaço imaginário tão rico de significações como o encontramos em seus quadros.
A pintura não o curou mas permitiu-lhe superar o mutismo em que se trancara, a ponto de, certo dia, manifestar o desejo de voltar para casa. E o fez de maneira muito especial, ao dizer a dra. Nise que, naquele Natal, queria como presente um guarda-chuva. Após um primeiro momento de surpresa, ela entendeu que, se queria um guarda-chuva, é que deseja sair do hospital, já que lá dentro não chove.
Mário e Almir Mavignier, temendo que ele parasse de pintar, sugeriram fazer uma exposição de seus quadros, como propósito de vendê-los -e, com o dinheiro, comprar telas, pincéis e tinta. Apenas seis quadros foram vendidos, dos quais cinco foram comprados por Mário Pedrosa -aliás, as únicas vendidas de todas as que foram criadas nos ateliês do CPN, já que o objetivo de dra. Nise era conservá-las como objeto de estudos médicos para a compreensão do fenômeno psíquico que ela designava, adotando uma expressão de Antonin Artaud, como "os inumeráveis estados do ser".
Emygdio foi morar com a família e, pouco depois, parou de pintar, ou porque o dinheiro acabara ou porque a família preferiu gastá-lo em coisa mais útil. Assim, passaram-se alguns anos sem que se tivesse qualquer notícia dele. Enquanto isso, críticos e artistas começaram a reconhecer a qualidade artística das obras criadas nos ateliês do CPN. O Museu de Imagens do Inconsciente ganhou prestígio internacional, e a obra da dra. Nise, o reconhecimento tanto de estudiosos da arte quanto da psiquiatria.
Mas eis que, um belo dia, um senhor de paletó e gravata, com uma maleta na mão, chegou ao hospital do Engenho de Dentro. Era Emygdio de Barros, que voltara para retomar seu trabalho de pintor. E pintou ali até completar 80 anos, quando, por força de lei, teve que ser transferido para um asilo de idosos, onde morreu aos 92 anos de idade.
A imagem é janela para receber e enviar informações. Vejam sobre o trabalho de Nísia Marins do Rosário em psiquiatria.
abs
Edson
São Paulo, domingo, 17 de maio de 2009
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FERREIRA GULLAR
Os inumeráveis estados do ser
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Nos ateliês do centro psiquiátrico de Nise da Silveira, surgiram artistas de talento
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NA ÉPOCA em que Nise da Silveira estudou psiquiatria, os métodos adotados para tratamento da esquizofrenia eram a lobotomia e o choque elétrico. Ela, horrorizada, negou-se a usar esse tipo de tratamento, criando assim um problema para o diretor do Centro Psiquiátrico Nacional, que era seu amigo e não queria demiti-la. Como alternativa, ela optou por dedicar-se a lidar com os pacientes que, como terapia, cuidavam da arrumação dos quartos e limpeza dos banheiros. Foi quando teve a ideia de acrescentar a essas ocupações, outras, como trabalho de encadernação, modelagem, desenho e pintura. Assim nasceram os ateliês e, como resultado deles, o Museu de Imagens do Inconsciente. Naqueles ateliês surgiram alguns artistas de grande talento, cujas obras hoje integram o acervo da arte brasileira.
Essa integração não se deu facilmente, uma vez que a maioria dos críticos de arte e mesmo artistas negavam-se a reconhecer como arte a produção de doentes mentais. O crítico Mário Pedrosa foi o primeiro, entre nós, a defender a legitimidade da expressão daqueles artistas que surgiam, por assim dizer, à margem da história.
A resistência dos que negavam valor artístico àquelas obras decorria do preconceito contra o doente mental e da incompreensão da natureza mesma do trabalho artístico. Custaram a compreender que não era a loucura que fazia daquelas pessoas artistas, e, sim, a vocação, o talento de que nasceram dotadas. Não é a loucura que produz arte, uma vez que das dezenas de pacientes que trabalharam nos ateliês do CPN, no Engenho de Dentro, só uns poucos -cinco- de fato criaram obras de real qualidade estética.
Por outro lado, deve-se entender que o propósito da dra. Nise não era formar artistas, mas, sim, oferecer aos pacientes a possibilidade de se expressar e, desse modo, dar vazão a impulsos e inibições que não encontrariam outro modo de superar. É que, em geral, o doente mental tem dificuldade de se expressar logicamente, como o exige a linguagem verbal. Já a linguagem pictórica, não-verbal, constituída de cores, linhas, símbolos visuais, dispensa o logos para se estruturar. Por essa razão, ao mesmo tempo que serve de vazão aos impasses emocionais, permite-lhe construir uma totalidade simbólica plena, bela, que lhe dá alegria e autoafirmação.
Um exemplo bem evidente disso é o caso de Emygdio de Barros, que, após 23 anos de mudez, encontrou na pintura o caminho para realizar suas potencialidades de artista. Na verdade, não só lhe seria impossível valer-se da fala ou da escrita, como jamais, através delas, conseguiria inventar um espaço imaginário tão rico de significações como o encontramos em seus quadros.
A pintura não o curou mas permitiu-lhe superar o mutismo em que se trancara, a ponto de, certo dia, manifestar o desejo de voltar para casa. E o fez de maneira muito especial, ao dizer a dra. Nise que, naquele Natal, queria como presente um guarda-chuva. Após um primeiro momento de surpresa, ela entendeu que, se queria um guarda-chuva, é que deseja sair do hospital, já que lá dentro não chove.
Mário e Almir Mavignier, temendo que ele parasse de pintar, sugeriram fazer uma exposição de seus quadros, como propósito de vendê-los -e, com o dinheiro, comprar telas, pincéis e tinta. Apenas seis quadros foram vendidos, dos quais cinco foram comprados por Mário Pedrosa -aliás, as únicas vendidas de todas as que foram criadas nos ateliês do CPN, já que o objetivo de dra. Nise era conservá-las como objeto de estudos médicos para a compreensão do fenômeno psíquico que ela designava, adotando uma expressão de Antonin Artaud, como "os inumeráveis estados do ser".
Emygdio foi morar com a família e, pouco depois, parou de pintar, ou porque o dinheiro acabara ou porque a família preferiu gastá-lo em coisa mais útil. Assim, passaram-se alguns anos sem que se tivesse qualquer notícia dele. Enquanto isso, críticos e artistas começaram a reconhecer a qualidade artística das obras criadas nos ateliês do CPN. O Museu de Imagens do Inconsciente ganhou prestígio internacional, e a obra da dra. Nise, o reconhecimento tanto de estudiosos da arte quanto da psiquiatria.
Mas eis que, um belo dia, um senhor de paletó e gravata, com uma maleta na mão, chegou ao hospital do Engenho de Dentro. Era Emygdio de Barros, que voltara para retomar seu trabalho de pintor. E pintou ali até completar 80 anos, quando, por força de lei, teve que ser transferido para um asilo de idosos, onde morreu aos 92 anos de idade.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Guía de cubrimiento de la influenza porcina
O jornalismo se especializa, para o bem do leitor e do jornalista. Vejam quantas recomendaçoes èticas e tècnicas para a cobertura da gripe gerada no Mèxico. Para aprender e usar em casos semelhantes.
Guía de cubrimiento de la influenza porcina
La FNPI y La Iniciativa de la Comunicación recomiendan a los periodistas consultar las opciones de información acerca de cómo cubrir la influenza porcina que están disponibles en el sitio de Red Salud, una comunidad de práctica creada por iniciativa de ambas instituciones, junto con la Organización Panamericana de la Salud (OPS).
Hemos seleccionado una primera serie de vínculos a distintas guías y manuales con conceptos, recomendaciones y herramientas sobre cómo cubrir de manera profesional y responsable los hechos y la evolución de la influenza porcina.
Preguntas más frecuentes sobre la Influenza Porcina
Documento de la Organización Panamericana de la Salud (OPS) que de manera clara resume los aspectos más importantes que se deben saber sobre la Influenza Porcina.
http://www.comminit.com/es/node/290852
Gripe porcina: preguntas frecuentes
La Organización Mundial de la Salud (OMS), que coordina la respuesta mundial a los casos de gripe porcina A (H1N1) notificados en humanos y monitorea la amenaza de una pandemia, ofrece en su página web un documento sobre las preguntas que surgen ante esta enfermedad.
http://www.comminit.com/es/node/290855
Influenza Porcina
Sitio con información básica de la Dirección General de Promoción de la Salud / México.
http://www.comminit.com/en/node/290938
Datos importantes sobre la influenza porcina (gripe porcina) – Centers for Disease Control and Prevention
Define qué es la gripa porcina y cómo se contrae.
http://www.comminit.com/en/node/290941
Manual para periodistas: Comunicación sobre brotes epidémicos
Este manual tiene como referencia la pandemia de gripe o influencia aviar, pero responde a la necesidad de los profesionales de la información de contar con parámetros adecuados para el cubrimiento de otro tipo de pandemias similares.
http://www.comminit.com/es/node/173942
Pandemia de gripe: manual de la OMS para periodistas
La Organización Mundial de la Salud (OMS) ha publicado un nuevo recurso para ayudar a periodistas a aclarar la ciencia detrás de la gripe aviar y otros brotes de influenza.
http://www.comminit.com/es/node/173298
Guía informativa para comunicadores sobre la posible pandemia de influenza
Esta guía brinda la información necesaria para entender el problema, identificar sus consecuencias, y dar a conocer los componentes del Plan Nacional de Preparación y Respuesta ante una Pandemia de Influenza del estado Mexicano.
http://www.comminit.com/es/node/275711
La influenza pandémica y la comunicación de riesgo
Expertos y periodistas especializados en temas de salud ven la necesidad de impedir desastres y de dar un sonido de alarma con respecto a la influenza aviar.
http://www.comminit.com/es/node/196600
Periodismo preventivo y cobertura de situaciones de riesgo
Esta publicación pretende servir como punto de referencia para periodistas de diferentes segmentos de los medios de comunicación, a la hora de realizar coberturas de carácter preventivo, de situaciones de riesgo o de crisis.
http://www.comminit.com/en/node/290932
Herramientas de preparación para comunicadotes. Anticiparse a la pandemia de influenza. Un enfoque de promoción de la salud
Recurso didáctico para comunicadores de la Dirección General de Promoción de la Salud / México.
http://www.comminit.com/en/node/290937
Alerta y Respuesta ante Epidemias y Pandemias (EPR)
La Organización Mundial de la Salud (OMS) sobre gripe porcina A (H1N1) y da seguimiento a la evolución de la situación.
http://www.comminit.com/es/node/290853
Medidas preventivas – Portal informativo sobre la Influenza del Gobierno Federal de México
Presenta recomendaciones para prevenir el contagio.
http://www.comminit.com/en/node/290945
Planifique y Prepárese - PandemicFlu.gov - Sitio del gobierno de Estados Unidos
En estas páginas se brinda información para ayudar a que cada sector de la sociedad, desde el gobierno federal, estatal y local, hasta individuos y familias, participe en nuestros esfuerzos de planificación nacional.
http://www.comminit.com/en/node/290943
Kit para prepararse contra una Pandemia de Influenza
Este material busca incrementar la conciencia de las personas sobre la pandemia de influenza, de forma tal que se puedan tomar las medidas preventivas adecuadas para protegerse.
http://www.comminit.com/es/node/174438
Reducción del impacto de la próxima pandemia de influenza utilizando intervenciones de salud pública basadas en los hogares
Contenido publicado en la revista médica internacional PloS Medicine que determina la efectividad de medidas preventivas que las comunidades pueden implementar.
http://www.comminit.com/es/node/196522
OTRAS FUENTES:
Gripe porcina: respuestas a sus dudas – BBC
Preguntas desde México y otros países de América Latina.
http://www.bbc.co.uk/mundo/participe/2009/04/090429_participe_gripe_experta_am.shtml
Fases de una pandemia – BBC Mundo
La Organización Mundial de la Salud (OMS) establece seis fases de alerta pandémica cuando un virus se convierte en una amenaza.
http://www.bbc.co.uk/mundo/internacional/2009/04/090428_1218_gripe_porcina_fases_mr.shtml
¿Cuáles son los signos o síntomas para sospechar de Influenza?
Información sobre síntomas y recomendaciones para la población en general del Gobierno Federal de México.
http://www.e-mexico.gob.mx/wb2/eMex/eMex_Cuales_son_los_signos_o_sintomas_para_sospech
Señales de Alerta - El Universal de México
Recomendaciones y una tabla con información sobre las diferencias entre el catarro común y la influenza.
http://www.eluniversal.com.mx/graficos/pdf09/tablainfluenza2.pdf
Cómo cubrir la gripe porcina, en momentos en que más países declaran emergencias sanitarias
Este documento de Knight Center for Journalism in the Americas dirige a sitios web de organizaciones que están proporcionando recursos para periodistas.
http://knightcenter.utexas.edu/blog/?q=es/node/3772
Guía de cubrimiento de la influenza porcina
La FNPI y La Iniciativa de la Comunicación recomiendan a los periodistas consultar las opciones de información acerca de cómo cubrir la influenza porcina que están disponibles en el sitio de Red Salud, una comunidad de práctica creada por iniciativa de ambas instituciones, junto con la Organización Panamericana de la Salud (OPS).
Hemos seleccionado una primera serie de vínculos a distintas guías y manuales con conceptos, recomendaciones y herramientas sobre cómo cubrir de manera profesional y responsable los hechos y la evolución de la influenza porcina.
Preguntas más frecuentes sobre la Influenza Porcina
Documento de la Organización Panamericana de la Salud (OPS) que de manera clara resume los aspectos más importantes que se deben saber sobre la Influenza Porcina.
http://www.comminit.com/es/node/290852
Gripe porcina: preguntas frecuentes
La Organización Mundial de la Salud (OMS), que coordina la respuesta mundial a los casos de gripe porcina A (H1N1) notificados en humanos y monitorea la amenaza de una pandemia, ofrece en su página web un documento sobre las preguntas que surgen ante esta enfermedad.
http://www.comminit.com/es/node/290855
Influenza Porcina
Sitio con información básica de la Dirección General de Promoción de la Salud / México.
http://www.comminit.com/en/node/290938
Datos importantes sobre la influenza porcina (gripe porcina) – Centers for Disease Control and Prevention
Define qué es la gripa porcina y cómo se contrae.
http://www.comminit.com/en/node/290941
Manual para periodistas: Comunicación sobre brotes epidémicos
Este manual tiene como referencia la pandemia de gripe o influencia aviar, pero responde a la necesidad de los profesionales de la información de contar con parámetros adecuados para el cubrimiento de otro tipo de pandemias similares.
http://www.comminit.com/es/node/173942
Pandemia de gripe: manual de la OMS para periodistas
La Organización Mundial de la Salud (OMS) ha publicado un nuevo recurso para ayudar a periodistas a aclarar la ciencia detrás de la gripe aviar y otros brotes de influenza.
http://www.comminit.com/es/node/173298
Guía informativa para comunicadores sobre la posible pandemia de influenza
Esta guía brinda la información necesaria para entender el problema, identificar sus consecuencias, y dar a conocer los componentes del Plan Nacional de Preparación y Respuesta ante una Pandemia de Influenza del estado Mexicano.
http://www.comminit.com/es/node/275711
La influenza pandémica y la comunicación de riesgo
Expertos y periodistas especializados en temas de salud ven la necesidad de impedir desastres y de dar un sonido de alarma con respecto a la influenza aviar.
http://www.comminit.com/es/node/196600
Periodismo preventivo y cobertura de situaciones de riesgo
Esta publicación pretende servir como punto de referencia para periodistas de diferentes segmentos de los medios de comunicación, a la hora de realizar coberturas de carácter preventivo, de situaciones de riesgo o de crisis.
http://www.comminit.com/en/node/290932
Herramientas de preparación para comunicadotes. Anticiparse a la pandemia de influenza. Un enfoque de promoción de la salud
Recurso didáctico para comunicadores de la Dirección General de Promoción de la Salud / México.
http://www.comminit.com/en/node/290937
Alerta y Respuesta ante Epidemias y Pandemias (EPR)
La Organización Mundial de la Salud (OMS) sobre gripe porcina A (H1N1) y da seguimiento a la evolución de la situación.
http://www.comminit.com/es/node/290853
Medidas preventivas – Portal informativo sobre la Influenza del Gobierno Federal de México
Presenta recomendaciones para prevenir el contagio.
http://www.comminit.com/en/node/290945
Planifique y Prepárese - PandemicFlu.gov - Sitio del gobierno de Estados Unidos
En estas páginas se brinda información para ayudar a que cada sector de la sociedad, desde el gobierno federal, estatal y local, hasta individuos y familias, participe en nuestros esfuerzos de planificación nacional.
http://www.comminit.com/en/node/290943
Kit para prepararse contra una Pandemia de Influenza
Este material busca incrementar la conciencia de las personas sobre la pandemia de influenza, de forma tal que se puedan tomar las medidas preventivas adecuadas para protegerse.
http://www.comminit.com/es/node/174438
Reducción del impacto de la próxima pandemia de influenza utilizando intervenciones de salud pública basadas en los hogares
Contenido publicado en la revista médica internacional PloS Medicine que determina la efectividad de medidas preventivas que las comunidades pueden implementar.
http://www.comminit.com/es/node/196522
OTRAS FUENTES:
Gripe porcina: respuestas a sus dudas – BBC
Preguntas desde México y otros países de América Latina.
http://www.bbc.co.uk/mundo/participe/2009/04/090429_participe_gripe_experta_am.shtml
Fases de una pandemia – BBC Mundo
La Organización Mundial de la Salud (OMS) establece seis fases de alerta pandémica cuando un virus se convierte en una amenaza.
http://www.bbc.co.uk/mundo/internacional/2009/04/090428_1218_gripe_porcina_fases_mr.shtml
¿Cuáles son los signos o síntomas para sospechar de Influenza?
Información sobre síntomas y recomendaciones para la población en general del Gobierno Federal de México.
http://www.e-mexico.gob.mx/wb2/eMex/eMex_Cuales_son_los_signos_o_sintomas_para_sospech
Señales de Alerta - El Universal de México
Recomendaciones y una tabla con información sobre las diferencias entre el catarro común y la influenza.
http://www.eluniversal.com.mx/graficos/pdf09/tablainfluenza2.pdf
Cómo cubrir la gripe porcina, en momentos en que más países declaran emergencias sanitarias
Este documento de Knight Center for Journalism in the Americas dirige a sitios web de organizaciones que están proporcionando recursos para periodistas.
http://knightcenter.utexas.edu/blog/?q=es/node/3772
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