30/04/2009 - 20h19
Por maioria, Supremo decide derrubar a Lei de Imprensa
Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília
Atualizada às 21h38
O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu nesta quinta-feira (30), por maioria, derrubar a Lei de Imprensa. Sete ministros seguiram o entendimento do relator do caso, Carlos Ayres Britto, de que a legislação é incompatível com a Constituição Federal. Três foram parcialmente favoráveis à revogação, e apenas o ministro Marco Aurélio votou pela manutenção da lei.
Você é a favor da revogação da Lei de Imprensa?
* Dê sua opinião
Com a decisão do STF, o relator considera que, nos casos em que for cabível, será aplicada a legislação comum, como o Código Civil e o Código Penal.
A ação contra a lei 5.250 foi ajuizada pelo PDT (Partido Democrático Trabalhista). O julgamento começou no dia 1º de abril, quando o relator, ministro Carlos Ayres Britto, votou pela total revogação, argumentando que a lei, editada em 1967, durante o regime militar (1964-1985), é incompatível com a Constituição Federal de 1988. O ministro Eros Grau acompanhou o relator.
LEIA MAIS
* Para Ayres Britto, temas "secundários" de imprensa podem ser alvo de leis específicas
* Ministro do STF vota a favor da revogação total da Lei de Imprensa; sessão é adiada
* STF decide sobre Lei de Imprensa e exigência de diploma para jornalistas
* UOL Notícias
Um dos pontos de maior debate entre os ministros foi a questão do direito de resposta. O presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, fez a defesa mais contundente pela manutenção dos dispositivos da Lei de Imprensa relativos ao tema. "Vamos criar um vácuo jurídico em relação aquele que é o único direito de defesa do cidadão, a única forma de equalizar essa relação, que é desigual", afirmou.
"Por que considerar a Lei de Imprensa totalmente incompatível com a Constituição Federal? A liberdade de imprensa não se compraz com uma lei feita com a intenção de restringi-la", afirmou o ministro Menezes Direito, primeiro a votar hoje, seguindo o relator. "Nenhuma lei estará livre de conflito com a Constituição se nascer a partir da vontade punitiva do legislador."
"Trata-se de texto legal totalmente supérfluo, pois se encontra contemplado na Constituição", disse o ministro Ricardo Lewandowski. Também votaram nesse sentido os ministros Cesar Peluzo e Cármen Lúcia.
O fato é que nada é mais nocivo, perigoso do que a pretensão do Estado em regular a liberdade de expressão
Ministro Celso de Mello, que defendeu a revogação da Lei de Imprensa
* Leia mais
Inicialmente ausente, o ministro Joaquim Barbosa participou de sua primeira sessão após o bate-boca com o presidente da Corte, Gilmar Mendes. Barbosa, a ministra Ellen Gracie e Gilmar Mendes votaram pela revogação parcial, defendendo que alguns artigos sejam mantidos, entre eles trechos relacionados à proteção da honra, à proibição de propaganda de guerra e direito de resposta.
O representante da ANJ (Associação Nacional de Jornais) se disse preocupado com a mesma questão. Para Paulo Tonet Camargo, diretor de Relações Governamentais da entidade, uma regulamentação em relação ao direito de resposta daria conforto aos cidadãos e aos órgãos de imprensa, impedindo que cada juiz se decida de uma forma diferente.
Entenda
Na primeira análise do caso, em fevereiro do ano passado, o relator havia suspendido provisoriamente 20 dos 77 artigos da lei, decisão depois referendada pelo plenário.
Não se pode esquecer que o Código Penal foi decretado no Estado Novo e continua a viger e esquecer que tivemos reformas desse código durante o que alguns apontam como anos de chumbo. Reformas que se mostraram profícuas adequadas, aconselháveis quando se vive um Estado Democrático
Ministro Marco Aurélio de Mello, ao votar pela manutenção total da lei
* Leia mais
Entre os artigos suspensos estão dispositivos relacionados às punições previstas para os crimes de calúnia e difamação. No primeiro caso, a Lei de Imprensa estabelece pena de seis meses a três anos de detenção, enquanto no Código Penal o período máximo de detenção é de dois anos.
Também foram alvo da decisão artigos relativos à responsabilidade civil do jornalista e da empresa que explora o meio de informação ou divulgação. Com a suspensão, os juízes de todo o país ficaram autorizados a utilizar, quando cabíveis, regras dos Códigos Penal e Civil para julgar processos relacionados aos dispositivos que foram suspensos.
Diploma
Também está à espera de julgamento no STF um tema paralelo à Lei de Imprensa: a exigência de diploma para jornalistas. O recurso extraordinário a ser julgado tem como relator o presidente Gilmar Mendes. A ação foi apresentada pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo e pelo Ministério Público Federal, contrários à exigência de formação superior.
Em novembro de 2006, o Supremo garantiu o exercício da atividade jornalística aos que já atuavam na profissão mesmo sem registro no Ministério do Trabalho ou diploma de curso superior na área.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Ministério da Educação afirma que criou curso para docentes
São Paulo, quarta-feira, 22 de abril de 2009
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2204200911.htm
Ministério da Educação afirma que criou curso para docentes
DA SUCURSAL DO RIO
O secretário de Educação a Distância do Ministério da Educação, Carlos Eduardo Bielschowsky, diz que o governo tem consciência da necessidade de formar professores para trabalharem com o computador em sala de aula e, por isso, criou no ano passado um programa específico com esse fim.
De acordo com Bielschowsky, mais de 100 mil professores já estão participando do ProInfo Integrado, curso com carga horária de 140 horas de introdução à educação digital e de preparação do professor para utilizar a tecnologia como ferramenta pedagógica.
Até o fim do ano, ele diz que a meta é chegar a 240 mil profissionais (cerca de 10% do total de 2,5 milhões de professores na educação básica).
Sobre a falta de manutenção dos equipamentos e instalações, o secretário argumenta que o governo federal não tem condições de contratar um técnico para cada escola, e que isso cabe aos Estados e municípios.
"Não tenho a menor dúvida de que só vamos colocar esse sistema funcionando perfeitamente ser houver uma onda, uma maré positiva, com todos os atores envolvidos", afirma.
Sobre a instalação de computadores e de banda larga, Bielschowsky diz que, no início do programa, no ano passado, houve um descompasso em alguns casos entre o MEC e as secretarias.
Ela afirma, porém, que os problemas hoje são pontuais e que a pasta tem consultado, por intermédio da União Nacional dos Dirigentes Municipais da Educação, cada secretário sobre a data e as escolas que receberão a banda larga do governo.
"Damos prioridade às escolas que já têm laboratório, mas pode acontecer de a escola ainda não ter recebido os equipamentos. Até que no final de 2010 todas as escolas urbanas estejam equipadas com computadores e banda larga."
O secretário diz ainda que o ministério contratará uma equipe de funcionários que percorrerá os Estados para identificar esses problemas e buscar soluções.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2204200911.htm
Ministério da Educação afirma que criou curso para docentes
DA SUCURSAL DO RIO
O secretário de Educação a Distância do Ministério da Educação, Carlos Eduardo Bielschowsky, diz que o governo tem consciência da necessidade de formar professores para trabalharem com o computador em sala de aula e, por isso, criou no ano passado um programa específico com esse fim.
De acordo com Bielschowsky, mais de 100 mil professores já estão participando do ProInfo Integrado, curso com carga horária de 140 horas de introdução à educação digital e de preparação do professor para utilizar a tecnologia como ferramenta pedagógica.
Até o fim do ano, ele diz que a meta é chegar a 240 mil profissionais (cerca de 10% do total de 2,5 milhões de professores na educação básica).
Sobre a falta de manutenção dos equipamentos e instalações, o secretário argumenta que o governo federal não tem condições de contratar um técnico para cada escola, e que isso cabe aos Estados e municípios.
"Não tenho a menor dúvida de que só vamos colocar esse sistema funcionando perfeitamente ser houver uma onda, uma maré positiva, com todos os atores envolvidos", afirma.
Sobre a instalação de computadores e de banda larga, Bielschowsky diz que, no início do programa, no ano passado, houve um descompasso em alguns casos entre o MEC e as secretarias.
Ela afirma, porém, que os problemas hoje são pontuais e que a pasta tem consultado, por intermédio da União Nacional dos Dirigentes Municipais da Educação, cada secretário sobre a data e as escolas que receberão a banda larga do governo.
"Damos prioridade às escolas que já têm laboratório, mas pode acontecer de a escola ainda não ter recebido os equipamentos. Até que no final de 2010 todas as escolas urbanas estejam equipadas com computadores e banda larga."
O secretário diz ainda que o ministério contratará uma equipe de funcionários que percorrerá os Estados para identificar esses problemas e buscar soluções.
Internet chega a escolas que não são informatizadas
São Paulo, quarta-feira, 22 de abril de 2009
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2204200910.htm
Internet chega a escolas que não são informatizadas
DA SUCURSAL DO RIO
Uma das maiores evidências da falta de coordenação para universalização dos computadores nas escolas é a instalação de cabos para internet em banda larga em escolas sem computador.
A banda larga gratuita nas escolas públicas urbanas foi negociada, em 2008, pelo governo federal com as concessionárias de telefonia fixa.
Pelo acordo, elas deveriam cumprir 40% da meta até dezembro de 2008, mais 40% até o final de 2009 e o restante até dezembro de 2010. A conexão será gratuita até 2025. Como a instalação da banda larga e a informatização são projetos distintos, nem sempre a internet chega onde há computador.
No município de Porto Real (RJ), a secretária de Educação, Alba Graciani, conta que, sem aviso prévio, recebeu a visita de técnicos da Oi que iriam instalar banda larga em duas escolas.
"Fiquei muito feliz porque estávamos ganhando internet de graça, mas ninguém sabia o que era o projeto e, além disso, uma das escolas não tinha computador. Pedi aos técnicos para instalar a rede em outro colégio, onde eu já tinha laboratório, mas eles disseram que nada podiam fazer", diz a secretária.
Com menos de 10 mil habitantes, Levy Gasparian, também no Rio, sofre problema semelhante: a cidade não conseguiu contratar um técnico para fazer funcionar o laboratório de informática com a rede de banda larga.
Em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, a escola municipal Vila Operária recebeu a fiação e o modem.
A escola, porém, tem apenas alguns computadores velhos recauchutados, obtidos como doação por professores, e que não comportam a banda larga.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2204200910.htm
Internet chega a escolas que não são informatizadas
DA SUCURSAL DO RIO
Uma das maiores evidências da falta de coordenação para universalização dos computadores nas escolas é a instalação de cabos para internet em banda larga em escolas sem computador.
A banda larga gratuita nas escolas públicas urbanas foi negociada, em 2008, pelo governo federal com as concessionárias de telefonia fixa.
Pelo acordo, elas deveriam cumprir 40% da meta até dezembro de 2008, mais 40% até o final de 2009 e o restante até dezembro de 2010. A conexão será gratuita até 2025. Como a instalação da banda larga e a informatização são projetos distintos, nem sempre a internet chega onde há computador.
No município de Porto Real (RJ), a secretária de Educação, Alba Graciani, conta que, sem aviso prévio, recebeu a visita de técnicos da Oi que iriam instalar banda larga em duas escolas.
"Fiquei muito feliz porque estávamos ganhando internet de graça, mas ninguém sabia o que era o projeto e, além disso, uma das escolas não tinha computador. Pedi aos técnicos para instalar a rede em outro colégio, onde eu já tinha laboratório, mas eles disseram que nada podiam fazer", diz a secretária.
Com menos de 10 mil habitantes, Levy Gasparian, também no Rio, sofre problema semelhante: a cidade não conseguiu contratar um técnico para fazer funcionar o laboratório de informática com a rede de banda larga.
Em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, a escola municipal Vila Operária recebeu a fiação e o modem.
A escola, porém, tem apenas alguns computadores velhos recauchutados, obtidos como doação por professores, e que não comportam a banda larga.
Professor sem preparo trava uso de computador em escola
São Paulo, quarta-feira, 22 de abril de 2009
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2204200908.htm
Professor sem preparo trava uso de computador em escola
Colégios também sofrem com falta de estrutura para abrigar equipamentos
Laboratórios de informática são subutilizados por falta de conhecimento técnico dos professores para aplicá-los no ensino
ELVIRA LOBATO
ANTÔNIO GOIS
DA SUCURSAL DO RIO
A implantação de laboratórios de informática em todas as escolas públicas do país até o fim de 2010, prometida pelo governo Lula, esbarra no despreparo dos professores para usar o computador e na falta de manutenção dos equipamentos e das instalações, responsabilidade de Estados e municípios.
É o caso de Almenara (MG), onde os 15 computadores da escola estadual Angelina Nascimento são usados apenas por cerca de 15 horas ao mês. Motivo: os professores temem quebrar as máquinas.
Desde 1997, o ProInfo (programa de informatização das escolas, do Ministério da Educação) já investiu R$ 726 milhões. Os gastos crescem anualmente. Só no ano passado, eles chegaram a R$ 317 milhões (1% do orçamento do MEC).
O percentual de escolas públicas com laboratório de informática também cresceu. De 1999 a 2006, passou de 46% para 63% no ensino médio e de 8% para 19% no fundamental.
A falta de qualificação dos professores, porém, coloca em risco o investimento feito, diz Flávio de Araújo Barbosa, presidente para a Região Nordeste da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação.
Em São Gonçalo do Amarante (CE), onde Barbosa é secretário de Educação, só 3 dos 479 professores da rede municipal receberam treinamento. Segundo ele, a situação é mais grave no Norte e no Nordeste.
Por duas semanas, a Folha entrevistou diretores de escolas em nove Estados para avaliar a utilização dos laboratórios. A maioria das escolas relata subutilização de equipamentos, seja por falta de conhecimento técnico do professor para orientar alunos, seja porque as máquinas estão danificadas ou são insuficientes. Até professores com pós-graduação se dizem despreparados para usar a informática no ensino.
Grande parte dos professores não tem computador em casa, o que os distancia ainda mais da tecnologia. Essa pouca familiaridade com o computador é relatada por Maria Aparecida Silvestre, diretora da escola estadual Maria Socorro Aragão, de Monteiro (PB).
Sua escola recebeu do governo federal um laboratório com 20 computadores no ano passado, mas eles estão sem uso porque não chegou a antena para a conexão à internet.
""Várias escolas têm computadores novinhos e praticamente sem uso porque os professores não sabem usá-los como ferramentas de ensino. Sou professora, com pós-graduação em língua portuguesa, e enfrento essa dificuldade. O pouco que sei, aprendi de curiosa, de ficar mexendo na internet", diz Dilma Santos, presidente do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação da região de Almenara (MG).
A segunda causa da baixa utilização é a falta de manutenção das máquinas ou de adaptação dos imóveis para abrigar os equipamentos. Até escolas feitas para servirem de modelo sofrem com o problema.
Em Irecê, no sertão baiano, o Colégio Modelo Luiz Eduardo Magalhães, com 1.400 alunos, recebeu 21 computadores em 1999. A diretora, Gilma Flávia, afirma que os professores fizeram capacitação, mas isso pouco adiantou porque ""os computadores viraram dinossauros". O laboratório está fechado desde o final do ano passado.
Em Dias D'Avila, município a 50 km de Salvador, o laboratório da escola estadual Edilson Souto Freire está fechado porque a rede elétrica não suportaria o uso. ""De 2007 para cá, não fez diferença ter ou não o laboratório, porque ele fica permanentemente fechado", afirma o vice-diretor Dênis Barros.
A manutenção é falha também nas regiões ricas, como em Valinhos (SP), onde os 15 computadores da escola municipal Franco Montoro -doados por uma multinacional- estão quebrados. O secretário de Educação, Zeno Ruedel, admite que a manutenção não chega com a velocidade necessária, e que os cursos para capacitação dos professores existem ""em grau muito pequeno".
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2204200908.htm
Professor sem preparo trava uso de computador em escola
Colégios também sofrem com falta de estrutura para abrigar equipamentos
Laboratórios de informática são subutilizados por falta de conhecimento técnico dos professores para aplicá-los no ensino
ELVIRA LOBATO
ANTÔNIO GOIS
DA SUCURSAL DO RIO
A implantação de laboratórios de informática em todas as escolas públicas do país até o fim de 2010, prometida pelo governo Lula, esbarra no despreparo dos professores para usar o computador e na falta de manutenção dos equipamentos e das instalações, responsabilidade de Estados e municípios.
É o caso de Almenara (MG), onde os 15 computadores da escola estadual Angelina Nascimento são usados apenas por cerca de 15 horas ao mês. Motivo: os professores temem quebrar as máquinas.
Desde 1997, o ProInfo (programa de informatização das escolas, do Ministério da Educação) já investiu R$ 726 milhões. Os gastos crescem anualmente. Só no ano passado, eles chegaram a R$ 317 milhões (1% do orçamento do MEC).
O percentual de escolas públicas com laboratório de informática também cresceu. De 1999 a 2006, passou de 46% para 63% no ensino médio e de 8% para 19% no fundamental.
A falta de qualificação dos professores, porém, coloca em risco o investimento feito, diz Flávio de Araújo Barbosa, presidente para a Região Nordeste da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação.
Em São Gonçalo do Amarante (CE), onde Barbosa é secretário de Educação, só 3 dos 479 professores da rede municipal receberam treinamento. Segundo ele, a situação é mais grave no Norte e no Nordeste.
Por duas semanas, a Folha entrevistou diretores de escolas em nove Estados para avaliar a utilização dos laboratórios. A maioria das escolas relata subutilização de equipamentos, seja por falta de conhecimento técnico do professor para orientar alunos, seja porque as máquinas estão danificadas ou são insuficientes. Até professores com pós-graduação se dizem despreparados para usar a informática no ensino.
Grande parte dos professores não tem computador em casa, o que os distancia ainda mais da tecnologia. Essa pouca familiaridade com o computador é relatada por Maria Aparecida Silvestre, diretora da escola estadual Maria Socorro Aragão, de Monteiro (PB).
Sua escola recebeu do governo federal um laboratório com 20 computadores no ano passado, mas eles estão sem uso porque não chegou a antena para a conexão à internet.
""Várias escolas têm computadores novinhos e praticamente sem uso porque os professores não sabem usá-los como ferramentas de ensino. Sou professora, com pós-graduação em língua portuguesa, e enfrento essa dificuldade. O pouco que sei, aprendi de curiosa, de ficar mexendo na internet", diz Dilma Santos, presidente do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação da região de Almenara (MG).
A segunda causa da baixa utilização é a falta de manutenção das máquinas ou de adaptação dos imóveis para abrigar os equipamentos. Até escolas feitas para servirem de modelo sofrem com o problema.
Em Irecê, no sertão baiano, o Colégio Modelo Luiz Eduardo Magalhães, com 1.400 alunos, recebeu 21 computadores em 1999. A diretora, Gilma Flávia, afirma que os professores fizeram capacitação, mas isso pouco adiantou porque ""os computadores viraram dinossauros". O laboratório está fechado desde o final do ano passado.
Em Dias D'Avila, município a 50 km de Salvador, o laboratório da escola estadual Edilson Souto Freire está fechado porque a rede elétrica não suportaria o uso. ""De 2007 para cá, não fez diferença ter ou não o laboratório, porque ele fica permanentemente fechado", afirma o vice-diretor Dênis Barros.
A manutenção é falha também nas regiões ricas, como em Valinhos (SP), onde os 15 computadores da escola municipal Franco Montoro -doados por uma multinacional- estão quebrados. O secretário de Educação, Zeno Ruedel, admite que a manutenção não chega com a velocidade necessária, e que os cursos para capacitação dos professores existem ""em grau muito pequeno".
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Escambo on line
A economia acontece em ciclos. Que papa da economia disse isso? Agora está rolando escambo, sabe, aquilo que se fazia com índios no Brasil?
abs
São Paulo, sábado, 11 de abril de 2009
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi1104200915.htm
Crise estimula escambo entre empresas
Redes que gerenciam troca de produtos e serviços esperam crescer até 50% em 2009, beneficiadas pela escassez de crédito
Permutas movimentaram mais de R$ 40 milhões no país em 2008; dificuldade de planejar gastos com moeda virtual é maior empecilho
RENATO ESSENFELDER
DA REDAÇÃO
Créditos, Únicos, Unidades de Permuta. Com a escassez e consequente encarecimento das linhas de financiamento em reais, empresários têm recorrido a essas e outras moedas virtuais e a uma das práticas mais antigas de negociação, o escambo, como forma de desovar estoques, viabilizar investimentos e não comprometer a saúde do fluxo de caixa.
O princípio dessas permutas segue o modelo milenar: troca de produtos ou serviços entre empresas (veja quadro). Aparece, contudo, modernizado pela criação de redes multilaterais, em que moedas virtuais fazem a intermediação entre empresários e abrem a possibilidade de acumular créditos para investimentos vultosos.
Estimuladas pela crise global, as maiores redes de troca do país estimam crescer entre 30% e 50% neste ano.
"Em dezembro, dobrou a procura de empresas interessadas em aderir à rede. Elas comentavam que estavam em busca de alternativas de negócios diante da crise. Os valores movimentados no sistema também aumentaram significativamente, cerca de 40%", afirma Marco Del Giudice, diretor comercial da Tradaq, a maior rede de trocas do país.
A Tradaq é um caso incomum de empresa que reviu para cima sua projeção de crescimento após o auge da crise, em setembro passado. Agora estima chegar ao final deste ano até 40% maior. Com sua moeda virtual, o Único, movimentou no ano passado R$ 24 milhões em produtos e serviços.
Um caso real é narrado por Ana Lúcia Butolo, gerente da fabricante e vendedora de móveis Armando Cerello, em São Paulo. A marca é associada à Tradaq desde o início da rede, no ano 2000.
Sua maior operação até agora foi para a compra de mil catálogos de uma gráfica associada ao clube. Para acumular os créditos necessários, ofertou mesas, cadeiras, sofás. "A vantagem é não precisar dispor do capital de giro e comprar usando a própria margem de lucro dos nossos produtos. Assim, acabamos gastando menos", diz.
No setor de serviços o intercâmbio é ainda mais forte, porque, ao contrário do que ocorre com mercadorias, não é possível estocar tempo ocioso para usar quando houver demanda. "Ocupar a disponibilidade é interessante porque a "mercadoria" já está lá, não precisa ser produzida. O gasto com água, luz, serviços é mínimo", conta o diretor de operações da Ábaco, que administra os hotéis Howard Johnson e Astron, Carlos Alberto de Carvalho.
Na maior operação de permuta que já fez até hoje, Carvalho trocou diárias de hotel por 45 colchões, que custariam mais de R$ 30 mil em espécie.
"Mas também não vejo a permuta como uma panaceia que resolve tudo. Não dá para planejar resolver a sua vida só com trocas, você nunca sabe quando haverá um produto ou serviço que realmente interesse à disposição na rede. Por isso, se encontrar um comprador que me dê R$ 1 pelo meu serviço, não trocaria isso por um crédito de permuta", pondera.
O hotel Howard Johnson integra a rede Permute. Criada em 2003, possui 600 associados e movimentou em 2008 R$ 9 milhões em negócios. "Encerramos o primeiro trimestre deste ano com crescimento de 25% em afiliados e em operações em relação ao ano passado", conta Nádia Nunes, diretora da Permute, que espera crescer 30% neste ano.
"Com a crise, tem nos surpreendido empresas que antes não demonstravam interesse por permutas, como as do setor energético", completa.
Mais nova, mas também com expectativa de forte crescimento, a Prorede começou a operar em 2004 no Rio e hoje tem 400 associados, movimentou R$ 8 milhões no ano passado e espera elevar esse valor em 50% neste ano. Mas lá a crise não é vista como especial alavanca de negócios. "Não mudamos nossa projeção em razão da crise, porque, ao mesmo tempo que ela gera oportunidades de negócio, somos afetados, como todo o mercado, por uma certa paralisia na tomada de decisões [de potenciais sócios]", conta Márcio Lerner, diretor-executivo.
Dentro da Prorede, e em clubes de permuta em geral, os serviços mais requisitados são ligados a mídia e marketing (inserção de anúncios, brindes, impressão de material gráfico).
Para aumentar as possibilidades de contatos e negócios, várias empresas aderem a mais de uma rede de permuta, já que não há exigência de exclusividade. A fabricante de bebidas Globalbev, por exemplo, é ligada à Permute, à Tradaq e à Prorede. Luciana Bruzzi, gerente de marketing da indústria, conta que, ao se deparar com uma necessidade de investimento (como uma reforma), começa sua pesquisa pelas redes de troca. "Depois cotamos com pagamento em dinheiro e fazemos a comparação de preços."
As trocas, afinal, têm um custo, e não só logístico. As redes cobram comissões sobre as operações, que vão de 4% a 14%. Como há efetiva venda de produtos -ainda que por créditos ficcionais-, é preciso também recolher impostos. E, se você estiver com a carteira recheada de créditos, terá de esperar o surgimento de um produto ou serviço interessante. Em nenhuma hipótese as redes aceitam converter moeda virtual em dinheiro vivo.
abs
São Paulo, sábado, 11 de abril de 2009
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi1104200915.htm
Crise estimula escambo entre empresas
Redes que gerenciam troca de produtos e serviços esperam crescer até 50% em 2009, beneficiadas pela escassez de crédito
Permutas movimentaram mais de R$ 40 milhões no país em 2008; dificuldade de planejar gastos com moeda virtual é maior empecilho
RENATO ESSENFELDER
DA REDAÇÃO
Créditos, Únicos, Unidades de Permuta. Com a escassez e consequente encarecimento das linhas de financiamento em reais, empresários têm recorrido a essas e outras moedas virtuais e a uma das práticas mais antigas de negociação, o escambo, como forma de desovar estoques, viabilizar investimentos e não comprometer a saúde do fluxo de caixa.
O princípio dessas permutas segue o modelo milenar: troca de produtos ou serviços entre empresas (veja quadro). Aparece, contudo, modernizado pela criação de redes multilaterais, em que moedas virtuais fazem a intermediação entre empresários e abrem a possibilidade de acumular créditos para investimentos vultosos.
Estimuladas pela crise global, as maiores redes de troca do país estimam crescer entre 30% e 50% neste ano.
"Em dezembro, dobrou a procura de empresas interessadas em aderir à rede. Elas comentavam que estavam em busca de alternativas de negócios diante da crise. Os valores movimentados no sistema também aumentaram significativamente, cerca de 40%", afirma Marco Del Giudice, diretor comercial da Tradaq, a maior rede de trocas do país.
A Tradaq é um caso incomum de empresa que reviu para cima sua projeção de crescimento após o auge da crise, em setembro passado. Agora estima chegar ao final deste ano até 40% maior. Com sua moeda virtual, o Único, movimentou no ano passado R$ 24 milhões em produtos e serviços.
Um caso real é narrado por Ana Lúcia Butolo, gerente da fabricante e vendedora de móveis Armando Cerello, em São Paulo. A marca é associada à Tradaq desde o início da rede, no ano 2000.
Sua maior operação até agora foi para a compra de mil catálogos de uma gráfica associada ao clube. Para acumular os créditos necessários, ofertou mesas, cadeiras, sofás. "A vantagem é não precisar dispor do capital de giro e comprar usando a própria margem de lucro dos nossos produtos. Assim, acabamos gastando menos", diz.
No setor de serviços o intercâmbio é ainda mais forte, porque, ao contrário do que ocorre com mercadorias, não é possível estocar tempo ocioso para usar quando houver demanda. "Ocupar a disponibilidade é interessante porque a "mercadoria" já está lá, não precisa ser produzida. O gasto com água, luz, serviços é mínimo", conta o diretor de operações da Ábaco, que administra os hotéis Howard Johnson e Astron, Carlos Alberto de Carvalho.
Na maior operação de permuta que já fez até hoje, Carvalho trocou diárias de hotel por 45 colchões, que custariam mais de R$ 30 mil em espécie.
"Mas também não vejo a permuta como uma panaceia que resolve tudo. Não dá para planejar resolver a sua vida só com trocas, você nunca sabe quando haverá um produto ou serviço que realmente interesse à disposição na rede. Por isso, se encontrar um comprador que me dê R$ 1 pelo meu serviço, não trocaria isso por um crédito de permuta", pondera.
O hotel Howard Johnson integra a rede Permute. Criada em 2003, possui 600 associados e movimentou em 2008 R$ 9 milhões em negócios. "Encerramos o primeiro trimestre deste ano com crescimento de 25% em afiliados e em operações em relação ao ano passado", conta Nádia Nunes, diretora da Permute, que espera crescer 30% neste ano.
"Com a crise, tem nos surpreendido empresas que antes não demonstravam interesse por permutas, como as do setor energético", completa.
Mais nova, mas também com expectativa de forte crescimento, a Prorede começou a operar em 2004 no Rio e hoje tem 400 associados, movimentou R$ 8 milhões no ano passado e espera elevar esse valor em 50% neste ano. Mas lá a crise não é vista como especial alavanca de negócios. "Não mudamos nossa projeção em razão da crise, porque, ao mesmo tempo que ela gera oportunidades de negócio, somos afetados, como todo o mercado, por uma certa paralisia na tomada de decisões [de potenciais sócios]", conta Márcio Lerner, diretor-executivo.
Dentro da Prorede, e em clubes de permuta em geral, os serviços mais requisitados são ligados a mídia e marketing (inserção de anúncios, brindes, impressão de material gráfico).
Para aumentar as possibilidades de contatos e negócios, várias empresas aderem a mais de uma rede de permuta, já que não há exigência de exclusividade. A fabricante de bebidas Globalbev, por exemplo, é ligada à Permute, à Tradaq e à Prorede. Luciana Bruzzi, gerente de marketing da indústria, conta que, ao se deparar com uma necessidade de investimento (como uma reforma), começa sua pesquisa pelas redes de troca. "Depois cotamos com pagamento em dinheiro e fazemos a comparação de preços."
As trocas, afinal, têm um custo, e não só logístico. As redes cobram comissões sobre as operações, que vão de 4% a 14%. Como há efetiva venda de produtos -ainda que por créditos ficcionais-, é preciso também recolher impostos. E, se você estiver com a carteira recheada de créditos, terá de esperar o surgimento de um produto ou serviço interessante. Em nenhuma hipótese as redes aceitam converter moeda virtual em dinheiro vivo.
Memória emocional
Abaixo uma interessante entrevista sobre como a memória é marcada e existe pela emoção que está impressa nela. Esquecer é superar traumas. Pra pensar...
São Paulo, domingo, 12 de abril de 2009
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1204200908.htm
+Livros
Memória emocional
Professor em Yale, o teólogo Miroslav Volf fala de seu novo livro e diz que o esquecimento também é necessário para superar o mal
A memória de males sofridos confere energia e legitimação ao conflito
CAIO LIUDVIK
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Um dos mais influentes nomes da teologia contemporânea, o croata Miroslav Volf fala, na entrevista abaixo, sobre seu livro "O Fim da Memória".
Com rico repertório filosófico, literário e religioso, o livro é pontuado por lembranças autobiográficas. O hoje professor da Universidade Yale (EUA) evoca os longos interrogatórios a que foi submetido -sob o comando de um oficial de segurança que ele chama de "Capitão G."- durante o serviço militar obrigatório que prestou em 1984, na então Iugoslávia comunista.
E é justamente a partir das angústias e sequelas da experiência de perseguido político que Volf investiga os meandros da "memória da maldade sofrida por alguém que não deseja nem odiar nem ignorar, mas sim amar o malfeitor".
FOLHA - Seria realista ou mesmo "humano" dizer a um pai que ele deve perdoar e amar os assassinos de sua filha? O sr. perdoou realmente o capitão G.?
MIROSLAV VOLF - Sim, perdoei o capitão G., mas o perdão não é simplesmente algo que se faz de uma só vez. Ele acontece quando nos movemos em espiral, por assim dizer, em volta da memória do fato que nos feriu. Perdoamos parte do que aconteceu, mas não o todo; perdoamos, e então retiramos nosso perdão em momentos de ira, e assim por diante. O perdoar é sempre um processo, e frequentemente um processo marcado por reveses inesperados. Não, nunca devemos dizer a um pai que ele "deve" perdoar nem pedir para outros para perdoar (embora seja verdade que "deveríamos" perdoar). O perdão é uma dádiva, e, se é dado, é dado livremente.
FOLHA - Por que existe, em suas palavras, esta "obsessão" do mundo contemporâneo pelA recordação? O 11 de Setembro é um exemplo nesse sentido?
VOLF - Hoje construímos e interpretamos nossa identidade em termos narrativos: somos aquilo que nos aconteceu, o que fizemos, o que outros fizeram a nós, como reagimos ao que outros fizeram a nós etc. Se isso é o que somos, então a memória é essencial. A memória, nesse caso, é nossa identidade; se você perde sua memória, perde seu eu. Quanto maior é o impacto que um ato tem sobre uma pessoa, mais é significativo para nós nos lembrarmos dele. É por isso que juramos nunca esquecer acontecimentos como o 11 de Setembro. Entretanto frequentemente fazemos mau uso dela. A memória do 11 de Setembro, especialmente da maneira como foi manipulada e empregada pela administração George W. Bush, é um caso quase emblemático de quão danosa ela pode ser. Cada conflito -quer aconteça numa sala de jantar ou num gabinete do governo- é movido pela memória. A memória de males sofridos confere energia e legitimação ao conflito. Ao mesmo tempo em que nos asseguramos de não nos expor à violência de outros, podemos fazer da memória dos sofrimentos que nos foram impostos pontes que nos unem aos outros e fontes de motivação para consertar o mundo.
FOLHA - O mundo contemporâneo é marcado por muitas formas de violência e traumas, além da proliferação de terapias para lidar com elas. Em sua opinião, sem um contexto religioso de interpretação desses males, essas terapias tendem a fracassar?
VOLF - Embora algumas terapias sejam contraproducentes, muitas são úteis -dentro de seus limites. Mas frequentemente elas não vão suficientemente longe. Por exemplo, elas frequentemente tratam apenas dos indivíduos, tentando ajudá-los a enfrentar as feridas que sofreram. Mas precisamos consertar também os relacionamentos, mesmo os relacionamentos que nos feriram. E nós mesmos não vamos nos curar a contento se nossos relacionamentos não forem consertados.
FOLHA - Como essa perspectiva teológica sobre o esquecer e o perdoar aqueles que cometem o mal influencia o conceito e a prática da lei e da justiça na sociedade secular?
VOLF - O perdão é o oposto da retaliação, mas não é oposto do castigo. Pode-se punir por outras razões que não apenas a de cobrar o castigo para compensar pelo mal feito. Uma pessoa pode ser perdoada e ainda assim cumprir pena! E uma coisa muito importante: o perdão não é o oposto da justiça. Perdoar significa afirmar o que exige a justiça, porque é afirmar que um malfeito aconteceu e que é um malfeito. É claro que perdoar também significa não nutrir ressentimento pelo malfeitor devido ao malfeito dele.
FOLHA - De que modo "A Divina Comédia" de Dante ilustra o conceito cristão de memória?
VOLF - Como muitos grandes escritores espirituais e teólogos ao longo da história, Dante tinha consciência de que, por estranho isso possa nos parecer, a memória do mal representa uma espécie de triunfo do mal. Se o mal for eternamente recordado, ele continuará a viver eternamente. É por isso que Dante escreve que na entrada do mundo que está por vir -na entrada do paraíso- passaremos por dois rios, o rio do esquecimento dos malfeitos e o rio da recordação das boas ações.
FOLHA - Soa estranho ver Freud mobilizado como defensor de algum "esquecimento" de sofrimentos passados. O sr. poderia explicar esse ponto?
VOLF - Estou usando uma observação simples, mas importante feita por Freud e também por muitos outros (mas o que é significativo é que Freud, cujo trabalho inteiro girou em torno de memórias reprimidas, não a repudiou). A observação é a seguinte: a memória se mantém viva pela energia emocional. Quando essa energia emocional deixa de existir, a memória vai pouco a pouco desaparecendo. Isso é compreensível, porque sempre fazemos algo com as memórias (sempre nos lembramos "para quê" -por exemplo, para que possamos encontrar nossas chaves, para que saibamos como chegar a um lugar, para que possamos evitar o perigo etc.), e, quando perdemos a razão para fazer o que precisamos fazer com as memórias, as memórias podem perder força e desaparecer. Isso está estreitamente vinculado ao que quero demonstrar quando digo que a não-recordação coroa o perdão. Depois de termos perdoado, depois de o relacionamento ter sido consertado, as memórias dos males que nos foram feitos perdem combustível emocional, porque não funcionam mais, e podem desaparecer.
Tradução de Clara Allain.
São Paulo, domingo, 12 de abril de 2009
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1204200908.htm
+Livros
Memória emocional
Professor em Yale, o teólogo Miroslav Volf fala de seu novo livro e diz que o esquecimento também é necessário para superar o mal
A memória de males sofridos confere energia e legitimação ao conflito
CAIO LIUDVIK
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Um dos mais influentes nomes da teologia contemporânea, o croata Miroslav Volf fala, na entrevista abaixo, sobre seu livro "O Fim da Memória".
Com rico repertório filosófico, literário e religioso, o livro é pontuado por lembranças autobiográficas. O hoje professor da Universidade Yale (EUA) evoca os longos interrogatórios a que foi submetido -sob o comando de um oficial de segurança que ele chama de "Capitão G."- durante o serviço militar obrigatório que prestou em 1984, na então Iugoslávia comunista.
E é justamente a partir das angústias e sequelas da experiência de perseguido político que Volf investiga os meandros da "memória da maldade sofrida por alguém que não deseja nem odiar nem ignorar, mas sim amar o malfeitor".
FOLHA - Seria realista ou mesmo "humano" dizer a um pai que ele deve perdoar e amar os assassinos de sua filha? O sr. perdoou realmente o capitão G.?
MIROSLAV VOLF - Sim, perdoei o capitão G., mas o perdão não é simplesmente algo que se faz de uma só vez. Ele acontece quando nos movemos em espiral, por assim dizer, em volta da memória do fato que nos feriu. Perdoamos parte do que aconteceu, mas não o todo; perdoamos, e então retiramos nosso perdão em momentos de ira, e assim por diante. O perdoar é sempre um processo, e frequentemente um processo marcado por reveses inesperados. Não, nunca devemos dizer a um pai que ele "deve" perdoar nem pedir para outros para perdoar (embora seja verdade que "deveríamos" perdoar). O perdão é uma dádiva, e, se é dado, é dado livremente.
FOLHA - Por que existe, em suas palavras, esta "obsessão" do mundo contemporâneo pelA recordação? O 11 de Setembro é um exemplo nesse sentido?
VOLF - Hoje construímos e interpretamos nossa identidade em termos narrativos: somos aquilo que nos aconteceu, o que fizemos, o que outros fizeram a nós, como reagimos ao que outros fizeram a nós etc. Se isso é o que somos, então a memória é essencial. A memória, nesse caso, é nossa identidade; se você perde sua memória, perde seu eu. Quanto maior é o impacto que um ato tem sobre uma pessoa, mais é significativo para nós nos lembrarmos dele. É por isso que juramos nunca esquecer acontecimentos como o 11 de Setembro. Entretanto frequentemente fazemos mau uso dela. A memória do 11 de Setembro, especialmente da maneira como foi manipulada e empregada pela administração George W. Bush, é um caso quase emblemático de quão danosa ela pode ser. Cada conflito -quer aconteça numa sala de jantar ou num gabinete do governo- é movido pela memória. A memória de males sofridos confere energia e legitimação ao conflito. Ao mesmo tempo em que nos asseguramos de não nos expor à violência de outros, podemos fazer da memória dos sofrimentos que nos foram impostos pontes que nos unem aos outros e fontes de motivação para consertar o mundo.
FOLHA - O mundo contemporâneo é marcado por muitas formas de violência e traumas, além da proliferação de terapias para lidar com elas. Em sua opinião, sem um contexto religioso de interpretação desses males, essas terapias tendem a fracassar?
VOLF - Embora algumas terapias sejam contraproducentes, muitas são úteis -dentro de seus limites. Mas frequentemente elas não vão suficientemente longe. Por exemplo, elas frequentemente tratam apenas dos indivíduos, tentando ajudá-los a enfrentar as feridas que sofreram. Mas precisamos consertar também os relacionamentos, mesmo os relacionamentos que nos feriram. E nós mesmos não vamos nos curar a contento se nossos relacionamentos não forem consertados.
FOLHA - Como essa perspectiva teológica sobre o esquecer e o perdoar aqueles que cometem o mal influencia o conceito e a prática da lei e da justiça na sociedade secular?
VOLF - O perdão é o oposto da retaliação, mas não é oposto do castigo. Pode-se punir por outras razões que não apenas a de cobrar o castigo para compensar pelo mal feito. Uma pessoa pode ser perdoada e ainda assim cumprir pena! E uma coisa muito importante: o perdão não é o oposto da justiça. Perdoar significa afirmar o que exige a justiça, porque é afirmar que um malfeito aconteceu e que é um malfeito. É claro que perdoar também significa não nutrir ressentimento pelo malfeitor devido ao malfeito dele.
FOLHA - De que modo "A Divina Comédia" de Dante ilustra o conceito cristão de memória?
VOLF - Como muitos grandes escritores espirituais e teólogos ao longo da história, Dante tinha consciência de que, por estranho isso possa nos parecer, a memória do mal representa uma espécie de triunfo do mal. Se o mal for eternamente recordado, ele continuará a viver eternamente. É por isso que Dante escreve que na entrada do mundo que está por vir -na entrada do paraíso- passaremos por dois rios, o rio do esquecimento dos malfeitos e o rio da recordação das boas ações.
FOLHA - Soa estranho ver Freud mobilizado como defensor de algum "esquecimento" de sofrimentos passados. O sr. poderia explicar esse ponto?
VOLF - Estou usando uma observação simples, mas importante feita por Freud e também por muitos outros (mas o que é significativo é que Freud, cujo trabalho inteiro girou em torno de memórias reprimidas, não a repudiou). A observação é a seguinte: a memória se mantém viva pela energia emocional. Quando essa energia emocional deixa de existir, a memória vai pouco a pouco desaparecendo. Isso é compreensível, porque sempre fazemos algo com as memórias (sempre nos lembramos "para quê" -por exemplo, para que possamos encontrar nossas chaves, para que saibamos como chegar a um lugar, para que possamos evitar o perigo etc.), e, quando perdemos a razão para fazer o que precisamos fazer com as memórias, as memórias podem perder força e desaparecer. Isso está estreitamente vinculado ao que quero demonstrar quando digo que a não-recordação coroa o perdão. Depois de termos perdoado, depois de o relacionamento ter sido consertado, as memórias dos males que nos foram feitos perdem combustível emocional, porque não funcionam mais, e podem desaparecer.
Tradução de Clara Allain.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
"Que é árvore, fessora?!!"
Sociedade e natureza, todo mundo fala sobre mas ninguém sabe onde fica, como diz Regina Casé.
Fomos MUITO mal no ranking sobre conhecimento ambiental nas escolas. E temos o maior patrimônio ambiental do mundo. Erro das escolas em falar de ecologia no último ano chutado antes do vestibular. Erro nosso, jornalístico, ao discutir ambiente só na última página do caderno
...
São Paulo, sábado, 04 de abril de 2009
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0404200926.htm
Prova sobre ambiente reprova 1/3 dos alunos
Exame feito em 57 países colocou Brasil na 54ª posição; 37% dos alunos apresentaram conhecimento mínimo sobre questões ambientais
Jovens têm de estar preparados para lidar com o tema, diz relatório; para docente, país precisa investir em formação de professores
ANTÔNIO GOIS
DA SUCURSAL DO RIO
Mais de um terço dos alunos brasileiros têm nível mínimo de conhecimento sobre questões ambientais. Entre 57 nações comparadas, só três (Catar, Quirguistão e Azerbaijão) obtiveram resultados piores.
Essas são as conclusões de um estudo divulgado na última terça-feira pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que, de três em três anos, organiza o Pisa, exame internacional que compara o desempenho de jovens de 15 anos em leitura, matemática e ciências.
O último exame, aplicado em 2006, teve como foco principal o aprendizado de ciências. O estudo mais recente selecionou, dessa prova, apenas as questões relacionadas à preservação do ambiente, como consequências do aquecimento global, poluição, fontes de energia alternativas, entre outras.
No Brasil, 37% dos estudantes ficaram abaixo do nível mais baixo de conhecimento sobre essas questões e apenas 5% ficaram na escala máxima.
A Finlândia, país com melhor desempenho, teve 6% dos estudantes abaixo do menor nível e 25% no maior.
A média dos países da OCDE (entidade que reúne principalmente as nações desenvolvidas da Europa, América do Norte e Ásia) é de 16% dos estudantes abaixo do menor nível da escala e 19% no topo.
O estudo destaca a importância de preparar os jovens em conhecimentos para lidar com os desafios ambientais.
Uma constatação positiva do trabalho é que a maioria dos estudantes em quase todos os países e níveis de renda, inclusive no Brasil, se mostraram preocupados e conscientes de que é preciso agir.
Para 97% dos jovens brasileiros, por exemplo, a poluição do ar é um tema que exige séria preocupação da sociedade. Só 21% deles se mostraram otimistas com relação à possibilidade de melhoria nos próximos 20 anos, caso nada seja feito.
O desafio, diz o relatório, é dar aos alunos conhecimentos e habilidades para entenderem melhor as questões ambientais.
Um exemplo citado pela OCDE é o fato de que mais de 90% dos alunos que fizeram o exame em 2006 disseram estar familiarizados com o tema da poluição do ar. No entanto, numa questão sobre a chuva ácida, quando questionados a citar uma fonte de poluição -como emissões de gases por carros ou fábricas- metade não foi capaz de dar uma resposta correta.
Para Marta Feijó Barroso, professora do Instituto de Física da UFRJ e autora de estudos sobre o ensino de ciências no Brasil, é preciso investir mais na formação de professores, que, disse, é um das principais características dos países bem avaliados, como a Finlândia.
"Os estudantes falam muito sobre ambiente, mas sabem pouco a respeito. Para isso, é fundamental preparar melhor os professores. Malformado e sem segurança para trabalhar questões complexas e que envolvem o conhecimento interdisciplinar, a tendência é esse profissional adotar a lei do menor esforço e priorizar o discurso político, sem se aprofundar no conhecimento", disse.
Para ela, sem isso, de pouco adiantará introduzir questões no currículo ou cobrar dos professores melhores resultados em avaliações externas.
Na última versão do exame, de 2006, os estudantes brasileiros ficaram nas últimas colocações nos rankings de ciências, leitura e matemática.
Fomos MUITO mal no ranking sobre conhecimento ambiental nas escolas. E temos o maior patrimônio ambiental do mundo. Erro das escolas em falar de ecologia no último ano chutado antes do vestibular. Erro nosso, jornalístico, ao discutir ambiente só na última página do caderno
...
São Paulo, sábado, 04 de abril de 2009
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0404200926.htm
Prova sobre ambiente reprova 1/3 dos alunos
Exame feito em 57 países colocou Brasil na 54ª posição; 37% dos alunos apresentaram conhecimento mínimo sobre questões ambientais
Jovens têm de estar preparados para lidar com o tema, diz relatório; para docente, país precisa investir em formação de professores
ANTÔNIO GOIS
DA SUCURSAL DO RIO
Mais de um terço dos alunos brasileiros têm nível mínimo de conhecimento sobre questões ambientais. Entre 57 nações comparadas, só três (Catar, Quirguistão e Azerbaijão) obtiveram resultados piores.
Essas são as conclusões de um estudo divulgado na última terça-feira pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que, de três em três anos, organiza o Pisa, exame internacional que compara o desempenho de jovens de 15 anos em leitura, matemática e ciências.
O último exame, aplicado em 2006, teve como foco principal o aprendizado de ciências. O estudo mais recente selecionou, dessa prova, apenas as questões relacionadas à preservação do ambiente, como consequências do aquecimento global, poluição, fontes de energia alternativas, entre outras.
No Brasil, 37% dos estudantes ficaram abaixo do nível mais baixo de conhecimento sobre essas questões e apenas 5% ficaram na escala máxima.
A Finlândia, país com melhor desempenho, teve 6% dos estudantes abaixo do menor nível e 25% no maior.
A média dos países da OCDE (entidade que reúne principalmente as nações desenvolvidas da Europa, América do Norte e Ásia) é de 16% dos estudantes abaixo do menor nível da escala e 19% no topo.
O estudo destaca a importância de preparar os jovens em conhecimentos para lidar com os desafios ambientais.
Uma constatação positiva do trabalho é que a maioria dos estudantes em quase todos os países e níveis de renda, inclusive no Brasil, se mostraram preocupados e conscientes de que é preciso agir.
Para 97% dos jovens brasileiros, por exemplo, a poluição do ar é um tema que exige séria preocupação da sociedade. Só 21% deles se mostraram otimistas com relação à possibilidade de melhoria nos próximos 20 anos, caso nada seja feito.
O desafio, diz o relatório, é dar aos alunos conhecimentos e habilidades para entenderem melhor as questões ambientais.
Um exemplo citado pela OCDE é o fato de que mais de 90% dos alunos que fizeram o exame em 2006 disseram estar familiarizados com o tema da poluição do ar. No entanto, numa questão sobre a chuva ácida, quando questionados a citar uma fonte de poluição -como emissões de gases por carros ou fábricas- metade não foi capaz de dar uma resposta correta.
Para Marta Feijó Barroso, professora do Instituto de Física da UFRJ e autora de estudos sobre o ensino de ciências no Brasil, é preciso investir mais na formação de professores, que, disse, é um das principais características dos países bem avaliados, como a Finlândia.
"Os estudantes falam muito sobre ambiente, mas sabem pouco a respeito. Para isso, é fundamental preparar melhor os professores. Malformado e sem segurança para trabalhar questões complexas e que envolvem o conhecimento interdisciplinar, a tendência é esse profissional adotar a lei do menor esforço e priorizar o discurso político, sem se aprofundar no conhecimento", disse.
Para ela, sem isso, de pouco adiantará introduzir questões no currículo ou cobrar dos professores melhores resultados em avaliações externas.
Na última versão do exame, de 2006, os estudantes brasileiros ficaram nas últimas colocações nos rankings de ciências, leitura e matemática.
Na crise, jornais crescem com inovações
Na crise, gente ganha com inovação. Nem que seja sugando o zumo dos jornalistas, ou dourando a pílula da notícia em novas mídias. Mas enfim, vejamos onde vamos parar.
abs!
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0404200929.htm
Na Europa, empresas jornalísticas exploram a internet e diversificam publicações para aumentar circulação e receitas
Maior jornal da Europa, "Bild" cresce diante da crise e avalia a aquisição de títulos na Alemanha, no Leste Europeu e nos EUA
ERIC PFANNER
DO "NEW YORK TIMES", EM PARIS
Enquanto a contagem de mortos no setor americano de jornais aumentava em março, a empresa alemã Axel Springer, proprietária do "Bild", o maior jornal da Europa, anunciava o maior lucro de seus 62 anos.
Na sede da Springer em Berlim, não se ouvem discussões desesperadas sobre como sobreviver à recessão e à revolução digital. Em lugar disso, seu executivo-chefe, Mathias Döpfner, disse que está procurando oportunidades de expansão, buscando aquisições na Alemanha, no Leste Europeu e possivelmente até nos EUA.
"Não acredito no fim do jornalismo", disse Döpfner. "Pelo contrário, acho que a crise pode ter um impacto positivo. O número de atores vai diminuir, mas os mais fortes podem sair da crise mais estáveis."
Os jornais americanos são vistos em grande parte do mundo como o padrão de ouro do jornalismo. Mas o modelo econômico dos diários americanos parece estar falido. Embora boa parte da Europa enfrente iguais problemas, alguns publishers vêm encontrando maneiras inovadoras não apenas de sobreviver, mas de crescer diante da recessão e da internet.
A Axel Springer gera 14% de sua receita on-line, mais do que a maioria dos jornais americanos. Uma razão disso, segundo Döpfner, é que ousou competir com ela mesma. Em lugar de tentar proteger publicações existentes, vem adquirindo ou criando novas, algumas das quais distribuem conteúdo igual a públicos diferentes.
Em uma Redação em Berlim, por exemplo, jornalistas produzem textos para seis publicações, entre jornais e sites. Embora os anúncios tenham caído, a Springer compensa parte da queda elevando o preço de publicações como o popular "Bild", que vende mais de 3 milhões de exemplares.
Mas mesmo na Europa o cenário é difícil e, em alguns países, os jornais se encontram em situação pior do que nos Estados Unidos. Vários diários franceses continuam vivos à custa de subsídios públicos. No ultracompetitivo mercado britânico, os jornais nacionais estão lutando para ganhar dinheiro, enquanto os periódicos locais vêm desaparecendo.
Mas há sinais de vida jornalística no continente. A circulação dos jornais vem caindo mais lentamente que nos EUA. A maioria dos jornais foi menos afetada pela recessão que os diários americanos, porque dependem de seus leitores, mais que dos anunciantes, que tendem a ser mais volúveis.
Inovações
Embora ninguém tenha encontrado uma solução mágica, algumas empresas europeias acharam maneiras de fazer frente aos desafios. Na empresa de jornais Schibsted, sediada em Oslo (Noruega), as atividades on-line -que incluem jornais, sites de classificados e outros- garantem um quarto da receita da empresa e a grande maioria dos lucros.
O melhor desempenho on-line é do VG Nett, um site filiado, embora não estreitamente, ao jornal tabloide "Verdens Gang". O VG Nett tem margem de lucro de mais de 30% e concorre com o Google como o site mais popular da Noruega.
Como a maioria dos sites de jornais, o VG Nett gera a maior parte de sua receita com anúncios, mas começa a levantar dinheiro de seus usuários. Cerca de 150 mil pessoas pagam até 599 coroas -cerca de R$ 200- por ano para participar de um clube de emagrecimento.
Recentemente o VG Nett começou a cobrar até R$ 270 por ano dos usuários que assistem partidas de futebol ao vivo em vídeos de seu site. E uma rede social ligada ao VG Nett cobra dos usuários para atualizar seus perfis. Mas o acesso às notícias continua a ser gratuito.
Música
A inspiração para alternativas de financiamento também vem da indústria musical, um setor que perdeu mais de um quarto de suas vendas globais nos últimos dez anos. Ao lado dos destroços deixados pela pirataria digital, novos modelos econômicos estão emergindo no segmento, e a Europa está na vanguarda deles.
Poucos europeus se dispõem a pagar diretamente por música através de serviços como o iTunes, então, em vez disso, a indústria passou a empacotar os custos de música numa assinatura de banda larga, como fazem os canais de TV paga.
O Projeto de Excelência em Jornalismo, sediado em Washington, cético quanto à aplicação de micropagamentos de leitores a jornais, sugeriu que se ofereça acesso a sites de jornais em troca de uma taxa paga já ao provedor de acesso à internet.
Ainda no mundo virtual, a concorrência com o Google preocupa. Um grupo de jornais belgas conseguiu, há dois anos, que um tribunal determinasse ao Google que removesse o conteúdo deles de seu serviço Google News, que resume artigos de jornais e fornece links para os sites originais. Os jornais belgas argumentaram que o Google News violara seus direitos autorais. Recurso contra a decisão ainda será julgado.
Isso não tem ajudado os jornais a ganhar dinheiro on-line, mas Margaret Boribon, secretária-geral da organização de jornais belgas, a Copiepresse, defende que "a principal questão para nós é não termos gigantes nos matando".
Tradução de CLARA ALLAIN
abs!
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0404200929.htm
Na Europa, empresas jornalísticas exploram a internet e diversificam publicações para aumentar circulação e receitas
Maior jornal da Europa, "Bild" cresce diante da crise e avalia a aquisição de títulos na Alemanha, no Leste Europeu e nos EUA
ERIC PFANNER
DO "NEW YORK TIMES", EM PARIS
Enquanto a contagem de mortos no setor americano de jornais aumentava em março, a empresa alemã Axel Springer, proprietária do "Bild", o maior jornal da Europa, anunciava o maior lucro de seus 62 anos.
Na sede da Springer em Berlim, não se ouvem discussões desesperadas sobre como sobreviver à recessão e à revolução digital. Em lugar disso, seu executivo-chefe, Mathias Döpfner, disse que está procurando oportunidades de expansão, buscando aquisições na Alemanha, no Leste Europeu e possivelmente até nos EUA.
"Não acredito no fim do jornalismo", disse Döpfner. "Pelo contrário, acho que a crise pode ter um impacto positivo. O número de atores vai diminuir, mas os mais fortes podem sair da crise mais estáveis."
Os jornais americanos são vistos em grande parte do mundo como o padrão de ouro do jornalismo. Mas o modelo econômico dos diários americanos parece estar falido. Embora boa parte da Europa enfrente iguais problemas, alguns publishers vêm encontrando maneiras inovadoras não apenas de sobreviver, mas de crescer diante da recessão e da internet.
A Axel Springer gera 14% de sua receita on-line, mais do que a maioria dos jornais americanos. Uma razão disso, segundo Döpfner, é que ousou competir com ela mesma. Em lugar de tentar proteger publicações existentes, vem adquirindo ou criando novas, algumas das quais distribuem conteúdo igual a públicos diferentes.
Em uma Redação em Berlim, por exemplo, jornalistas produzem textos para seis publicações, entre jornais e sites. Embora os anúncios tenham caído, a Springer compensa parte da queda elevando o preço de publicações como o popular "Bild", que vende mais de 3 milhões de exemplares.
Mas mesmo na Europa o cenário é difícil e, em alguns países, os jornais se encontram em situação pior do que nos Estados Unidos. Vários diários franceses continuam vivos à custa de subsídios públicos. No ultracompetitivo mercado britânico, os jornais nacionais estão lutando para ganhar dinheiro, enquanto os periódicos locais vêm desaparecendo.
Mas há sinais de vida jornalística no continente. A circulação dos jornais vem caindo mais lentamente que nos EUA. A maioria dos jornais foi menos afetada pela recessão que os diários americanos, porque dependem de seus leitores, mais que dos anunciantes, que tendem a ser mais volúveis.
Inovações
Embora ninguém tenha encontrado uma solução mágica, algumas empresas europeias acharam maneiras de fazer frente aos desafios. Na empresa de jornais Schibsted, sediada em Oslo (Noruega), as atividades on-line -que incluem jornais, sites de classificados e outros- garantem um quarto da receita da empresa e a grande maioria dos lucros.
O melhor desempenho on-line é do VG Nett, um site filiado, embora não estreitamente, ao jornal tabloide "Verdens Gang". O VG Nett tem margem de lucro de mais de 30% e concorre com o Google como o site mais popular da Noruega.
Como a maioria dos sites de jornais, o VG Nett gera a maior parte de sua receita com anúncios, mas começa a levantar dinheiro de seus usuários. Cerca de 150 mil pessoas pagam até 599 coroas -cerca de R$ 200- por ano para participar de um clube de emagrecimento.
Recentemente o VG Nett começou a cobrar até R$ 270 por ano dos usuários que assistem partidas de futebol ao vivo em vídeos de seu site. E uma rede social ligada ao VG Nett cobra dos usuários para atualizar seus perfis. Mas o acesso às notícias continua a ser gratuito.
Música
A inspiração para alternativas de financiamento também vem da indústria musical, um setor que perdeu mais de um quarto de suas vendas globais nos últimos dez anos. Ao lado dos destroços deixados pela pirataria digital, novos modelos econômicos estão emergindo no segmento, e a Europa está na vanguarda deles.
Poucos europeus se dispõem a pagar diretamente por música através de serviços como o iTunes, então, em vez disso, a indústria passou a empacotar os custos de música numa assinatura de banda larga, como fazem os canais de TV paga.
O Projeto de Excelência em Jornalismo, sediado em Washington, cético quanto à aplicação de micropagamentos de leitores a jornais, sugeriu que se ofereça acesso a sites de jornais em troca de uma taxa paga já ao provedor de acesso à internet.
Ainda no mundo virtual, a concorrência com o Google preocupa. Um grupo de jornais belgas conseguiu, há dois anos, que um tribunal determinasse ao Google que removesse o conteúdo deles de seu serviço Google News, que resume artigos de jornais e fornece links para os sites originais. Os jornais belgas argumentaram que o Google News violara seus direitos autorais. Recurso contra a decisão ainda será julgado.
Isso não tem ajudado os jornais a ganhar dinheiro on-line, mas Margaret Boribon, secretária-geral da organização de jornais belgas, a Copiepresse, defende que "a principal questão para nós é não termos gigantes nos matando".
Tradução de CLARA ALLAIN
Piratas ou comunitárias?

Señores,
um site para se manter além da visão comum do jornalismo e comunicação com apenas função de lucro.
Sugiro leitura da matéria sobre rádios comunitárias, que coloco um trecho abaixo. Não se discute para que servem, simplesmente se cumpre a lei. Que não serve a mim ou a você, cidadão, mas às empresas que têm concessões que nós não concedemos.
abs
Edson
Na contramão da democratização, Anatel destrói toneladas de equipamentos de rádios comunitárias
09/04/2009 |
Redação*
FNDC
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) destruiu oito toneladas de equipamentos de rádios comunitárias de São Paulo, na última quarta-feira (8), alegando estar coibindo “atividades ilegais”.
O ato da Anatel foi repudiado e condenado com veemência pelos coordenadores-executivos do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), para quem a Agência age “na contramão da democratização” no momento em que o Governo Federal está prestes a convocar a 1ª. Conferência Nacional de Comunicação, atendendo os clamores dos movimentos sociais.
Assistida pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), a destruição foi feita com máquinas cedidas pela prefeitura e ocorreu no aeroporto de Congonhas. A escolha do local foi premeditada, tendo a Anatel evocado o já comprovadamente insustentável argumento de que o sinal emitido pelas rádios comunitárias interfere no tráfego aéreo e o coloca em risco. ... (mais em www.fndc.org.br )
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Ambientes virtuais: Facebook
Existe uma teoria de que em 8 pessoas alguèm pode chegar a qualquer um no planeta. Será que isso vai acontecer através dos ambientes virtuais? Ou vamos ficar apenas nos scraps de feliz aniversário?
abs!
São Paulo, segunda-feira, 06 de abril de 2009
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/ny0604200901.htm
200 MILHÕES de pessoas conectadas
A explosiva expansão de uma empresa cria uma metamorfose digital para o poder das massas
Serviço de internet permitiu a um cidadão comum ficar amigo de primeiro-ministro
Por BRAD STONE
Quando o site de relacionamentos Facebook ganhou seu centésimo milionésimo membro, em agosto, seus empregados se espalharam por dois parques de Palo Alto, na Califórnia, para um enorme churrasco. Em breve, essa empresa criada há cinco anos num alojamento estudantil da Universidade Harvard espera registrar seu usuário de número 200 milhões.
Essa incrível taxa de crescimento —dobrando de tamanho em apenas oito meses— mostra que o Facebook está rapidamente se tornando o ecossistema social dominante na internet, além de uma ferramenta essencial para contatos pessoais e profissionais.
Apesar disso, os executivos do Facebook não pretendem comemorar o novo marco de forma significativa. Talvez seja uma má hora para celebrar. A empresa que deu aos usuários novas formas de se conectar e falar aos poderosos agora se vê como alvo do formidável poder de fogo das massas —no caso mais recente, por causa de mudanças polêmicas nas páginas dos usuários.
Ao se expandir, o Facebook também luta para acompanhar o ímpeto de novidades como o microblog Twitter, ao mesmo tempo em que tem de administrar as expectativas dos seus primeiros usuários, jovens íntimos da tecnologia, atrair pais e mães convencionais e justificar sua avaliação às vezes estratosférica: ao investir na empresa, em 2007, a Microsoft estimou seu valor em US$ 15 bilhões.
A equipe de Mark Zuckerberg, 24, cofundador e executivo-chefe da empresa, registra quase 1 milhão de novos membros por dia, e mais de 70% dos usuários vivem no exterior. A presença do Facebook em países como Itália, República Tcheca e Indonésia disparou no ano passado, quando a empresa passou a oferecer o site nos respectivos idiomas.
Tudo isso coloca o Facebook em pé de igualdade com outros serviços pioneiros —e enormemente populares—, como o e-mail grátis, o Google, a rede de telefonia Skype e sites de comércio eletrônico como o eBay. Mas o Facebook promete mudar nossa comunicação de modo ainda mais fundamental, em parte por mapear digitalmente e vincular pessoas separadas pelo espaço e o tempo, permitindo que compartilhem publicamente uma miríade de elementos das suas vidas, às vezes muito pessoais.
O Facebook também pode ajudar a reconstruir famílias. Karen Haber, que mora nos arredores de Tel Aviv, Israel, entra toda noite no Facebook depois de colocar seus dois filhos para dormir. Ela procura pelos vários sobrenomes da família, em busca de parentes do outrora vasto clã Bachenheimer, do norte da Alemanha, que se dispersou pelo globo devido ao Holocausto.
“Nunca fui ligada em genealogia e agora, de repente, tenho essa ferramenta que me ajuda a encontrar os descendentes das pessoas que meus avós conheciam, pessoas que compartilham da mesma verdade que eu”, diz Haber. “Estou usando o Facebook e tentando unir a família.”
O Facebook também virou veículo para o ativismo —como na mobilização de 12 milhões de pessoas, no ano passado, para passeatas no mundo todo contra as práticas das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Zuckerberg cita também o caso de Claus Drachmann, professor dinamarquês, que pelo Facebook ficou “amigo” do primeiro-ministro Anders Fogh Rasmussen. Drachmann posteriormente convidou Rasmussen a falar para sua classe de crianças com necessidades especiais, e o premiê foi. Para Zuckerberg, essa história ilustra o poder do Facebook para superar barreiras sociais arbitrárias. “O interessante é que foi possível para uma pessoa comum chegar a seu primeiro-ministro.”
Zuckerberg diz que a métrica mais importante do Facebook não é a quantidade de membros, e sim o percentual do mundo conectado que usa o site e a quantidade de informação que passa por seus servidores.
A missão do Facebook, diz ele, é ser usado por todas as pessoas no mundo para compartilhar informações continuamente. “Duzentos milhões num mundo de 6 bilhões é pouco”, diz ele. “É um marco legal, especialmente em tão pouco tempo. Mas ainda há muito mais por fazer.”
Nessa desabalada carreira, o Facebook ainda tem de fazer desvios para apaziguar alguns usuários. Mais de 2,5 milhões de dissidentes aderiram a um grupo no próprio site cujo nome em inglês significa “Milhões contra os novos layout e termos de serviço do Facebook”. Outros usam suas próprias atualizações para criticar as mudanças, que agora, ironicamente, são distribuídas com muito mais visibilidade para todos os seus amigos de Facebook.
Executivos do site dizem que as mudanças servem para tornar mais fácil, rápido e urgente o ato de compartilhar —não só informações sobre os usuários, mas o que as pessoas estão fazendo.
O conflito em torno da mudança de projeto gráfico diz muito sobre o desafio de agradar 200 milhões de usuários, muitos dos quais se orgulham de ter ajudado a construir o site, com trabalho gratuito e contribuições muito pessoais.
O Facebook “tem um problema estranho”, diz S. Shyam Sundar, codiretor do Laboratório de Pesquisas dos Efeitos da Mídia, na Universidade Estadual da Pensilvânia. “Trata-se de uma tecnologia que inerentemente gerou comunidade, e chegou a um ponto em que os membros dessa comunidade sentem-se não só no direito, mas também com poderes de desafiar a companhia.”
Essas tensões já explodiram antes, quando o Facebook anunciou o intrusivo sistema de publicidade Beacon, em 2007, e novamente no começo deste ano, quando introduziu novos termos de serviço que pareciam dar à empresa amplo controle comercial sobre o conteúdo colocado pelos usuários.
O Facebook respondeu aos protestos contra a segunda medida, prometendo aos usuários um direito de voto sobre como o site seria governado. Mas, se o Facebook está disposto a dar voz aos usuários, não necessariamente quer ouvi-los. “Isto não é uma democracia”, diz Chris Cox, 26, diretor de produtos do Facebook. “Estamos aqui para construir um meio de comunicação da internet e achamos que temos suficiente perspectiva para fazermos isso e sermos os zeladores desta visão.”
O Facebook recentemente introduziu ferramentas publicitárias que permitem às empresas focar em usuários com base no idioma usado e na sua localização. Por exemplo, um anunciante pode preparar mensagens sob medida para a comunidade latina de Los Angeles, ou para francófonos de Montreal.
Apesar do desânimo que permeia grande parte do mundo publicitário e dos formidáveis desafios que o site enfrenta, alguns anunciantes dizem antever o futuro na publicidade interativa do Facebook.
“Todos os nossos clientes querem ver se conseguem fazer isso funcionar”, disse Al Cadena, diretor de contas interativas da Threshold Interactive, de Los Angeles, que representa empresas como Nestlé, Honda e Sony.
“A publicidade costumava ser uma comunicação de mão única, mas agora as pessoas querem ter diálogo. E o Facebook está se tornando a forma padrão para isso, não só nos EUA, mas no mundo inteiro.”
abs!
São Paulo, segunda-feira, 06 de abril de 2009
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/ny0604200901.htm
200 MILHÕES de pessoas conectadas
A explosiva expansão de uma empresa cria uma metamorfose digital para o poder das massas
Serviço de internet permitiu a um cidadão comum ficar amigo de primeiro-ministro
Por BRAD STONE
Quando o site de relacionamentos Facebook ganhou seu centésimo milionésimo membro, em agosto, seus empregados se espalharam por dois parques de Palo Alto, na Califórnia, para um enorme churrasco. Em breve, essa empresa criada há cinco anos num alojamento estudantil da Universidade Harvard espera registrar seu usuário de número 200 milhões.
Essa incrível taxa de crescimento —dobrando de tamanho em apenas oito meses— mostra que o Facebook está rapidamente se tornando o ecossistema social dominante na internet, além de uma ferramenta essencial para contatos pessoais e profissionais.
Apesar disso, os executivos do Facebook não pretendem comemorar o novo marco de forma significativa. Talvez seja uma má hora para celebrar. A empresa que deu aos usuários novas formas de se conectar e falar aos poderosos agora se vê como alvo do formidável poder de fogo das massas —no caso mais recente, por causa de mudanças polêmicas nas páginas dos usuários.
Ao se expandir, o Facebook também luta para acompanhar o ímpeto de novidades como o microblog Twitter, ao mesmo tempo em que tem de administrar as expectativas dos seus primeiros usuários, jovens íntimos da tecnologia, atrair pais e mães convencionais e justificar sua avaliação às vezes estratosférica: ao investir na empresa, em 2007, a Microsoft estimou seu valor em US$ 15 bilhões.
A equipe de Mark Zuckerberg, 24, cofundador e executivo-chefe da empresa, registra quase 1 milhão de novos membros por dia, e mais de 70% dos usuários vivem no exterior. A presença do Facebook em países como Itália, República Tcheca e Indonésia disparou no ano passado, quando a empresa passou a oferecer o site nos respectivos idiomas.
Tudo isso coloca o Facebook em pé de igualdade com outros serviços pioneiros —e enormemente populares—, como o e-mail grátis, o Google, a rede de telefonia Skype e sites de comércio eletrônico como o eBay. Mas o Facebook promete mudar nossa comunicação de modo ainda mais fundamental, em parte por mapear digitalmente e vincular pessoas separadas pelo espaço e o tempo, permitindo que compartilhem publicamente uma miríade de elementos das suas vidas, às vezes muito pessoais.
O Facebook também pode ajudar a reconstruir famílias. Karen Haber, que mora nos arredores de Tel Aviv, Israel, entra toda noite no Facebook depois de colocar seus dois filhos para dormir. Ela procura pelos vários sobrenomes da família, em busca de parentes do outrora vasto clã Bachenheimer, do norte da Alemanha, que se dispersou pelo globo devido ao Holocausto.
“Nunca fui ligada em genealogia e agora, de repente, tenho essa ferramenta que me ajuda a encontrar os descendentes das pessoas que meus avós conheciam, pessoas que compartilham da mesma verdade que eu”, diz Haber. “Estou usando o Facebook e tentando unir a família.”
O Facebook também virou veículo para o ativismo —como na mobilização de 12 milhões de pessoas, no ano passado, para passeatas no mundo todo contra as práticas das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Zuckerberg cita também o caso de Claus Drachmann, professor dinamarquês, que pelo Facebook ficou “amigo” do primeiro-ministro Anders Fogh Rasmussen. Drachmann posteriormente convidou Rasmussen a falar para sua classe de crianças com necessidades especiais, e o premiê foi. Para Zuckerberg, essa história ilustra o poder do Facebook para superar barreiras sociais arbitrárias. “O interessante é que foi possível para uma pessoa comum chegar a seu primeiro-ministro.”
Zuckerberg diz que a métrica mais importante do Facebook não é a quantidade de membros, e sim o percentual do mundo conectado que usa o site e a quantidade de informação que passa por seus servidores.
A missão do Facebook, diz ele, é ser usado por todas as pessoas no mundo para compartilhar informações continuamente. “Duzentos milhões num mundo de 6 bilhões é pouco”, diz ele. “É um marco legal, especialmente em tão pouco tempo. Mas ainda há muito mais por fazer.”
Nessa desabalada carreira, o Facebook ainda tem de fazer desvios para apaziguar alguns usuários. Mais de 2,5 milhões de dissidentes aderiram a um grupo no próprio site cujo nome em inglês significa “Milhões contra os novos layout e termos de serviço do Facebook”. Outros usam suas próprias atualizações para criticar as mudanças, que agora, ironicamente, são distribuídas com muito mais visibilidade para todos os seus amigos de Facebook.
Executivos do site dizem que as mudanças servem para tornar mais fácil, rápido e urgente o ato de compartilhar —não só informações sobre os usuários, mas o que as pessoas estão fazendo.
O conflito em torno da mudança de projeto gráfico diz muito sobre o desafio de agradar 200 milhões de usuários, muitos dos quais se orgulham de ter ajudado a construir o site, com trabalho gratuito e contribuições muito pessoais.
O Facebook “tem um problema estranho”, diz S. Shyam Sundar, codiretor do Laboratório de Pesquisas dos Efeitos da Mídia, na Universidade Estadual da Pensilvânia. “Trata-se de uma tecnologia que inerentemente gerou comunidade, e chegou a um ponto em que os membros dessa comunidade sentem-se não só no direito, mas também com poderes de desafiar a companhia.”
Essas tensões já explodiram antes, quando o Facebook anunciou o intrusivo sistema de publicidade Beacon, em 2007, e novamente no começo deste ano, quando introduziu novos termos de serviço que pareciam dar à empresa amplo controle comercial sobre o conteúdo colocado pelos usuários.
O Facebook respondeu aos protestos contra a segunda medida, prometendo aos usuários um direito de voto sobre como o site seria governado. Mas, se o Facebook está disposto a dar voz aos usuários, não necessariamente quer ouvi-los. “Isto não é uma democracia”, diz Chris Cox, 26, diretor de produtos do Facebook. “Estamos aqui para construir um meio de comunicação da internet e achamos que temos suficiente perspectiva para fazermos isso e sermos os zeladores desta visão.”
O Facebook recentemente introduziu ferramentas publicitárias que permitem às empresas focar em usuários com base no idioma usado e na sua localização. Por exemplo, um anunciante pode preparar mensagens sob medida para a comunidade latina de Los Angeles, ou para francófonos de Montreal.
Apesar do desânimo que permeia grande parte do mundo publicitário e dos formidáveis desafios que o site enfrenta, alguns anunciantes dizem antever o futuro na publicidade interativa do Facebook.
“Todos os nossos clientes querem ver se conseguem fazer isso funcionar”, disse Al Cadena, diretor de contas interativas da Threshold Interactive, de Los Angeles, que representa empresas como Nestlé, Honda e Sony.
“A publicidade costumava ser uma comunicação de mão única, mas agora as pessoas querem ter diálogo. E o Facebook está se tornando a forma padrão para isso, não só nos EUA, mas no mundo inteiro.”
Ambientes virtuais: Wikipedia
Bela comparaçao entre Wiki e organizaçao das cidades e das pessoas. Será mais que uma enciclopédia, mas um novo modo de vida?
abs
São Paulo, segunda-feira, 06 de abril de 2009
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/ny0604200903.htm
Tendências Mundiais
Ensaio
Noam Cohen
A Wikipédia e a urbanidade
Enciclopédia virtual imita a civilidade e a auto-organização das cidades
Em seus sete anos de existência, a Wikipédia tornou-se um dos dez principais sites globais. Ela tem muito menos visitantes que o Google, mas está próxima da Amazon e do eBay. Centenas de milhares de pessoas —algumas anônimas, algumas usando pseudônimos, outras que são quem dizem ser— se uniram até agora para colaborar.
Mas ultimamente os contribuintes da Wikipédia têm-se perguntado em voz alta se estão ficando sem assunto. Artigos óbvios, como "China" e "Moisés", foram reescritos centenas de vezes. Há mais de 2,8 milhões de artigos somente na versão em inglês da Wikipédia. Em março, a enciclopédia ganhou sua primeira memória séria, "The Wikipedia Revolution", por Andrew Lih, um dos primeiros wikipedianos, que escreve sobre como "um bando de desconhecidos criou a maior enciclopédia do mundo".
Mas essas preocupações parecem deslocadas —a Wikipédia não pode ser concluída, assim como a cidade de Nova York. Na verdade, com seus milhões de visitantes e centenas de milhares de voluntários, um número de artigos e línguas faladas sempre em expansão, a Wikipédia talvez seja a coisa mais próxima de uma metrópole on-line.
Como uma cidade, a Wikipédia é maior que a soma de suas partes; por exemplo, os encontros aleatórios lá são muitas vezes mais interessantes que os próprios artigos. A busca por informação parece um passeio por um quarteirão densamente construído de uma antiga capital. Os artigos da Wikipédia podem mandá-lo por caminhos improváveis. Há links que o dirigem para o mesmo artigo em outra língua, o que dá esclarecimentos sobre uma cultura. Passe algum tempo na Wikipédia alemã e você encontrará músicos de jazz com artigos mais longos do que os originais em inglês; há também áreas estranhas de profundo interesse, como "pecherei", a extração de resinas de árvores e as 15 ferramentas diferentes necessárias para esse trabalho.
Em segundo, no final da maioria dos artigos há categorias —bairros improvisados ou organizações cívicas, que dão unidade à enciclopédia virtual.
Até recentemente, a Wikipédia operava com um orçamento de menos de US$ 3 milhões por ano. Hoje ainda são apenas US$ 7 milhões, tudo em doações.
Em "The City in History" (A cidade na história), Lewis Mumford explica como as cidades passaram a existir: "Nos primeiros aglomerados ao redor de um túmulo ou de um símbolo pintado, uma grande pedra ou uma caverna sagrada, temos o início de uma série de instituições cívicas que vão do templo ao observatório astronômico, do teatro à universidade".
Na Wikipédia, um único artigo, por exemplo, sobre os atentados em Mumbai no ano passado, pode ter mais de mil colaboradores. Suas discussões sobre a melhor maneira de escrever o artigo podem ocupar páginas, todas conduzidas por um dos princípios fundamentais da Wikipédia: "Suponha a boa-fé".
A Wikipédia incentiva os colaboradores a imitar a civilidade básica, a confiança, a aceitação cultural e a auto-organização conhecidas de qualquer morador de uma cidade. Por que as pessoas não atacam umas às outras no caminho para casa? Por que elas fazem fila no banco? A polícia pode ser uma resposta óbvia. Mas isso não leva em conta o pacto entre moradores. Desde sua criação, as cidades tiveram de aceitar estranhos, e os habitantes aprendem a ser sutilmente acomodados.
A maravilha da Wikipédia —e das cidades— é que todo o intercâmbio e o estímulo espiritual não tornam a vida lá impossível. Ao contrário, são exatamente o que torna a vida possível.
Como as cidades, a Wikipédia também provoca profunda inquietação. Assim como o mundo teve muitos criacionistas, sociedades de abstinência e ruralistas, há uma classe profissional de céticos da Wikipédia. Eles também têm um comportamento seriamente depravado a denunciar: a Wikipédia constitui um mundo sem especialistas! Um mundo sem canais de notícias comerciais! Um mundo sem uma distinção entre o trivial e o profundo! Um mundo repleto de fatos, mas carente de julgamento!
Tudo isso é vestígio das acusações feitas contra as cidades: elas não produzem nada! Tudo o que fazem é fofoca! Elas não sabem o que é trabalho de verdade!
A discussão representa um verdadeiro choque de ideias. Fica claro pelo relato de Lih que, quase sempre que a Wikipédia encontrou obstáculos, e o projeto poderia ter decidido impor mais restrições sobre quem poderia editar o quê, ela preferiu não o fazer. Isso fez toda a diferença. O acerto dessas opções —pela Wikipédia e pelas cidades— é comprovado a cada vez que um estranho supera seus temores e decide fazer uma visita e passar algum tempo por lá.
abs
São Paulo, segunda-feira, 06 de abril de 2009
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/ny0604200903.htm
Tendências Mundiais
Ensaio
Noam Cohen
A Wikipédia e a urbanidade
Enciclopédia virtual imita a civilidade e a auto-organização das cidades
Em seus sete anos de existência, a Wikipédia tornou-se um dos dez principais sites globais. Ela tem muito menos visitantes que o Google, mas está próxima da Amazon e do eBay. Centenas de milhares de pessoas —algumas anônimas, algumas usando pseudônimos, outras que são quem dizem ser— se uniram até agora para colaborar.
Mas ultimamente os contribuintes da Wikipédia têm-se perguntado em voz alta se estão ficando sem assunto. Artigos óbvios, como "China" e "Moisés", foram reescritos centenas de vezes. Há mais de 2,8 milhões de artigos somente na versão em inglês da Wikipédia. Em março, a enciclopédia ganhou sua primeira memória séria, "The Wikipedia Revolution", por Andrew Lih, um dos primeiros wikipedianos, que escreve sobre como "um bando de desconhecidos criou a maior enciclopédia do mundo".
Mas essas preocupações parecem deslocadas —a Wikipédia não pode ser concluída, assim como a cidade de Nova York. Na verdade, com seus milhões de visitantes e centenas de milhares de voluntários, um número de artigos e línguas faladas sempre em expansão, a Wikipédia talvez seja a coisa mais próxima de uma metrópole on-line.
Como uma cidade, a Wikipédia é maior que a soma de suas partes; por exemplo, os encontros aleatórios lá são muitas vezes mais interessantes que os próprios artigos. A busca por informação parece um passeio por um quarteirão densamente construído de uma antiga capital. Os artigos da Wikipédia podem mandá-lo por caminhos improváveis. Há links que o dirigem para o mesmo artigo em outra língua, o que dá esclarecimentos sobre uma cultura. Passe algum tempo na Wikipédia alemã e você encontrará músicos de jazz com artigos mais longos do que os originais em inglês; há também áreas estranhas de profundo interesse, como "pecherei", a extração de resinas de árvores e as 15 ferramentas diferentes necessárias para esse trabalho.
Em segundo, no final da maioria dos artigos há categorias —bairros improvisados ou organizações cívicas, que dão unidade à enciclopédia virtual.
Até recentemente, a Wikipédia operava com um orçamento de menos de US$ 3 milhões por ano. Hoje ainda são apenas US$ 7 milhões, tudo em doações.
Em "The City in History" (A cidade na história), Lewis Mumford explica como as cidades passaram a existir: "Nos primeiros aglomerados ao redor de um túmulo ou de um símbolo pintado, uma grande pedra ou uma caverna sagrada, temos o início de uma série de instituições cívicas que vão do templo ao observatório astronômico, do teatro à universidade".
Na Wikipédia, um único artigo, por exemplo, sobre os atentados em Mumbai no ano passado, pode ter mais de mil colaboradores. Suas discussões sobre a melhor maneira de escrever o artigo podem ocupar páginas, todas conduzidas por um dos princípios fundamentais da Wikipédia: "Suponha a boa-fé".
A Wikipédia incentiva os colaboradores a imitar a civilidade básica, a confiança, a aceitação cultural e a auto-organização conhecidas de qualquer morador de uma cidade. Por que as pessoas não atacam umas às outras no caminho para casa? Por que elas fazem fila no banco? A polícia pode ser uma resposta óbvia. Mas isso não leva em conta o pacto entre moradores. Desde sua criação, as cidades tiveram de aceitar estranhos, e os habitantes aprendem a ser sutilmente acomodados.
A maravilha da Wikipédia —e das cidades— é que todo o intercâmbio e o estímulo espiritual não tornam a vida lá impossível. Ao contrário, são exatamente o que torna a vida possível.
Como as cidades, a Wikipédia também provoca profunda inquietação. Assim como o mundo teve muitos criacionistas, sociedades de abstinência e ruralistas, há uma classe profissional de céticos da Wikipédia. Eles também têm um comportamento seriamente depravado a denunciar: a Wikipédia constitui um mundo sem especialistas! Um mundo sem canais de notícias comerciais! Um mundo sem uma distinção entre o trivial e o profundo! Um mundo repleto de fatos, mas carente de julgamento!
Tudo isso é vestígio das acusações feitas contra as cidades: elas não produzem nada! Tudo o que fazem é fofoca! Elas não sabem o que é trabalho de verdade!
A discussão representa um verdadeiro choque de ideias. Fica claro pelo relato de Lih que, quase sempre que a Wikipédia encontrou obstáculos, e o projeto poderia ter decidido impor mais restrições sobre quem poderia editar o quê, ela preferiu não o fazer. Isso fez toda a diferença. O acerto dessas opções —pela Wikipédia e pelas cidades— é comprovado a cada vez que um estranho supera seus temores e decide fazer uma visita e passar algum tempo por lá.
Mundo Twitter
fenômeno Twitter: conte algo em 1 paràgrafo. As celebridades, que tëm pouco a dizer mesmo, estao curtindo e enricando.
abs
São Paulo, segunda-feira, 06 de abril de 2009
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/ny0604200904.htm
Palavrinhas de uma estrela (ou de seu assessor)
Por NOAM COHEN
O rapper 50 Cent está entre as muitas celebridades que recentemente aderiram ao Twitter para comunicar-se com fãs que querem ter acesso quase contínuo às suas vidas. Em 1° de março, ele compartilhou com mais de 200 “followers”, ou pessoas que acompanham seus posts: “Minha ambição me conduz por um túnel que nunca termina”.
As palavras são de 50 Cent, mas não foi exatamente ele quem "twittou" (postou comentário no Twitter). Na verdade foi Chris Romero, diretor do império do rapper na web, quem escreveu as palavras depois de lê-las numa entrevista. “Ele não usa realmente o Twitter”, Romero disse sobre 50 Cent, “mas a energia é toda dele”.
Em sua curta história, o Twitter —um tipo de microblog que só permite textos com no máximo 140 caracteres— se tornou uma ferramenta de marketing importante para celebridades, políticos e empresas.
Mas alguém tem que ter o trabalho de escrever, ainda que cada post mal chegue ao tamanho de uma frase. Em muitos casos, as celebridades e seus assessores recorrem a escritores de fora —ghost twittadores, pode-se dizer— que mantêm os fãs atualizados, em muitos casos fazendo-se passar pelas próprias celebridades. Mas como o Twitter serve de ligação íntima entre celebridades e fãs, muitos famosos evitam divulgar essa ajuda.
Britney Spears publicou, recentemente, um anúncio pedindo assessores para ajudá-la, entre outras coisas, a criar conteúdo para o Twitter e para o Facebook. O rapper Kanye West contou à revista “New York” que contratou duas pessoas para atualizar seu blog.
E não só celebridades montam um time para produzir comentários em tempo real sobre suas atividades diárias. Tanto quando era candidato quanto agora, como presidente, Barack Obama tem uma equipe responsável por relacionamentos sociais e que mantém seu Twitter atualizado.
Claro que famosos sempre recorreram a ghostwriters para redigir autobiografias e outras formas de autoengrandecimento. Mas a ideia de um terceiro escrever atualizações contínuas sobre a vida diária de alguém pode parecer um pouco absurda.
O jogador de basquete Shaquille O’Neal, por exemplo, é um twittador prolífico em sua página, "The Real Shaq" (“o verdadeiro Shaq”), onde compartilha notícias pessoais, piadas e comentários sobre adversários com quase 430 mil “followers”. “Quando digo alguma coisa, ela vem de mim mesmo”, ele disse. Quanto a contratar outros para escrever suas palavras, explicou: “São 140 caracteres —pouquíssimos. Se você precisa de um ghostwriter para isso, sinto pena de você”.
Nos últimos dois meses, o Twitter de Britney Spears mudou. Se antes parecia que todas as mensagens eram escritas pessoalmente pela cantora, ultimamente ele pode ser considerado um blog grupal, com alguns posts assinados por “Britney”, outros por “Adam Leber, assessor” e outros por “Lauren”. Esta seria Lauren Kozak, diretora de mídia do site britneyspears.com.
Muitos comentaristas on-line ficam horrorizados com a prática de recrutar ghost twittadores, mas Joseph Nejman, ex-assessor de Spears, disse que isso é hipocrisia. “Considera-se que 'twittar' para uma marca [empresarial] não tem problema, mas para uma celebridade, sim. Mas a verdade é que as celebridades também são marcas”.
abs
São Paulo, segunda-feira, 06 de abril de 2009
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/ny0604200904.htm
Palavrinhas de uma estrela (ou de seu assessor)
Por NOAM COHEN
O rapper 50 Cent está entre as muitas celebridades que recentemente aderiram ao Twitter para comunicar-se com fãs que querem ter acesso quase contínuo às suas vidas. Em 1° de março, ele compartilhou com mais de 200 “followers”, ou pessoas que acompanham seus posts: “Minha ambição me conduz por um túnel que nunca termina”.
As palavras são de 50 Cent, mas não foi exatamente ele quem "twittou" (postou comentário no Twitter). Na verdade foi Chris Romero, diretor do império do rapper na web, quem escreveu as palavras depois de lê-las numa entrevista. “Ele não usa realmente o Twitter”, Romero disse sobre 50 Cent, “mas a energia é toda dele”.
Em sua curta história, o Twitter —um tipo de microblog que só permite textos com no máximo 140 caracteres— se tornou uma ferramenta de marketing importante para celebridades, políticos e empresas.
Mas alguém tem que ter o trabalho de escrever, ainda que cada post mal chegue ao tamanho de uma frase. Em muitos casos, as celebridades e seus assessores recorrem a escritores de fora —ghost twittadores, pode-se dizer— que mantêm os fãs atualizados, em muitos casos fazendo-se passar pelas próprias celebridades. Mas como o Twitter serve de ligação íntima entre celebridades e fãs, muitos famosos evitam divulgar essa ajuda.
Britney Spears publicou, recentemente, um anúncio pedindo assessores para ajudá-la, entre outras coisas, a criar conteúdo para o Twitter e para o Facebook. O rapper Kanye West contou à revista “New York” que contratou duas pessoas para atualizar seu blog.
E não só celebridades montam um time para produzir comentários em tempo real sobre suas atividades diárias. Tanto quando era candidato quanto agora, como presidente, Barack Obama tem uma equipe responsável por relacionamentos sociais e que mantém seu Twitter atualizado.
Claro que famosos sempre recorreram a ghostwriters para redigir autobiografias e outras formas de autoengrandecimento. Mas a ideia de um terceiro escrever atualizações contínuas sobre a vida diária de alguém pode parecer um pouco absurda.
O jogador de basquete Shaquille O’Neal, por exemplo, é um twittador prolífico em sua página, "The Real Shaq" (“o verdadeiro Shaq”), onde compartilha notícias pessoais, piadas e comentários sobre adversários com quase 430 mil “followers”. “Quando digo alguma coisa, ela vem de mim mesmo”, ele disse. Quanto a contratar outros para escrever suas palavras, explicou: “São 140 caracteres —pouquíssimos. Se você precisa de um ghostwriter para isso, sinto pena de você”.
Nos últimos dois meses, o Twitter de Britney Spears mudou. Se antes parecia que todas as mensagens eram escritas pessoalmente pela cantora, ultimamente ele pode ser considerado um blog grupal, com alguns posts assinados por “Britney”, outros por “Adam Leber, assessor” e outros por “Lauren”. Esta seria Lauren Kozak, diretora de mídia do site britneyspears.com.
Muitos comentaristas on-line ficam horrorizados com a prática de recrutar ghost twittadores, mas Joseph Nejman, ex-assessor de Spears, disse que isso é hipocrisia. “Considera-se que 'twittar' para uma marca [empresarial] não tem problema, mas para uma celebridade, sim. Mas a verdade é que as celebridades também são marcas”.
A nova foto de Guevara. Gringa

Matéria que discute a pintura de Obama, "Hope", segundo sua foto original. Reproduz os passos da foto de Korda sobre Che. Pra quem quiser ,leia Benjamin para pensar. Afinal, o que vale mais, a foto ou a pintura? Abs
São Paulo, segunda-feira, 06 de abril de 2009
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/ny0604200916.htm
Exposição de foto jornalística em galeria provoca debate
Por NOAM COHEN
Os advogados de direitos autorais têm discutido a apropriação feita por Shepard Fairey de uma foto de imprensa do presidente dos EUA, Barack Obama, para o cartaz de sua campanha “Hope” [Esperança], e se ela constitui o “uso justo”, que permite a utilização limitada de material sem autorização.
Ninguém negou que se trata de uma obra de arte.
Mas e a fotografia em que se baseia o cartaz? Tirada por Mannie Garcia em um trabalho para a agência Associated Press em 2006, hoje a foto está à venda em uma galeria de Manhattan em tiragem limitada de 200 cópias a US$ 1.200 cada. Pelo menos uma foi comprada por um museu de arte.
Para conseguir a foto de Obama, Garcia estava na primeira fila do Clube Nacional de Imprensa em 27 de abril de 2006. Sua pauta naquele dia era fotografar George Clooney, que tinha voltado de uma visita a campos de refugiados na região de Darfur, no Sudão. Obama, então senador de Illinois, acompanhou Clooney na entrevista coletiva e acabou saindo em algumas das fotos de Garcia.
Mais de um ano depois, essa fotografia impressionou Fairey enquanto ele procurava no Google uma imagem de Obama para um pôster.
A história do século 21 está cheia de exemplos de fotografias e vídeos jornalísticos que ajudaram a provocar revoluções e forneceram imagens para cartazes e camisetas. A foto icônica do revolucionário marxista Che Guevara, por exemplo, é um estudo de improbabilidades: assim como Garcia, o fotógrafo Alberto Korda estava cobrindo outra coisa (um serviço fúnebre), e Guevara era apenas um acessório. Somente mais tarde a foto capturou a imaginação pública.
O crítico cultural Luc Sante abordou a questão em termos de artesanato e acesso e o que o espectador traz para a experiência. As fotos de Obama e Guevara, ele escreveu em uma mensagem eletrônica, “têm uma característica icônica chave em comum: o sujeito está olhando para o céu, contra um fundo neutro ou vazio”, replicando “um modelo icônico comprovado, mais intimamente identificado no Ocidente com Jesus Cristo”.
“É totalmente concebível que essa foto tivesse sido tirada por uma criança, um robô ou um chimpanzé —não é tão difícil quanto digitar Shakespeare ao acaso e nesse sentido é muito mais uma questão de sorte do que a maioria das grandes peças do fotojornalismo”, ele continuou.
Anne Wilkes Tucker, curadora de fotografia do Museu de Arte de Houston, disse que comprou a foto de Garcia juntamente com o cartaz de Fairey e perguntou a si mesma: “Teríamos adquirido a foto por si só, sem o cartaz? Não sei”.
Ainda assim, ela disse que discorda fortemente de atribuir o sucesso de Garcia à sorte.
Por saberem estar no lugar certo e na hora certa, disse ela, “os fotojornalistas são como atletas”.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
PETACULAR!
Belo jornal o Olé, bons títulos e belas crönicas. Melhor ainda o fato: toma, Argentina!
Mas o melhor MESMO é o Olé citar o Brasil como no texto abaixo da Manchete do Lance: "La catastrófica derrota de Argentina dio la vuelta al globo enseguida. En Brasil, claro, hay burlas. Hay mucha sorpresa por la caída de Argentina y elogios para Bolivia. "
http://www.ole.clarin.com/
Mas o melhor MESMO é o Olé citar o Brasil como no texto abaixo da Manchete do Lance: "La catastrófica derrota de Argentina dio la vuelta al globo enseguida. En Brasil, claro, hay burlas. Hay mucha sorpresa por la caída de Argentina y elogios para Bolivia. "
http://www.ole.clarin.com/
La difunta Correa

Nao conhecia esta história, pouco provável numa argentina urbana que temos notícia. Mas muito semelhante aos roteiros religiosos que temos. Fonte: programa Passagem Para, ótimo. Grande história. Abs
http://www.visitedifuntacorrea.com.ar/historia.php
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