segunda-feira, 30 de março de 2009

VIOLENCIA EN MÉXICO - RELATO 2

Declaraçoes de Laura Guzmán, jornalista mexicana e minha amiga de EFE Madri. Derruba um pouco a visao dos jornais que li, que diziam que a violencia estava alatrada a todos os setores. Nao está bom, mas abaixo vai mais realidade no relato.
abs


"Amigo, todo bien, desafortunadamente ya llevamos un año con mucha violencia, sobre todo en el norte del país, todo por ajustes de cuentas entre el narcotráfico y la lucha entre el crimen y el gobierno.

Afortunadamente toca poco a la población civil."

Jornalismo impresso: FODEU (2)

Papel caro, assinantes em baixa, internet em alta, jornais não representantes da sociedade, o papel disputa atenção com a tela.
abs

São Paulo, domingo, 29 de março de 2009

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Castelos de papel, tela e areia

Mais do que nunca, é preciso cuidar para que a qualidade sempre exigida no jornalismo impresso se mantenha no jornalismo eletrônico


OS TEMPOS são terríveis para os jornais impressos nos EUA e na Europa. A crise econômica acelerou o desgaste do modelo econômico dessa indústria nos países centrais do capitalismo e os efeitos são visíveis.
Na sexta-feira, circulou a última edição em papel do centenário e excelente "Christian Science Monitor". Na quinta, o "New York Times" anunciou corte de 5% por nove meses no salário de quase todo o seu pessoal, mais um gesto extremo para tentar melhorar suas contas, e o "Washington Post" deu partida a processo de demissões voluntárias.
Na terça, quatro cidades do Estado de Michigan, inclusive Ann Arbor, sede da Universidade de Michigan, souberam que este ano ficarão sem nenhum jornal impresso porque o único em cada uma delas (todos pertencentes a uma rede) vai deixar de circular.
Semanas atrás, dois tradicionais títulos, o "Rocky Mountain News" e o "Seattle Post Intelligencer" haviam deixado de rodar e passado a operar só na internet.
A Federação Europeia de Jornalistas, em atitude clara de desespero, pediu aos líderes dos partidos no Parlamento Europeu que os governos salvem os jornais impressos, "pedra angular da democracia europeia", segundo dizem no documento.
A administração Sarkozy, na França, já seguiu nessa direção com um pacote de 600 milhões de euros de socorro aos diários. Nos EUA, o senador Benjamin Cardin, democrata do Maryland, argumenta com seus pares que os jornais merecem tanto auxílio quanto os bancos.
Esse apelo ao Estado é um atentado contra o princípio essencial da independência, condição indispensável para o exercício do bom jornalismo. A sobreviver como apêndice de governos, é melhor perecer.
Apesar de todos esses indícios, e dos prenúncios sombrios para os jornais no mais recente relatório do "State of the News Media" (http://www.stateofthenewsmedia.org/2009/index.htm), o jogo ainda não está jogado nem lá nem muito menos aqui no Brasil.
Mas a tendência da migração do jornalismo do papel para a tela é irredutível, mesmo que as versões impressas se mantenham. Por isso, mais do que nunca, é preciso cuidar para que a qualidade sempre exigida no produto impresso se mantenha no eletrônico.
Esta semana, na cobertura da Operação Castelo de Areia, a versão on-line da Folha deu uma derrapada feia, em decorrência de vícios estruturais dessa plataforma: a pressa em colocar no ar informações e a frouxidão dos controles.
Das 8h41 às 10h30 de quinta-feira, a terceira chamada da página inicial da Folha Online tinha um título errado ("PT pode ser investigado por doações da Camargo"), sem nenhuma base nas informações disponíveis. O erro, que não apareceu no jornal impresso, foi corrigido e o título mudado.
O rigor e o cuidado imprescindíveis no jornal impresso devem ser obrigatórios no eletrônico. As sociedades democráticas podem até sobreviver sem jornalismo de papel, mas sem jornalismo independente serão castelos de areia.



Carlos Eduardo Lins da Silva é o ombudsman da Folha desde 24 de abril de 2008. O ombudsman tem mandato de um ano, renovável por mais dois. Não pode ser demitido durante o exercício da função e tem estabilidade por seis meses após deixá-la. Suas atribuições são criticar o jornal sob a perspectiva dos leitores, recebendo e verificando suas reclamações, e comentar, aos domingos, o noticiário dos meios de comunicação.
Cartas: al. Barão de Limeira 425, 8º andar, São Paulo, SP CEP 01202-900, a/c Carlos Eduardo Lins da Silva/ombudsman, ou pelo fax (011) 3224-3895.
Endereço eletrônico: ombudsman@uol.com.br. Contatos telefônicos: ligue 0800 0159000; se deixar recado na secretária eletrônica, informe telefone de contato no horário de atendimento, entre 14h e 18h, de segunda a sexta-feira.

Jornalismo impresso: FODEU (1)

Postarei alguns artigos sobre isso. Mas é adaptar-se, acompanhar de perto ou chorar pelo jornal derramado. Belo estudo sobre a internet que nos confirma o que já queremos saber: jornalismo impresso DEVE ser painel/ethos de idéias diversificadas. Liberdade de escolha pode ser isolamento.

abs
Edson

São Paulo, domingo, 29 de março de 2009

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ARTIGO

O meu jornal diário

Ao contrário do jornal, internet nos leva a buscar ideias afins às nossas e vai nos isolar ainda mais em nossas câmaras políticas hermeticamente fechadas

NICHOLAS D. KRISTOF
DO "NEW YORK TIMES"

Alguns dos obituários mais recentes não estão saindo nos jornais, mas são dos jornais. O "Seattle Post-Intelligencer" é o mais recente a desaparecer, excetuando um resquício de que vai existir só no ciberespaço, e o público está cada vez mais buscando as notícias que consome não nas grandes redes de televisão ou em fontes impressas em tinta sobre árvores mortas, mas em suas incursões on-line.
Quando navegamos on-line, cada um de nós é seu próprio editor, o guardião de sua própria entrada. Selecionamos o tipo de notícias e opiniões de que mais gostamos.
Nicholas Negroponte, do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), chamou a esse produto noticioso emergente "O Meu Jornal Diário". E, se isso for uma tendência, que Deus nos salve de nós mesmos.
Isso porque existem provas bastante convincentes de que, em geral, não desejamos realmente informações confiáveis, e sim as que confirmem nossas ideias preconcebidas. Podemos acreditar intelectualmente no valor do choque de opiniões, mas na prática gostamos de nos encerrar no útero tranquilizador de uma câmara de ecos. Um estudo clássico enviou despachos a republicanos e democratas, oferecendo-lhes vários tipos de pesquisas políticas, ostensivamente de uma fonte neutra. Os dois grupos mostraram mais interesse em receber argumentos inteligentes que corroborassem suas ideias preexistentes.
Também houve interesse mediano em receber argumentos tolos em favor das posições do outro partido (nós nos sentimos bem quando podemos caricaturar os outros). Mas houve pouco interesse em estudar argumentos sólidos que pudessem enfraquecer as posições anteriores de cada um. Essa constatação geral foi repetida muitas vezes, como observou o autor e ensaísta Farhad Manjoo em 2008 em seu ótimo livro "True Enough: Learning to Live in a Post-Fact Society" [Verdade Suficiente: aprendendo a viver numa sociedade pós-fatos].
Permita que deixe uma coisa clara: eu mesmo às vezes sou culpado de buscar verdades na web de maneira seletiva. O blog no qual busco análises sobre notícias do Oriente Médio frequentemente é o do professor Juan Cole, porque ele é inteligente, bem informado e sensato -em outras palavras, frequentemente concordo com ele. É menos provável que leia o blog de Daniel Pipes, especialista em Oriente Médio que é inteligente e bem informado -mas que me parece menos sensato, em parte porque frequentemente discordo dele.
Segregação
O efeito do "Meu Jornal" seria nos isolar ainda mais em nossas câmaras políticas hermeticamente fechadas. Um dos livros mais fascinantes de 2008 foi "The Big Sort: Why the Clustering of Like-Minded America is Tearing Us Apart" [A grande classificação: porque a divisão da América em agrupamentos de ideias iguais nos está dividindo], de Bill Bishop.
Ele argumenta que os americanos vêm se segregando em comunidades, clubes e igrejas onde são cercados por pessoas que pensam como eles.
Hoje, diz Bishop, quase metade dos americanos vive em condados que votam por maioria avassaladora em candidatos democratas ou republicanos.
Nos anos 60 e 70, em eleições nacionais igualmente disputadas, só cerca de um terço dos eleitores vivia em condados que apresentavam maiorias avassaladoras nas eleições.
"O país está ficando mais politicamente segregado -e o benefício que deveria advir da presença de uma diversidade de opiniões se perde para o sentimento de estar com a razão que é próprio dos grupos homogêneos", escreve Bishop.
Um estudo que abrangeu 12 países concluiu que os americanos são os que demonstram menos tendência a discutir política com pessoas de visões diferentes, e isso se aplica especialmente aos mais bem instruídos. Pessoas que não concluíram o ensino médio tinham o grupo mais diversificado de pessoas com quem discutiam ideias. Já as que tinham concluído a faculdade conseguiam colocar-se ao abrigo de ideias que lhes eram incômodas.
O resultado disso é a polarização e a intolerância. Cass Sunstein, professor de direito em Harvard que agora trabalha para o presidente Obama, fez uma pesquisa que mostrou que, quando progressistas ou conservadores discutem questões como ação afirmativa ou mudanças climáticas com pessoas que pensam como eles, suas ideias rapidamente se tornam mais homogêneas e mais extremas que antes da discussão.
Em um estudo, alguns progressistas inicialmente temiam que as ações para enfrentar as mudanças climáticas pudessem prejudicar os pobres, enquanto alguns conservadores inicialmente se mostravam a favor da ação afirmativa. Mas, depois de discutir a questão durante 15 minutos com pessoas que pensavam como eles, os progressistas se tornavam mais progressistas, e os conservadores, mais conservadores. O declínio da mídia noticiosa tradicional vai acelerar a ascensão do "Meu Jornal"; vamos nos irritar menos com o que lemos e veremos nossas ideias preconcebidas confirmadas com mais frequência. O perigo é que esse "noticiário" autosselecionado aja como entorpecente, mergulhando-nos num estupor autoconfiante por meio do qual enxergaremos as coisas em preto e branco, sendo que os fatos normalmente se desenrolam em tons de cinza.
Qual seria a solução? Incentivos fiscais para progressistas que assistam a Bill O'Reilly [comentarista do canal conservador Fox News] ou conservadores que vejam Keith Olbermann [âncora do canal progressista MSNBC]? Não -enquanto o presidente Obama não nos dá o atendimento médico universal, não podemos correr o risco de um aumento grande no número de infartos.
Então talvez a única maneira de avançar seja que cada um se esforce por conta própria para fazer uma malhação intelectual, enfrentando parceiros de discussão cujas opiniões deploramos. Pense nisso como uma sessão diária de exercícios mentais análoga a uma ida à academia: se você não se exercitou até transpirar, não valeu. Agora, com licença. Vou ler a página de editoriais do "Wall Street Journal".
Tradução de CLARA ALLAIN

CORRESPONSAL WEB SOBRE MEXICO A EDSON

David, querido, pongo nuestra conversación a quien quiera ver una mirada sobre la violencia en México desde un ciudadano de ahí. David Santa Cruz es uno de los mejores periodistas del país y mi amigo, lo más importante...

;saludos

"Como va Mexico? Vi numeros asustadores sobre muertes en la frontera. Cómo están todos?

saludos
Edson"


Responder


"Hola pues la violencia x las bandas del narcotráfico está de miedo 2008 terminó con 6000 asesinatos en todo el país.antes era solo la frontera hoy las cosas son diferentes por mi casayahan aparecido 6 muertos. Pero porel momento todo queda entre criminales."

Saludos

VioLência na fronteira Mexicana

Ésta en homenaje a mis amigos chilangos y a los chicos que quieran debatir sobre América Latina.
Tan malo como la violencia extremada es la percepción de que el sistema es bueno o lo único que los jóvenes pueden acceder.



São Paulo, domingo, 29 de março de 2009

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Narcotráfico ganha espaço na cultura popular mexicana

"Narcocultura" tem seu próprio estilo musical e abraça o sincretismo religioso, que acompanha a rota do tráfico

80% dos mexicanos acham que cultura do tráfico é cada vez mais exaltada; consumo é alto e comércio ilegal ocupa centenas de milhares

DO ENVIADO A CIUDAD JUÁREZ

Com mais de três décadas de narcotráfico, que envolve centenas de milhares de pessoas, o México desenvolveu diversificada e popular "narcocultura", que abrange manifestações religiosas, música do estilo narcocorrido e um alto consumo interno de drogas ilícitas.
"O poder trazido pela adesão a um grupo do narcotráfico é muito tentador, levando em conta que nesta sociedade se ensina que "ou golpeias ou te golpeiam'", disse Lydia Cordero, da ONG Casa Amiga, que trabalha com jovens da periferia de Ciudad Juárez, onde milhares se envolvem em organizações criminosas, como os Artistas Assassinos (AA). "A admiração por um traficante ou sicário vem do poder gerado por machucar outras pessoas, aliado ao fator econômico."
Pesquisa realizada no México em julho e agosto de 2008 pela rede britânica BBC reflete a percepção de Cordero. O levantamento mostra que 80% dos entrevistados consideram que a cultura narco está sendo cada vez mais exaltada no país e 81% acreditam que o narcotráfico esteja penetrando em vários aspectos da cultura local.
A manifestação mais conhecida são os narcocorridos, que narram grandes feitos -reais ou fictícios- de traficantes, como a entrega de uma grande quantidade de cocaína aos EUA. Há relatos de chefes do tráfico que pagam pequenas fortunas para terem suas histórias imortalizadas em música.
Com uma sonoridade parecida à do sertanejo brasileiro, os narcocorridos estão banidos da rádio e da TV em locais como o Estado de Sinaloa (centro-norte), epicentro da narcocultura. Mas o gênero popularizado nos anos 1970 pelo legendário grupo Tigres do Norte resiste e prospera por meio de CDs piratas e da internet. No dia 19, um narcocorrido em homenagem ao traficante Vicente Zambada apareceu no You Tube horas depois de ele ter sido preso.

Narcorreligião
Por sua vez, a "narcorreligião" envolve dois fenômenos de sincretismo: o santo Malverde e o culto à Santa Morte. No primeiro caso, trata-se do culto a Jesús Malverde, espécie de Robin Hood mexicano que teria vivido em Sinaloa até o início do século 20. Imagens do santo bigodudo podem ser encontradas até na Colômbia e em Los Angeles, seguindo a rota do tráfico.
Já a Santa Morte, combatida pela Igreja Católica, é representada por uma macabra figura de caveira. Tem centenas de capelas pelo México e é muito cultuada por narcotraficantes, embora não se restrinja a eles.
Os dois cultos têm sido perseguidos na guerra ao narcotráfico. Na semana passada, mais de 30 imagens que estavam numa estrada perto de Nuevo Laredo (fronteira com os EUA) foram derrubadas pelo governo local. Em outra cidade fronteiriça, Tijuana, duas capelas de Malverde foram destruídas -ninguém assumiu a autoria.
Uma das explicações para o fenômeno da narcocultura é o número de pessoas envolvidas no narcotráfico: cerca de 450 mil, segundo estimativa divulgada no ano passado pela Secretaria da Defesa Nacional.
De acordo com Samuel González, ex-procurador antidrogas da Procuradoria Geral da República, grande parte desses envolvidos são vendedores do comércio local, e não traficantes internacionais. "A violência que estamos vendo é pelo controle do abastecimento interno do México, e não dos EUA", disse González, em entrevista por telefone. (FM)

TV Cultura e audiência: contraponto

Bom texto, só melhora se sair do "é preciso mudar" para alguma proposta factível pela TV. Porque todos querem audiência, só não tem estrutura.

abs

São Paulo, domingo, 29 de março de 2009

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TENDÊNCIAS/DEBATES

Quem não se comunica se trumbica

JOSÉ HENRIQUE REIS LOBO

Insisto em que as TVs públicas deveriam fazer uma grande reflexão sobre os seus objetivos e os seus resultados


LEVANTAMENTOS do Ibope mostram que, em números absolutos, a TV Cultura está entre as emissoras menos vistas de São Paulo. Penso que, em grande parte, isso se deve ao fato de que os veículos da Fundação Padre Anchieta são tratados como laboratórios de experiências no que se refere à programação. De fato, nunca se soube que naquela emissora programas entrassem e saíssem do ar em razão de algum levantamento que mostrasse a existência de um público (potencial) consumidor. Historicamente, é o voluntarismo, a opinião e o gosto pessoal que definem a programação.
Não foram, portanto, os atuais dirigentes que inauguraram esse estilo de gestão, mas espero que eles tenham sensibilidade para compreender que é preciso começar a mudar a situação. Insisto em que as TVs públicas deveriam fazer uma grande reflexão sobre os seus objetivos e os seus resultados em meio à opinião pública.
A diretora de jornalismo de uma TV pública escreveu um artigo que ocupou um quarto de página de um jornal para mostrar a excelência da programação da emissora, cuja audiência, se existe, também é próxima de zero. E afirma, como quem não tem dúvidas, que quem não gosta é quem não vê.
Alguns dias depois, o mesmo jornal publicou cartas de leitores que discordavam daquela articulista. Isso mostra que a percepção dos dirigentes é, muitas vezes, diferente da percepção do público, e, como é para este que se faz televisão, em principio é ele quem tem razão.
Sou capaz de entender que certos programas devam ter a sua importância medida por outros critérios, aos quais se adicionará o da audiência. Entretanto, pretender convencer, por meio de raciocínios transversos, que, para a TV Cultura, a audiência é uma questão de somenos importância parece exercício de acadêmicos e intelectuais com o qual o senso médio não consegue concordar.
De repente, passou-se a fazer crer que a TV Cultura não tem audiência exatamente por apresentar uma programação altamente diferenciada. Discordo. Qualidade e audiência não se excluem, mas, ao contrário, são o verso e o reverso de uma mesma moeda. Além disso, sendo a televisão um meio de comunicação de massas que entra compulsoriamente e de graça na casa de milhões de brasileiros, se eles não a assistem é porque alguma coisa está errada.
Nesse caso, de nada adianta o argumento de que ela apresenta programas que não têm espaço nas emissoras comerciais, porque, sem audiência, ela não consegue cumprir o seu papel de veículo de difusão cultural e educacional. Sugerir, portanto, que os que defendem a audiência estariam pretendendo que se façam concessões ao popularesco ou a programas que descumpram a finalidade da TV é, no mínimo, perigoso, pois pode incentivar o imobilismo, que nem os atuais dirigentes desejam, e desqualificar as críticas daqueles que estão legitimamente preocupados com a situação de indigência que as emissoras públicas vivem em matéria de audiência.
Insisto em que, para definir a programação da TV, dever-se-ia procurar saber, em primeiro lugar, se há público para o conteúdo que se pretende oferecer e, em havendo, apresentá-lo de maneira interessante e inteligente, tanto no formato quanto na linguagem e na estética. É por isso que defendo que esse trabalho seja conferido a profissionais contratados exclusivamente pela sua notória capacitação.
Quando falo da reforma do conselho, faço-o por acreditar que é preciso ter a coragem de discutir se o seu formato não está superado, tanto do ponto de vista do número de seus componentes quanto da representatividade da sociedade e do poder público, bem como das competências que lhe são atribuídas. Não tenho uma ideia preconcebida a respeito de como deveria ser.
Mas insisto em colocar o tema como proposta de reflexão e discussão sobre o assunto, porque acho que, se necessário, mudanças devem ser feitas, desde que possam contribuir para a melhoria da TV Cultura e da Fundação Padre Anchieta.

JOSÉ HENRIQUE REIS LOBO, 65, advogado especializado em direito administrativo e procurador aposentado, é conselheiro da Fundação Padre Anchieta, secretário de Relações Institucionais do governo do Estado de São Paulo e presidente do Diretório Municipal do PSDB-SP. Foi presidente do Memorial da América Latina e assessor especial do governo de SP (gestão Alckmin).


Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

História da TV Cultura por um dos seus presidentes

Este senhor foi meu grão chefe na TV Cultura. Paga de mocinho, pagou de conciliador, mas o fato é que as coisas foram confusas lá na época. Depois escrever livro sobre o que a TV é faca de dois gumes: botar pontos nos is ou vangloriar-se do que (não) fez.
E audiência é requisito para TV, sim. Falta de estrutura para fazê-lo é outra história. Senão é ornamento na grade.

abs

São Paulo, sábado, 28 de março de 2009

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TELEVISÃO

"Em TV pública, todo mundo mete o bedelho"

Presidente do conselho da Cultura, Cunha Lima revê os 40 anos da emissora

Autor do recém-lançado "Uma História da TV Cultura" defende qualidade e diz que audiência não pode ser obtida a qualquer custo

AUDREY FURLANETO
DA REPORTAGEM LOCAL

"Na TV Cultura, eu pago e não mando." É o que costumava dizer o governador Mario Covas (1995-2001) nos encontros com Jorge da Cunha Lima, nos anos 90, quando ele ainda era presidente da Fundação Padre Anchieta. Com o atual governador, José Serra, a conversa, diz Cunha Lima, deve ser mais "racional", mas "sem a mínima intervenção".
"Em comunicação, não só em TV pública, todo mundo mete o bedelho", avalia ele, agora presidente do conselho da emissora, que lança o livro "Uma História da TV Cultura", em comemoração dos 40 anos da TV. À frente da fundação mantenedora do canal de 1995 a 2004, Cunha Lima, 77, registrou depoimentos de pessoas que trabalharam na emissora, obteve imagens históricas, pontuando tudo com as mudanças de governadores de São Paulo.
"O único período, digamos, de algum constrangimento de natureza intelectual foi na época do [Paulo] Maluf, que evidentemente equipou a TV fortemente com as 180 torres no interior, mas para ter um instrumento político", conta. "Houve um acordo tácito: havia liberdade para fazer cultura, desde que não aborrecesse o Maluf no jornalismo."

Polêmicas
Se o livro de Cunha Lima narra as mudanças e o contexto político da emissora, o prefácio assinado por Eugênio Bucci, ex-presidente da Radiobrás e membro do conselho, é crítico em relação a questões como a presença de comerciais na programação, segundo ele, "um senhor problema".
Cunha Lima concorda: "É um problema e foi criado por mim". Agora, a emissora tenta reduzir gradativamente os comerciais (nos infantis, a ação já foi suspensa). "Hoje, no orçamento [R$ 194,7 milhões, sendo R$ 81 milhões do Estado], publicidade não chega a 20% dos nossos recursos", diz.
Polêmicas mais recentes, como a baixa audiência (a Cultura tem média atual de só 1,4 ponto no Ibope da Grande SP) que provoca discussões "ferrenhas" no conselho, soam, entretanto, menores no livro. "Não vendemos audiência, e sim programação. O que interessa é qualidade." Mesmo assim, os conselheiros ainda discutem a carta enviada, no dia 16, pelo secretário de Relações Institucionais do governador José Serra, José Henrique Reis Lobo, cobrando números melhores. Apesar da queixa do secretário, diz Cunha Lima, "paira o consenso de que não se pode ter audiência a qualquer custo".

UMA HISTÓRIA DA TV CULTURA
Autor: Jorge da Cunha Lima
Editora: Imprensa Oficial
Quanto: R$ 80 (300 págs.)

Dica de livro sobre novas mídias

São Paulo, sábado, 28 de março de 2009

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LIVROS

Crítica/"Ética, Jornalismo e Nova Mídia - Uma Moral Provisória"

Tese sobre ética faz o elogio da controvérsia

OSCAR PILAGALLO
ESPECIAL PARA A FOLHA

Caio Túlio Costa tem se dedicado, há pelo menos 20 anos, a pensar a ética no jornalismo. Primeiro ombudsman da Folha, de 1989 a 1991, relatou a experiência e recolheu observações sobre o tema em "O Relógio de Pascal".
Agora, na condição de professor de ética, volta ao assunto com mais bagagem, em "Ética, Jornalismo e Nova Mídia - Uma Moral Provisória", baseado em sua tese de doutorado. Se o primeiro livro privilegia a urgência, ao focar o noticiário do período, o mais recente prioriza a reflexão, ao abordar a ética a partir da história, filosofia, teatro e literatura. A opção esfria o texto, mantido à distância das polêmicas, sobretudo as deflagradas por blogs, mas joga luz nos argumentos.
Ao nos conduzir a longas visitas aos clássicos, o jornalista dribla digressões retornando em tempo ao objeto central de seu estudo. Sobre Sócrates, por exemplo, tenta compreender o tribunal que o condenou à morte. Nós nos apaixonamos pelo filósofo, diz o autor, até porque os relatos existentes são de discípulos seus, mas os acusadores, preocupados com a ameaça que ele representava à democracia ateniense, também tinham suas razões. Onde está verdade? Caio Túlio responde: na controvérsia.
A história construiu uma reputação, a do sábio vítima da insensibilidade de uma sociedade. Hoje, o jornalismo destrói tantas outras. São extremos que se tocam quando vistos sob o prisma da ética.

Ocultação x mentira
Caio Túlio não quis escrever um manual de conduta, o que o levou a fazer mais perguntas do que dar respostas. Em classe, constata a divisão dos alunos sobre o uso de câmeras ocultas para denunciar corrupção e nota que a aprovação da maioria diminui quando ele formula a mesma questão trocando "câmera oculta" por "mentira", que no caso se equivalem. "O uso de um conceito moral muda o resultado", diz. Os fins justificam os meios?
Se não fica clara a posição do professor -embora se intuam as ressalvas-, o que importa, de qualquer maneira, é mais o processo de refletir que a opinião formada. É nesse espaço fluido que se insere a ideia de moral provisória, um hiato de flexibilidade na rigidez da ética. Em outras passagens a análise inclui juízo de valor. O autor não hesita, por exemplo, em condenar a TV, em especial a Record, pela cobertura sensacionalista da ação do crime organizado que paralisou São Paulo por um dia em 2006.
Da mesma maneira, fustiga os crentes da objetividade jornalística e até seus críticos que, como a Folha, defendem apenas a objetividade "possível". Para Caio Túlio, a objetividade tem existência normativa, não funcional. Mais para mito, portanto, do que para meta. O autor também ataca noção da ética do senso comum, ou do marceneiro, como dizia Cláudio Abramo (1923-1987) ao argumentar que só há uma ética, a do cidadão. Caio Túlio acha insuficiente, para o jornalista, a ética do dia a dia. As diferenças apontadas, no entanto, são mais de grau que de natureza.
O autor fica devendo uma resposta mais elaborada ao jornalista que foi um dos principais mentores de sua geração, mas nada tira o mérito do livro, que, às vésperas de ano eleitoral, é especialmente oportuno.

OSCAR PILAGALLO é jornalista e autor de "Folha Explica Roberto Carlos", entre outros.


ÉTICA, JORNALISMO E NOVA MÍDIA - UMA MORAL PROVISÓRIA
Autor: Caio Túlio Costa
Editora: Jorge Zahar
Quanto: R$ 39, 90 (288 págs.)
Avaliação: bom

Relações com assessoria de imprensa

Para: 'jornalismo.ccl@mackenzie.br'Cc: Monica Cristina
RibeiroAssunto: 

Para falarmos sobre relações entre assessorias e jornalistas noticiosos. Pode dar certo!, vejam o trabalho deles para encontrar nosso jornalista do Diretriz. O retorno é essencial.

abs
Edson

SOLICITAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE O LAGO DA
ACLIMAÇÃO 

Prezado coordenador Estamos tentando atender um aluno do
jornal Diretriz, do Mackenzie, chamado Paulo, que não nos deixou sobrenome,
telefone de contato ou e-mail para retorno, solicitando informações sobre o
Lago do Parque da Aclimação. Sou coordenadora da assessoria de comunicação
da Secretaria do Verde, órgão responsável pelo tema, e estava em reunião no
Gabinete até o momento. As assessoras que trabalham comigo e que atenderam o
estudante pediram que ele encaminhasse o pedido por e-mail - pois consigo
receber e responder e-mails durante a reunião - ou deixasse endereço
eletrônico e telefone para o retorno. Entretanto ele não quis deixar o
contato e na sequência começou a ligar para técnicos da Secretaria, que
ligaram em meu celular para informar e pediram que ele entrasse em
contato com a assessoria, procedimento padrão. Ele solicitou aspas a
respeito da situação do lago e disse que precisava agora porque estava
fechando a matéria para o jornal. Encaminho abaixo as aspas, já que ele não
nos deixou meios de contatá-lo, e peço a gentileza de nos ajudarem com esta
situação. Quem está falando oficialmente pelo lago é o Secretário - que está
fora da cidade - e no momento o Chefe de Gabinete, atualmente secretário em
exercício, que está inclusive participando desta reunião da qual saí
momentaneamente para tentar resolver a situação. Peço que façam chegar
a ele nossa informação, que segue abaixo. Tudo o que está colocado abaixo
pode ser creditado, da forma como está colocado, ao Chefe de Gabinete da
Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, Hélio
Neves. Atenciosamente, Mônica RibeiroAssessoria de
Comunicação/SVMA(11) 3396-3076/3078 O lago está cheio desde
sexta-feira, 20/03. Com isso, foi possível voltar a fazer a recirculação da
água, que já vinha sendo realizada antes do acidente com o lago e pôde
ser retomada com o aumento do nível da água. A licitação para melhoramento
da drenagem da região da Aclimação - que inclui ampliação e construção de
novas galerias, limpeza do lodo do lago e troca do vertedouro -, de
responsabilidade de SIURB, será publicada em abril. A licitação durará de 90
a 120 dias e tão logo selecionada a empresa e dada a ordem de serviço a obra
será iniciada. A resolução dos problemas do lago deverá levar pelo menos um
ano. O valor estimado é de R$ 20 milhões. Nos últimos quatro anos a
Secretaria do Verde investiu R$ 4 milhões em melhorias no Parque da
Aclimação, grande parte deste montante em melhorias para o lago.Em 2005, foi
feito o redirecionamento das nascentes para o lago, garantindo a manutenção
do volume com água limpa. Em 2006 foi feita a modernização da estação de
flotação da SABESP. Em 2007 e 2008 foram realizadas ações de despoluição
através do Programa Córrego Limpo (instalação de redes coletoras de esgoto
no entorno, desobstrução da rede, eliminação de 42 pontos de esgoto da
Favela do Buracão I e II e promoção de ações de educação ambiental nas
escolas do entorno). Em 2008 foi iniciado o processo de recirculação das
águas do lago, que passaram a ser bombeadas para a estação de tratamento da
Sabesp, retornando ao lago tratadas. A Secretaria do Verde e do Meio
Ambiente analisa e monitora a água do lago através de coletas mensais e
anuais. Em 2007 SIURB vistoriou todo o complexo hídrico do lago e do
Córrego Pedra Azul, incluindo vistoria da barragem, do vertedouro e das
galerias do córrego, e constatou que a estrutura do lago não apresentava
nenhum sinal de vazamento, e que a barragem, as galerias subterrâneas e o
vertedouro encontravam-se em bom estado. A partir desta vistoria
realizada, SIURB preparou projeto para redimensionar a drenagem da
região, incluindo a retirada do lodo. A licitação, conforme dito acima,
está prevista para abril.Quanto aos animais, o lago hoje abriga alguns
peixes que permaneceram no local e aves migratórias. Os animais que foram
retirados do lago e encaminhados ao Parque Ibirpuera voltarão ao lago quando
forem concluídas as obras de retirada do lodo e troca do vertedouro. Eles
ficariam estressados quando as obras começassem.<ATT00007.txt>